Continuação do jantar. Desculpa, diário, precisei pegar uma coquinha gelada. Estava com sede. Papai diz que coca cola cria buraco no estômago. Mas acho que criou foi no meu cérebro por ter me sujeitado a esse emprego.
LISTA DE COISAS QUE EU PODERIA TER DITO AO MEU CHEFE SE ELE NSO TIVESSE TAPADO MINHA BOCA COM COMIDA.
1. Seu brocha. Hum, definitivamente ele não parece ser brocha. Mas acho que ia ferir o ego masculino frágil dele.
2. Riquinho e filhinho da mamãe. Uhum, isso ele parece ser sim, com toda certeza. Mas acho que não iria irritá-lo tanto quanto “o brocha”.
3. Não é por que você é gato, rico e tem as conchas grossas feito um tronco de árvore que pode sair destratando as pessoas. Certo, isso foi estranho até para mim. Deixa eu riscar.
4. Vai se ferrar você é essa sua gente, doutor Vicent Hacker. Simples e libertador.
Onde eu parei mesmo?
Ah, é, Doutor Vicent colocou um pastel na minha boca para que eu parasse de falar. Afff!
Após passar esse início tenso, a comida chegou. Mas foi pior que o papo estressante do começo. Eu só reparei na quantidade de talheres quando olhei para a mesa finalmente. Era um restaurante de luxo. Eu não fazia ideia de como usar aquela tralha toda para comer. Eu nem imaginava aquilo na minha noite. Estava preparada apenas para comer pipoca e ver filme e não decidir com qual tipo de talher ia degustar uma lagosta.
"Não vai comer, querida?" Disse a senhora da ponta.
"Er... Bem, eu estou de jejum..."
Todos me olharam e se fez um silêncio. Eu engoli em seco
"Ah, não se importem... É uma maneira de me disciplinar e purificar" Cale a boca, Liliana, cale a m***a dessa sua boca, garota. Pensava.
"Ah, você segue algum desses gurus da modernidade???"
A senhora do meio sorriu o que me fez relaxar e acho que a Vicent também
"Isso, tipo isso. Mas não posso ficar falando muito a respeito. Eles consideram o silêncio e a discrição como coisas sagradas..."
Acho que nessa desculpa havia me saído bem.
"Claro, claro. Mas uma pena, por que essa lagosta está uma delícia..." emendou a mesma mulher.
Após o jantar, fiquei junto das mulheres e os homens se aglomeraram na outra ponta do bar que havia no restaurante, para discutir negócios. Um machismo chato e tedioso. Mas estava com poucas opções para militar ali. Acho que você se sente mais acuada quando precisa manter seu emprego.
Então algo esquisito aconteceu, diário. Enquanto as mulheres conversavam e falavam, eu olhei para dr Hacker. Ele sorria na conversa amistosa que mantinha com os sócios investidores, descontraído. Estava elegante com seu terno social preto. Esse filho da mãe é definitivamente bonito e charmoso. Só que enquanto eu o olhava feito uma tonta, ele voltou o rosto em minha direção e perdeu o riso. Em vez de fingir que não era para ele que eu olhava, não! Eu fiquei travada. Aí dr Hacker esticou os lábios com um riso singelo e ergueu sua taça em minha direção. Como se me saudasse em um brinde ou agradecesse. Eu assenti, já completamente desmontada.
Olha, diario. Acho que algo muito sinistro tá pra acontecer. Por que eu eu tô aqui no meu quarto olhando para o pôster do Harry Styles sem camisa e juro que em alguns momentos eu vi o rosto do doutor Hacker.
00:37 h— Acabaram de buzinar na porta de casa e ninguém atende a m***a dessa porta. Eu que vou ter que atender!
What a funk*??????????
Diário do céu! O motorista do dr Hacker acabou de passar aqui e me deixou um envelope com dinheiro. Disse que era o pagamento pelos meu honorários no jantar de hoje.
Enquanto eu voltava para dentro de casa enxotando Gulliver para longe da porta, mamãe surgiu pela cozinha e ficou me olhando com o rolo de dinheiro nas mãos!
Ela sorriu, como se dissesse "Eu sabia, Liliana".
“Eu não sou p********a, mãe. Não fica me olhando com essa cara!”
“Sugar baby, filha. Eu sei que as coisas mudaram”
A única coisa que consegui fazer foi suspirar para a minha mãe e voltar pro quarto.
Me fala uma coisa: qual o problema daquele médico com pix? Precisa mandar dinheiro vivo??? Agora mamãe acha de verdade que eu sou uma p********a*. Ou sugarbaby sei lá.