Capítulo 76

1226 Palavras

Felipe/ brinquedo narrando Eu fui. Quando o trecho de água finalmente acabou e voltei a sentir barro seco, eu soltei um suspiro tão fundo que parecia choro. Não dava pra parar, mas aquela respirada foi a primeira sensação de vitória que eu tive no caminho. A gente seguiu. Lá na frente, pela primeira vez, entrou um arzinho diferente. Mais fresco, mais vivo. Não era o ar podre da cadeia. Não era o bafo quente do túnel. Era outro cheiro. Um cheiro que eu conhecia de longe: cheiro de rua. Cheiro de mato misturado com fumaça, de lixo misturado com vento de favela. Gericinó. O presídio ficava ali no complexo, e o túnel tinha sido cavado na malícia pra achar a boca de uma área de favela próxima, uma quebrada que encostava por trás de tudo, colada nas muralhas. A ideia era sair num barranc

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