Dylan
Antigamente, os longos banhos eram minha escolha para lavar as merdas do dia. Mas isso foi antes de eu receber o tipo de notícia que faz você repensar tudo. Saúde é riqueza? Sim, aprendi isso recentemente e forma mais dolorosa.
Aperto a mandíbula enquanto a água escaldante bate nas minhas costas, deixando minha pele com um tom de vermelho que grita por misericórdia. Eu aqueço mais.
A música pulsa no som surround, o baixo pulsante vibrando os azulejos como uma batida de coração. As palavras daquele maldito médico continuam repetindo na minha cabeça, não importa o quão alto eu aumente o volume.
— Cada caso é único — disse ele. — Não podemos prever como isso irá progredir. Tudo o que podemos fazer é tentar administrar.
Geralmente sou excepcional em manter minhas emoções sob controle. Como quando uma cobra que trabalha conosco há anos me apunhala pelas costas – sim, fico chateado, mas depois sigo em frente. Não adianta ficar pensando nisso. O mesmo vale para a imprensa r**m – aceite com calma e recalibre.
Mas este aparente diagnóstico... isso veio do nada. Território desconhecido. Eu não lido com incógnitas com muita elegância.
O engraçado é que sempre pensei que meus maiores medos fossem sobre meu negócio afundar ou algo acontecendo com minha família – Meus pais, meus irmãos. Mas agora há um novo terror na cidade: meu próprio corpo se voltando contra mim.
A ironia não passou despercebida para mim. Passei todos aqueles anos, aos vinte e poucos anos, pensando que era invencível, festejando sem parar e ultrapassando todos os limites sem parar.
Sem ligar para o mundo. Agora, parece que meu corpo está cobrando dívidas, vingança por cada noite selvagem e decisão imprudente.
Passo os dedos pelo cabelo, enxaguando a última espuma. Se essa porcaria de diagnóstico não estivesse pairando sobre minha cabeça, eu já teria caçado aquela ladrazinha sorrateira.
Tenho tolerância zero com mentirosos. Não foi uma conexão aleatória. Ela apenas teve sorte porque eu estava muito bêbado para ver as bandeiras vermelhas.
Meus rapazes vão encontrá-la, é só uma questão de tempo. E quando fizerem...
bem, ainda não decidi como vou lidar com ela.
Parte de mim quer lhe ensinar uma lição difícil por causa daquele ato que ela fez. Dobrá-la sobre meus joelhos e bater naquela b***a empinada até que ela grite desculpas. Então chama a polícia para levá-la embora.
Mas ela já tomou bastante do meu tempo. É por isso que me irrita que ela ainda esteja em minha mente.
Especialmente aqui no chuveiro particular do meu escritório.
Com um gemido profundo e frustrado, agarro meu p*u latejante. A ideia de puni-la me deixa tão duro.
Com uma mão apoiada na parede de azulejos, eu me acaricio com uma urgência selvagem, como um homem possuído, minha mente consumida por imagens dela se curvando na minha frente, tomando cada centímetro de mim.
Eu sou um cara i****a - sempre fui. E ela tem uma b***a que foi construída para bater e saltar para cima e para baixo no meu p*u. Gostosa pra c*****o.
Deus, o jeito que ela gemia, sua voz rouca e sem fôlego enquanto eu batia em sua b****a apertada, agarrando seus quadris e deixando marcas em seu corpo.
Com um grunhido final, eu g**o forte e rápido, derramando meu líquido no ralo.
Maldita seja essa mulher.
Desligo a água com um golpe irritado e me enxugo com força. Isso apenas machucou meu ego. Eu realmente não dou a mínima para a ladra ou o carro. Ambos são distrações do que realmente importa.
Estou meio vestido, vestindo minha calça preta, quando meus irmão Kyle entra furioso como se fosse o dono do lugar, todo elegante em seu smoking e irradiando aquele pós-brilho de férias que uma semana no Havaí com sua esposa pode proporcionar. Sua alegria é quase ofensiva.
