12:10 h — Chegando em casa.
Acabo de chegar abarrotada de sacolas de compras. Doutor Vicent me deu dinheiro, uma boa quantia para que comprasse roupas novas. Mamãe está até agora me olhando de maneira esquisita, provavelmente achando que eu sou uma p********a*. E talvez eu pensaria como ela se no novo emprego da minha filha o chefe a chamasse para jantar e depois lhe desse dinheiro para ir ao shopping.
Ok, não foi nessa ordem, mas mamãe não sabe disso.
"Filha, agora eu entendi tudo" Mamãe entrou pelo quarto e vasculhou as sacolas, curiosa.
"Entendeu o que?"
Ai, Deus, lá vem...
"Você não é prostituta..." Falou enquanto erguia um dos vestidos no alto para avaliar.
"É, mãe, eu tentei dizer isso ontem".
Mamãe parecia maravilhada com o tecido da roupa.
"Ah, filha, hoje eles dão outro nome para o que você faz. Eu vi no i********:* junto com seu pai."
Minha cara de b***a* devia ser ótima. Não viria coisa boa dali. Talvez eu devesse confiscar o celular dos meus pais. Tecnologias podem ser danosas em algumas faixas etárias.
"Não faço a menor ideia de aonde quer chegar, mãe!" Disse me levantando para começar a guardar as coisas que comprei.
"Ah, filha. Você não é p********a*. Agora o certo é dizer “profissional do s**o*” não é?? Tipo, esse médico é seu Sugar Daddy."
Bem, mamãe havia errado de novo. Mas acho que ser uma sugar baby soa melhor que p********a*.
"Não, mãe. A senhora tá viajando de novo. A senhora e o papai precisam dar um tempo com as redes sociais."
"Liliana, não seja careta. Olha, eu sei que não tem nada a ver com prostituição*. Você sai com esse médico rico e ele te dá mimos. Mas use p**********o*, ok? Apesar de dizerem que não necessariamente exista s**o* nesse tipo de r*****o*."
Suspirei alto para ver se mamãe parava de falar.
"Ok, mãe. Eu não vou mais repetir para a senhora que sou assistente de um médico que desdenha da minha roupa e dos meus modos. Que vive sendo hostil* comigo... Você e papai, acreditem no que quiserem."
"Ah então é tipo um fetiche*. Ele te humilha* por que tem d****o* nisso..."
Mamãe havia passado de todos os limites de sanidade.
Demência senil existe antes dos quarenta?
12:56 h — Deitada na minha cama com o ventilador de teto girando rápido sobre a minha cabeça. Gulliver está empoleirado no batente da janela olhando o movimento na rua. Gato fofoqueiro!!!
Então meu celular vibrou sobre a escrivaninha. Meu estômago se retorceu ao ver o número do doutor Vicent.
"Alô?".
Vicent tinha uma respiração pesada do outro lado da linha.
"Onde. Você. Está.?" Ele parecia bravo e falou pausadamente, tomando ar, como para se controlar devido a alguma raiva.
"Eu...Eu.. F-fui c-comprar as roupas que me m-mandou." Gaguejei sem parar.
Ele ainda respirava de maneira pesada.
"Esteja aqui antes da 13:30 h. Os médicos residentes que eu oriento virão para a admissão do período e preciso que organize uma sala para a reunião. Não se atrase... Quero dizer, venha, porque atrasada você já está".
E antes que pudesse me justificar, aquele cretino desligou o celular na minha cara.