Capítulo 69

2172 Palavras

Nariz narrando O sol nem tinha subido direito quando eu cheguei perto da quadra onde iam velar o corpo do Tiriça, e a favela inteira já estava num vai-e-vem pesado de gente calada, de olhar perdido, de respeito no silêncio. O amanhecer parecia mais pesado que a madrugada, como se o morro tivesse decidido engolir o próprio luto e transformar em vigilância. Eu parei o carro num canto escondido, porque eu não queria aparecer chegando mancando, com a perna dura e a cintura latejando, e porque eu sabia que tinha olho demais em cima de mim. Quando desci, senti o vento gelado bater na pele e quase achei que esse vento conseguia atravessar o cheiro de vela, o cheiro de sangue seco e o cheiro de pólvora que ainda pairava no ar. Eu m*l tinha dado cinco passos na direção do portão quando o Johnny

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