Isabele passou os últimos dois dias pelos cantos da casa, calada, como se sua presença fosse feita de sombra e silêncio. Evitava os olhares, os gestos, até mesmo as palavras. Não era tristeza comum — era um recolhimento dolorido, como quem precisa se esconder dentro da própria pele pra aguentar. Gostava de acompanhar dona Isadora na cozinha, aprender as receitas simples com aquele carinho que a senhora imprimia em cada prato e também compartilhar as muitas que sabia. Mas, depois que Rodolfo contou o que havia acontecido na cidade, dona Isadora apenas a observou em silêncio e, com sabedoria, deu-lhe espaço. A casa, geralmente viva com vozes e cheiros, estava quieta demais. Isabele andava devagar pelos cômodos, os dedos roçando nas beiradas das portas, os olhos sempre baixos. Como quem bus

