Capítulo 4 - Alexandre

3086 Palavras
Contei toda a história de Alice a Thiago; como ela estava chorando, as marcas em seu corpo e quando conversamos pelo celular e ela desligou na minha cara. Thiago ficou impressionado com tudo o que contei a ele. -           Cara, como ela ainda não mandou esse i****a para a cadeia? Ele tem p*u de mel? Eles têm filhos juntos? Mesmo que tivesse, não era motivo para aliviar a barra dele. -           Não, eles não têm filhos. Pelo menos é o que acho. – Fiz uma pausa e meu pensamento voou longe. – Você acha uma boa ideia ligar para Simone ou não? Dele deve estar muito chateada comigo. Deixei-a aqui e corri atrás de outra, que tem outro. Eu estaria muito puto no lugar dela. -           Liga, ora. Dos males, o menor. Você já tomou esporro hoje mesmo... um a mais ou a menos não faz diferença. Belo conselho. Preciso avaliar melhor as minhas amizades. Peguei o celular e liguei para Simone que atendeu no segundo toque: -           Alô? -           Simone? Oi é o Alexandre. Queria saber se você está a fim de sair comigo hoje. Thiago e Daniela também estarão conosco. Queria me desculpar pela grosseria de hoje a tarde. – Fiz uma breve pausa e continuei. – Então, o que acha? -           Não sei... estou um pouco ocupada, sabe? -           Ah, é? Ocupada com o quê? Que tipo de coisas uma garota de vinte e um anos pode estar fazendo em um sábado à noite? Vem! Vai ser muito bom. -           Estou fazendo muitos nadas no momento, super importantes sabe? – Disse ela rindo. -           Isso é um sim? -           Vamos para onde? -           Espera... vou perguntar ao Thiago. – Tirei o telefone de perto da boca e falei com ele. – Vamos para onde? -           Tá rolando um evento na Ponta n***a e é excelente. Diz para ela ir com roupa leve e chinelo mesmo, nada vestidos justíssimos ou desconfortável. – Respondeu Thiago. -           Ponta n***a. Está acontecendo um evento na praia. – Falei para Simone. -           Adoro! Os eventos na Ponta n***a são ótimos e o local é lindo! Vou me arrumar e daqui há uns quarenta minutos vou para aí. -           Perfeito.  – Respondi e desliguei o celular. -           E aí, ela vai? – Perguntou Thiago. -           Sim. Vem para cá em quarenta minutos. – Respondi. -           Vê se pega ela, dessa vez, né, mano? Por favor! Se você não pegar, pego eu. Ela é gata e tá a fim de você. Tenta esquecer essa Alice por hoje e divirta-se. Você precisa t*****r. -           Tudo bem. Não vou pensar na Alice e vou pegar a Simone. Prometo. Palavra de escoteiro. *** Mais ou menos uma hora depois, Thiago, Daniela e eu já estávamos prontos, aguardando Simone chegar. O interfone tocou e autorizei a subida dela que não demorou a chegar ao apartamento. A recebi com carinho, com um beijo gostoso. -           Nossa! Que recepção inesperada. – Ela disse toda cheia de malicia. *** -           Todos prontos? - Thiago perguntou. – Já posso chamar o Uber? -           Pode chamar. – Respondi, puxando Simone para perto de mim. Não demorou muito até o motorista chegar. Optamos por ir de Uber já que tinha sido um dia daqueles em que bebemos bastante e a previsão era que bebêssemos mais ainda, não era pudente dirigir nessas condições. Chegamos à Ponta n***a que já estava apinhada de gente. Acontecia um show de uma banda local no anfiteatro. Assim que saímos do carro, tratei logo de segurar Simone pela mão, o que a deixou bastante confortável; eu precisava preparar território depois da merda que fiz mais cedo e não correr o risco de sentir a fúria de uma mulher. Deus me livre! Ela sussurrou em meu ouvido: - Agora você não me escapa! Me deixou na mão mais cedo, mas vai terminar sua noite no meio das minhas pernas! – Falou e mordeu o lábio. Não teve o mesmo efeito que Alice provoca, mas mesmo assim foi muito sexy. Uau! – Pensei. A puxei e a beijei ali mesmo e ela retribuiu. - Vocês precisam de um motel. – Thiago zombou. O beijo me deixou muito e******o e Simone percebeu soltando um gemidinho na minha boca. -           Acho que preciso ir ao banheiro agora. – Comentei quando ela me soltou e pude perceber um sorriso malicioso em seus lábios. - Isso é pelo que você fez comigo hoje a tarde. Agora controle-se. Temos uma noite para aproveitar com nossos amigos. Apesar de Simone ser muito bonita e ter um corpo