— Já ouviu falar em bater, cara? — Eu digo, sem me preocupar em levantar o olhar enquanto luto com meu cinto. — Poderia estar nu aqui.
Kyle se recosta na poltrona de couro.
— Tragicamente, irmãozinho, suas bolas não são nada que eu não tenha visto antes. Agora veja essa p***a aqui. — Ele balança o celular na minha frente.
É uma foto, de um casal se beijando em frente a um banheiro. p***a.
— Esse c*****o sou eu? — grito, pegando o celular da mão dele.
— Sim, e está em todos os sites de fofocas.
— Mas que p***a. O Mark não estava mentindo sobre isso.
— Mentido sobre o que?
— Não é nada. — Entrego o celular para ele. — Eu vou falar com meu assessor.
— Tudo bem, mas tente remediar isso antes que papai saiba.
Merda, ainda tem isso. Esse problema só está escalando por causa daquela ladra.
Puxo minha camisa com força suficiente para rasgá-la ao meio.
— Vejo que seu bom humor não melhorou.
— Se eu não tivesse que comparecer a isso, eu estaria bem — resmungo, atrapalhando-me com os botões da minha camisa.
Somos esperados nesta enorme festa de gala de caridade no nosso principal clube no centro da cidade. Fazer sala para ricaços não é como quero passar a noite, mas o dever chama. Chefes de estado, políticos estrangeiros, celebridades de primeira linha, magnatas podres de ricos – todos amontoados em uma sala. A segurança é rígida, com escolta policial, detectores de metal e franco-atiradores no telhado.
Ele me dá aquele olhar característico estilo Kyle que alivia o problema.
— Então você vai me contar o que está acontecendo com você? E não me venha com essa porcaria de “nada”, ou vou te dar uma chave de braço. Eu ainda sou mais forte que você.
— Está tudo bem — eu dispenso rispidamente, evitando seus olhos enquanto luto com minha gravata borboleta. Dizer meu problema em voz alta o torna mais real. Como abrir uma lata de minhocas sem ter como enfiá-las de volta.
— Você é um péssimo mentiroso, Dylan. O que está acontecendo? — Eu faço uma careta. Preciso de uma distração para despistá-lo.
Houve um tempo, nos meus vinte anos, em que Kyle me forçou a fazer uma pausa prolongada em nossos negócios. Eu estava fora dos trilhos, festejando como um louco e deixando isso atrapalhar meu trabalho. E ele estava certo. Levei meses para perceber isso.
Mas não posso contar esse problema a ele até resolvê-lo. Por mais que ele seja meu irmão e protegemos um ao outro, ele é um empresário.
Ele vai se certificar de que estou bem, mas isso pode significar parar de trabalhar. E isso não vai acontecer, p***a.
Poderia muito bem tornar a ladra útil.
— Você quer saber o que está me irritando? Fui enganado por uma garota no bar do clube. A garota na foto.
Sua expressão muda para confusão.
— O que aconteceu?
— Eu estava com essa morena arrasadora no banheiro. Depois disso, meu carro novo sumiu. Ela roubou minhas chaves enquanto eu estava... distraído.
— O Porshe personalizado?
— É esse mesmo.
Ele faz uma pausa, parecendo estar tentando decidir entre rir ou colocar algum juízo em mim.
— Meu Deus, Dylan. Essa onda de autodestruição em que você anda... Você atingiu a crise da meia-idade cedo ou é apenas o seu ego?
— Pare com essa palestra — resmungo. — Já estou irritado o suficiente. — Seus olhos se voltam para meu notebook aberto. Ele o coloca no colo, suas sobrancelhas elevando. — Achei que encontraria você mergulhado até o pescoço em algum entretenimelnto adulto, não...
O que é isso? Procurando por uma condição ocular que deixa os olhos de tons diferentes? — A mulher... ela tinha um olho azul e um castanho. Nunca vi qualquer coisa parecida.
— Huh. Soa estranho.
— Era bonito — murmuro antes que eu possa me conter.
