Beatriz narrando — Alô… A voz dele veio naquele tom que só ele sabe usar, meio brincando, meio cansado, como se tentasse amenizar qualquer tragédia com ironia. — E aí, amor… — ele soltou, num suspiro. — Tu tá inteira? Só de ouvir o “amor” meu olho já quis encher d’água, mas eu segurei. — Tô de pé, né? — respondi, tentando fazer graça. — Até a próxima operação, pelo menos. Foi feia hoje, hein. Ele ficou em silêncio por um segundo, como se estivesse pesando cada palavra que vinha depois. — Falaram que subiu, sim. — ele disse. — Mas eu tô com mais medo de como tu ficou do que da operação em si. Como é que tão as meninas? — Eu fiz cabana no chão da sala, botei som alto, inventei baladinha de pijama. — contei, respirando fundo. — Elas dormiram deitadas no colchão, nem tão sabendo o que