muito sensual, eu não conseguia me conectar a ela. Me sentia um canalha por estar encenando ali. Minha cabeça estava em Alice e a preocupação só aumentava a cada minuto que passava. Caminhamos em direção ao local onde estava acontecendo o evento. Havia muita gente; muita mulher bonita e a música já rolava solta. Thiago tratou logo de encontrar uma barraca que tivesse bebida para suprir a sua necessidade incontrolável por álcool. Thiago me puxou pelo braço, me desvencilhando de Simone e falou: -           Cara, não me decepciona. A Simone tá na tua e não é segredo nenhum. V~E se não vacila, parceiro. Você precisa t*****r. Foco, cara. Foco! Deixa para se preocupar com Alice a partir de amanhã, certo? - Certo. – Concordei. -           Certeza? – Insistiu ele. -           Já falei que sim. – Olhei pra Simone que também me olhava e completei – Relaxa, Thiago. – E caminhei até Simone pegando em sua cintura e beijando intensamente na boca. -           Ok, cerveja. – Disse Thiago indo em direção a barraca de bebidas. O foco essa noite era Simone e não Alice. *** Simone havia saído para ir ao banheiro já tinha mais de meia hora. Fiquei me perguntando se ela se perdeu e não encontrou o caminho de volta. Vez ou outra o Thiago e Daniela também somem e me deixam aqui, sozinho. Já disse que preciso rever as minhas amizades urgentemente. Já passava das três da madrugada e pelo que sei, não saí do lugar onde paramos quando chegamos; não bebi muito, mas a minha cabeça as vezes me confundia. Talvez fosse o resultado de todo o álcool consumido no dia, sei lá... Ao redor comecei a notar os comportamentos estranhos dos bêbados. Ri sozinho de alguns e me assustei com outros. Agradeci por ainda não ter chego a este nível e conseguir manter a sobriedade, mesmo tendo um amigo “pé de cana” como Thiago. De repente um pensamento surgiu: Como será que Alice está? Prometi não pensar nela em respeito à Simone e ao meu quase celibato que já dura quase oito meses. Simone é gostosa, tem um beijo delicioso e não posso trair a sua confiança; preciso manter o foco como prometi. A questão é: onde está Simone? Ela sumiu e não faço a menor ideia de onde começar a procura-la nesse mar de gente. Fico na dúvida se vou procura-la ou não; se for, corre o risco de ela retornar, não me encontrar aqui e sair novamente a minha procura. A pior parte é que a ausência de Simone abriu margem para pensar e me preocupar com Alice e foi nessa hora que me confundi se estava realmente bêbado ou não. Talvez eu achasse que não estava ou realmente não estava, mas como sou inclinado a fazer bobagem, peguei o celular e liguei para Alice. É óbvio que ela não atendeu; estava dormindo àquela hora da madrugada. Como se não bastasse o constrangimento de ligar em plena madrugada, achei que seria uma boa ideia aparecer na casa de Alice, assim, do nada. E foi o que fiz. Já que todos me abandonaram aqui, vou procurar o que fazer. Thiago e Daniela foram não para onde e Simone tomou chá de sumiço. Por que não ir à casa de Alice? Naquela multidão seria difícil conseguir chamar um uber então decidi pegar um taxi mesmo e expliquei, me atrapalhando vez ou outra porque meu raciocínio estava muito confuso, o endereço de Alice. O endereço era fácil e não demoramos a chegar até sua casa. Assim que paramos, percebi que não era uma boa ideia. Fiquei ali, parado, ainda dentro do taxi, olhando para a casa dela, pensando em desistir e seguir viagem até meu apartamento. Depois eu daria uma desculpa qualquer a Thiago e às meninas. - O senhor vai descer aqui? – O taxista perguntou gentilmente. - Não, não. Vamos embora. - Qual o destino, senhor. Neste momento vi Alice saindo de casa, batendo o portão com força e xingando algo que não deu para entender, mas ela parecia bem aborrecida. - Não... espera um pouco. – Desci do taxi. – Alice, o que tá acontecendo? – Ela se assustou quando me viu. - Alexandre? O que faz aqui a uma hora dessas? – Sua expressão era de puro terror. – Você está de espionando? Você é louco? Aquilo era realmente muito estranho e sem explicação. Eu mesmo me questionei o que estava fazendo ali naquele momento; me senti um stalker. - Calma... eu posso explicar. Não é nada do que você está pensando. Acabei de chegar. – O nervosismo evidente em minha voz. – Liguei e você não atendeu. Estava