Capítulo 68

1482 Palavras

Nariz narrando A noite caiu pesada na favela, daquele jeito sombrio que não é só escuridão, é aviso, é silêncio ruidoso, é aquela sensação de que o morro inteiro respira mais curto quando perde seu dono, e eu senti isso desde o minuto em que a luz apagou na primeira viela. O rádio chiava sem parar, a conversa dos vapores vinha embolada, todo mundo querendo mostrar serviço pra impressionar o Johnny, que se auto-elegeu chefe mas não deu as caras desde que encerrou aquele teatro nojento em cima do corpo do Tiriça. E eu, ainda com a perna latejando por baixo da calça larga, cintura queimando de leve a cada vez que eu respirava fundo, fiquei dentro do meu carro, com o motor ligado, fazendo ronda de uma ponta à outra da favela, porque depois que o Tiriça desceu pra terra, ninguém ali tinha ma

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