Eu me pergunto se seus filhos herdariam aqueles olhos encantadores. Afasto o pensamento, com repulsa pelos meus próprios pensamentos errantes.
Kyle se reclina, um sorriso malicioso brincando em seus lábios enquanto observa meu desconforto.
— E você se sentiu inclinado a pesquisar sua rara condição ocular porque...?
— Para com isso. — Eu o afasto, lutando com minhas abotoaduras.
— Parece que ela causou uma grande impressão em você.
— Porque ela roubou meu maldito carro — respondo, puxando meu notebook de volta, entrando em pânico discreto ao vê-lo vislumbrar minhas outras guias do navegador.
Aqueles olhos incompatíveis – azuis e castanhos como um pedaço de natureza selvagem intocada – invadem meus pensamentos novamente. Por alguma razão estúpida, ainda tenho o xale dela. E num momento de estupidez ainda maior, me peguei sentindo o cheiro nele.
— Papai, vai ficar furioso se você deixar a Marcely.
— Por que eu iria deixá-la?
— Bom, essa relação aberta de vocês é bem estranha. Você transando com várias mulheres e ela... bom, eu não sei.
— A Marcely é uma mulher que sabe o que quer, e eu admiro isso nela. É por isso que somos compatíveis. E ninguém tem nada a ver com nosso tipo de relação.
Kyle levanta as mãos fingindo se render, mas aquele maldito sorriso nunca desaparece.
— Não há necessidade de ficar irritado.
— Vamos acabar logo com isso — murmuro, vestindo o paletó do meu smoking.
— Relaxe, está bem? Eu preciso de você afiado e pronto para esta noite, não que fique de mau humor e esgote nossas reservas de bebidas alcoólicas.
Solto um grunhido áspero, passando as mãos pelos cabelos ainda molhados.
— Ok. Vou ser gentil com Madison, rir de suas tentativas patéticas de piadas e ser direto. Custe o que custar.
Charles Madison, o mais novo senador, nosso novo cavaleiro vestido com um traje poderoso e um distintivo da bandeira americana. Se quisermos realmente colocar o nome Evans nas próximas eleições, precisamos desse cara.
Então, esta noite, vou usar o charme a todo vapor, enquanto tento não me distrair com aqueles dentes de cavalo dele.
— E a filha dele estará lá — Kyle acrescenta. — Tente não irritá-la como costuma fazer.
Reviro os olhos. Ah, sim, a filha virtuosa concorrendo ao Miss Mundo. Só conheço esse detalhe fascinante porque ela é o tema quente entre os funcionários da recepção.
Ok, talvez eu me divirta ao ver o quanto consigo fazer a filhinha do papai corar com algumas insinuações bem colocadas e uma pitada daquele infame charme dos Evans. Apenas um pouco de diversão inofensiva para quebrar a monotonia.
Ah, mas a Marcely estará lá. Não posso flertar com mulheres na frente dela.
Droga.
— Não se preocupe, vou tentar manter meu charme sob controle perto da filhinha de Madison — digo com falsa sinceridade, colocando a mão sobre o coração. “
— Mesmo que nós dois saibamos que ela secretamente adora.
Kyle me lança um olhar irritado.
— Estou falando sério, Dylan. Nada de brincar de Casanova.
Ele está exagerando, mas a verdade é que a ideia de mais uma noite de flerte vazio e fingimento é simplesmente exaustivo. Ele não precisa se preocupar; Não estou com disposição para nada disso.
Há uma parte de mim, talvez uma parte escondida e mais silenciosa, que se pergunta como teria sido a vida se eu tivesse seguido um caminho diferente. Como aquele curso de eletricista que uma vez estudei no ensino médio. Uma vida menos complicada, apenas trabalhando duro e sujando as mãos sem toda essa besteira. Mas não foi assim que aconteceu.
Esta é a minha realidade.
Esta noite não é diferente. Desempenharei o papel que se espera de mim e nada me desviará do caminho em que estou.
Não vou deixar nada nem ninguém me mudar.