preocupado. - Não precisava vir até aqui. Não podia esperar até amanhã, por exemplo? Estou bem. - Você não atendeu ao celular... - Sim... Miguel tomou o meu celular. - Ele está aí na sua casa? – Perguntei apontando para a residência que estava com as luzes acesas. – Onde está sua mãe? - Ela teve que fazer companhia para uma tia minha que está internada no hospital. Então pediu que o Miguel viesse dormir aqui para que eu não ficasse sozinha. Percebi um machucado novo em Alice, desta vez, em seu rosto. Toquei o local e apenas meneei a cabeça. - Ele está bêbado e nervoso. Ficou com ciúmes e fez isso. Mas ele pediu desculpas. - Pedir desculpas não é o suficiente, Alice. Não entendo por que você não denuncia esse cara. Tem uma prova bem no seu rosto. Vem comigo. Nós vamos agora à uma delegacia denunciar; isso não pode continuar desse jeito. – Falei e já ia conduzi-la ao carro quando ela resistiu. - Não. Não, Alexandre. – Desvencilhou-se do meu braço e se afastou. – Será que você não entende? - Não. Eu não entendo. – Respondi. Ela me encarou friamente. - Não quero que se envolva nisso. Sei cuidar de mim. Você não pode ficar aparecendo aqui, do nada, sem avisar. - Alice, você está em perigo, será que não percebe? Me deixe tirar você daí, pelo menos por hoje. Ele pode fazer coisa pior. Você mesma disse que ele está bêbado. Comecei a perceber que não ia dar em nada, mas não podia desistir. Alice estava realmente em perigos e não consegui aceitar a minha ajuda de forma alguma. - Não posso simplesmente abandonar a minha casa e deixa-lo aí. – Falou apontando para a casa. - Então você prefere voltar para lá e correr o risco de tomar uma surra dele? Não posso deixar você aí, sozinha. Se você entrar, entro junto. – Falei, decidido. - Tudo bem. Vamos. *** Entramos no taxi e por um instante, parei e pensei qual rumo tomaríamos a partir dali. Me dei conta de que deixei Thiago, Daniela e Simone na Ponta n***a. - Que merda! - O que houve? – Alice quis saber. - Antes de vir aqui, eu estava no evento da Ponta n***a com Thiago, aquele que estava comigo na boate, lembra dele? - Sei. O que tá pegando a Melissa? - Estava. - Oi? Já terminaram? Que rápido! - Você nem imagina o quanto. Enfim... eles estão lá. Podemos ir para lá, o que acha? - Estou vestida desse jeito. – Apontou para sua roupa. - Relaxa. Você tá linda e bem a caráter. – Ela corou com o meu comentário. – Soltou o cabelo, o que disfarçou o machucado no rosto e por um instante notei que ela estava pensando se devia ir ou não. Percebendo seu impasse, intervi. - Porém, em casa tem bastante bebida e podemos pedir comida de algum restaurante que atenda vinte e quatro horas. O que acha? - Dadas as circunstancias, é a melhor opção. – Ela deu um sorriso envergonhado. - Então, vamos. - Espera! Preciso pegar meu celular e... – Ela falou e já ia abrindo a porta do carro quando interrompi. - De jeito nenhum. Você não precisa do seu celular. Sabe o numero de sua mãe de cabeça? – Ela balançou a cabeça com um sim. – Então pronto. Use o meu celular para entrar em contato com ela e dizer onde está. - Tudo bem. - Vamos. - Falei para o taxista e passei o endereço do nosso novo destino. *** Chegamos ao apartamento em poucos minutos. Deixei orientação na portaria que não autorizo ninguém a subir. Thiago vai chegar altas horas da madrugada, acompanhado de sua nova peguete e daquela que me deixou plantado na Ponta n***a e já imagino o show que vai ser. O momento pede um pouco de paz e tranquilidade. Alice está muito frágil e uma confusão neste momento só agravaria mais a situação. Assim que entramos no apartamento, ela parecida assustada, ou melhor, impressionada: - Você realmente mora aqui? - Gostei do lugar. Bem clean! Não pude evitar e dei uma risada da forma com ela falou. - É confortável e também fica perto de tudo o que eu preciso: da universidade, da casa de minha mãe, fica próximo aos shoppings... - E esse tanto de bebida? Você bebe tanto assim? – Ela questionou apontando para o monte de cerveja que tinha empilhada ao lado do balcão da cozinha. - Ah... isso é coisa do Thiago. E antes que você me pergunte: Não, ele não mora aqui, mas nos últimos dias se estabeleceu aqui como se morasse. - Você o conhece há muito tempo? - Desde a faculdade. No total, acredito que quase vinte anos de amizade. Ele é