Beatriz narrando Eu já tinha visto o Felipe nervoso. Já tinha visto ele armado, já tinha visto ele planejando ataque, já tinha visto ele fugindo de helicóptero, já tinha visto ele furioso depois de perder amigo. Mas nunca, nunca eu tinha visto ele daquele jeito: com a adrenalina presa no corpo, o olhar atento a cada telhado, cada sombra, cada porta entreaberta, como se a cadeia tivesse grudado nele e não quisesse soltar. Ele tava sentado no banco do carro, respirando fundo, estalando o pescoço, com a mão apertando minha coxa como se precisasse confirmar que era real. E eu? Eu tava ali do lado, com o coração igual tambor, mas tentando parecer calma por ele. Quando o carro virou na nossa rua, o Nariz abaixou o volume do rádio e falou sem olhar pra trás: — Já vou mandar visão pra cima.

