Foi nesse momento que Rodolfo apareceu na porta da cozinha, vindo buscar um copo d’água. Parou ao ver a cena. A mulher de costas, enrolando a massa com precisão, rindo baixinho de um comentário de dona Isadora. Era como se estivesse em casa — mais do que jamais estivera. Ele ficou parado por um instante, observando, o copo ainda vazio na mão. O jeito dela misturar os ingredientes, o sorriso sincero, a facilidade nos gestos. Aquela não era a Isabela que ele conhecia. A que ele conhecia reclamava do cheiro de comida, dizia que a cozinha não era lugar pra ela, que detestava farinha nas mãos. Isabele nem notou que era observada. Estava envolvida na massa, na conversa, em si mesma. Ela gostava de cozinhar, de inventar receitas novas — e, ali, naquele instante, parecia genuinamente feliz. Isa