como um irmão para mim. - Entendo. – Fez uma pausa e continuou. – Ele vem para cá hoje? - Talvez. Por isso pedi que o porteiro não autorizasse a entrada de ninguém. A essa altura, Thiago está mais do que bêbado e vai querer continuar sua festinha aqui. Não quero problemas com os demais condôminos. Se você quiser, tem cerveja gelada na geladeira. - Quero sim, obrigada. - Fique a vontade. Vou tomar um banho para tirar esse cheiro de suor, cigarro e bebida. Já volto. Tomei um banho demorado, tentando organizar os pensamentos. Alice estava ali, a poucos metros de distância, no outro cômodo. O efeito da bebida já havia passado e os pensamentos já estavam clareando; parei para pensar no risco que corri. A ida até a casa de Alice poderia ter dado muito errado e eu ter terminado a noite na cadeia por estar incomodando uma aluna minha. Voltei para a sala e encontrei Alice no sofá, procurando algo para assistir. - Cheguei. – Falei para atrair a sua atenção. - Desculpa. Estava entediada e por isso liguei a TV. - Não precisa pedir desculpas. Falei que era para ficar a vontade e isso inclui ligar a TV se quiser. - Não consigo escolher nada. Posso fumar um cigarro? - Claro. – Ela caminhou até a varanda, acendeu um cigarro e sentou na cadeira que estava lá fora. Estava agitada com o semblante preocupado. – Você deve estar exausta. Se quiser tomar um banho e dormir, fica a vontade. - Obrigada. Vou sim. Assim que terminar o cigarro. - O dia foi muito longo e agitado. - Demais. – Ela respondeu, baixando a vista e apagando o cigarro. – Onde é o banheiro. - Vou te mostrar o restante do apartamento. Segui mostrando onde era o banheiro e o quarto onde ela iria dormir. Separei uma roupa de cama limpa, toalha e uma camisa de algodão, caso ela quisesse dormir mais confortavelmente. Claro que não tenho roupas de mulher em meu apartamento, então tive de pegar uma de minhas camisetas de algodão. Ela não se incomodou, apenas agradeceu. -           Qualquer coisa, o meu quarto é aqui ao lado. Pode bater. Não hesite em me chamar. - Falei -           Pode deixa, Alexandre. – Disse ela sorrindo lindamente. – E obrigada por tudo. Fui para o meu quarto, deixei a porta destrancada, liguei o ar condicionado. Troquei a roupa de cama devido aos acontecimentos de mais cedo. Deitei confortavelmente e logo peguei no sono. Fui despertado pela voz suave de Alice, me chamando. -           Alexandre? -           Sim?  – Respondi e já sentei na cama. – Ela usava a camisa que separei para ela e calcinha. – Precisa de algo? – Tentei não gaguejar. -           Posso dormir aqui, com você? Não consigo dormir sozinha. O nome disso é estresse pós traumático. É a reação da nossa mente após algum grande trauma. - Claro que pode. Tem bastante espaço para nós dois. – Afastei abrindo espaço para ela deitar. – Deite aqui. -           Tem certeza que não tem problema? -           A cama é enorme, Alice. Tenho certeza sim. Ela correu parecendo uma criança e se enfiou em baixo do edredom. -           Na verdade, vou confessar – Disse ela. – Só vim para cá por causa do ar condicionado. -           Quem resiste a um friozinho nesse calor de Manaus? -           Verdade. – Disse ela e fez uma pausa - Alexandre? -           Oi. -           Se eu pedir para você me abraçar, vai ficar estranho? -           Você quer um abraço ou ficar abraçada? -           Dormir de conchinha. -           Não é estranho. – Sorri para ela que se aninhou junto a mim. Virou de costas para mim e eu a abracei. Ficamos ali de conchinha. Tentei controlar meus pensamentos, afinal, ela estava de calcinha, na minha cama, com a b***a empinada em minha direção. Tentei não ver maldade nisso. Eu não tinha o direito de me aproveitar da fragilidade de Alice. Estava ali para cuidar dela apenas; não vou ser hipócrita e dizer que não estava num t***o violento só por sentir o cheiro que exalava de seus cabelos. Alguns minutos depois ela estava de frente para mim. Ela deposita um beijo suave em minha bochecha e diz: -           Obrigada por tudo. Você é incrível! – Se acomodou e adormeceu. *** Caros leitores e leitoras, Siga meu perfil aqui na Dreame e siga também minhas histórias. Isso me incentiva muito a continuar escrevendo. Obrigada por lerem minhas histórias!  ***
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