Uma semana se passou e já tinha chegado o final de semana novamente. Nada de interessante ou que fugisse da rotina aconteceu durante a semana toda. Alice não retornou às aulas o que significa que não a vi mais. O ponto alto da minha semana foi a compra de novos móveis e o apartamento está ficando mais arrumado, com cara de casa mesmo.
Na universidade, Natasha continua suas investida direcionadas a mim, o que me deixa meio sem jeito; não por ela ser mais velha que eu uns vinte anos, mas por eu não ter interesse realmente. Na verdade, não me sinto disponível para ninguém além de Alice – que por sinal é proibida para mim.
Na noite anterior, Thiago esteve aqui com a morena com quem ele havia fica na noite em que fomos à boate; o nome dela era Melissa. Achei impressionante o recorde de uma semana com a mesma mulher, mas contive o comentário malicioso em respeito à ela. Tomamos vinho, jogamos conversa fora, foi uma noite muito agradável. Saíram de lá por volta de meia noite.
Quando já estava me arrumando para dormir, Chegou uma notificação no w******p, era Thiago.
“Você precisa conhecer alguém, cara. É sério. Tá parecendo aquele tiozão chato não vê graça na vida. Você precisa transar.”
“Sério que você está preocupado com a minha vida s****l?”
“Estou. Pois isso se reflete em sua vida social. Diretamente. Você anda muito m*l humorado, já percebeu?”
Ele tinha razão. Eu andava rabugento, mais que o normal.
“Não sei o que está acontecendo comigo...”
“Pois eu sei. Você está apaixonado por uma mulher que não pode ser sua. Primeiro, ela é sua aluna. Segundo, ela tem namorado. E ainda que não houvessem esses dois obstáculos, ela é totalmente diferente de você. Alice é um espírito livre. É intensa.”
“Eu? Apaixonado? Desencana, cara! Não me apaixono assim.”
“Estou fazendo as contas aqui e cheguei à conclusão que sim, está sim. Esqueceu daquela moça que você nunca viu e se apaixonou? Ou daquela outra que você beijou em uma festa e no minuto seguinte já queria ir casar em Las Vegas? Você se apaixona fácil.”
“Não estou apaixonado, Thiago.”
“Sim, está. Você precisa conhecer alguém que preencha os seus padrões. Você é um cara tranquilo, que gosta das coisas certinhas e isso não é errado. É a forma de vida que te faz feliz e está tudo bem. Falo isso para o seu bem. Você é meu irmão e eu te amo.”
Thiago só falou verdades. Exceto pela parte em que eu estou apaixonado. Isso não. Ele me conhece muito bem. Mas e agora, o que faço? O que sinto é t***o por ela. Tudo nela me convida. Me excita, me provoca. A vi poucas vezes e mesmo assim, ela me enlouquece.
Alice é o meu oposto. É intensa. Sabe o que quer. Quanto a mim, sou hesitante por natureza. Pensei bastante no que Thiago me falou e quase não consegui dormir.
***
Manaus estava simplesmente derretendo o termômetro da calçada. Marcava trinta e nove graus. A sensação térmica era de cinquenta graus. Coloquei uma bermuda e uma camiseta leve e segui para o mercado. Minha geladeira parecia um coco por dentro: só tinha água.
Thiago e eu havíamos combinado de nos encontrar lá para fazer algumas compras e decidir qual seria a do sábado. Assim que cheguei já o avistei com um carrinho cheio de bebidas – ele tá maluco se acha que vou beber tanto assim no final de semana.
- Vamos embebedar a torcida do Corinthians? – Perguntei assustado com a quantidade.
- Alexandre, segue a minha linha de raciocino... – Falou parando em pé ao meu lado e apontando para o carrinho. – Você passou quase seis anos fora, certo?
- Sim, mas...
- Cala a boca e só escuta... – Fez sinal de silencio para mim. – Um ano tem trezentos e sessenta e cinco dias. Dois anos tem... – Ele fez uma pausa como quem conta mentalmente. – f**a-se! O ponto é que você passou muitos dias e passei inúmeros finais de semana sem você e sem tomar uma com você. Agora chegou a hora da desforra e vamos descontar os atrasados.
- Ok. Isso é papo de bêbado. Você já está bêbado a uma hora dessas? Não são nem dez da manhã.
- Na verdade, não há nada como uma boa cerveja para curar a ressaca. – E abriu uma cerveja ali mesmo no corredor do supermercado.
- Ainda não tomei café.
Fomos até a lanchonete do supermercado, colocamos os carrinhos ao nosso lado e todas as pessoas que passavam por nós dava uma olhada indiscreta ao carrinho de Thiago, o segurança veio perguntar se o carrinho era nosso e se íamos levar mesmo.
- Não. Senhor. Tirei tudo das prateleiras para as bebidas darem uma volta no supermercado. – A resposta m*l criada de Thiago me fez sentir vergonha de fazer companhia a um bêbado.
- Desculpe, senhor. Sim, vamos levar. Desculpe o meu amigo. Ele já bebeu demais e o dia nem começou direi. – O homem saiu meneando a cabeça. Virei em direção a Thiago: - Se controla ou vai ficar aqui sozinho.
- Que pergunta i****a!– Ele olhou meio de lado e voltou a olhar para mim. – Você tá vendo aquelas duas ali? – Mostrou discretamente.
Apenas assenti com a cabeça. Estava comendo e parecia que eu não comia há dias.
- Então, a loira é a Daniela. Já fiquei com ela. A outra não sei quem é.
- Quem você ainda não pegou nessa cidade? – Perguntei.
- A morena gostosa que está ali com a Daniela, mas isso posso resolver. – E caminhou em direção à mesa das duas.
É por isso que mulheres reclamam que homens são tarados. As vezes Thiago se comporta com se não tivesse cérebro. Fico me perguntando o que aconteceu com a Melissa com quem ele esteve essa noite em meu apartamento. Enquanto ele atacava as moças na outra mesa, aproveitei para ligar para minha mãe e saber como estava. Thiago voltou da outra mesa todo sorridente.
- Vem comigo. – Ele falou, sentando novamente na cadeira. – A outra moça se chama Simone e ao que tudo indica, será sua aluna na universidade.
Virei em direção às duas para verificar se a conhecia, mas não lembrei de seu rosto.
- Ei, você me ouviu? – Thiago chamou minha atenção.
- O que foi?
- Estava pensando em quê? Ou melhor, em quem?
- Não viaja, cara!
- Então... a moça que falei é recém chegada de Minas Gerais, onde estudava Administração e mudou para cá e vai continuar estudando na universidade onde você dá aulas. E ela vai morar com a Daniela.
- Se ela já estudava antes, deve estar adiantada. Esqueceu que dou aula apenas para o primeiro e segundo semestres?
- Ainda não acabou... a Daniela mora no prédio do lado do seu.
- E...?
- Cara, você é muito lento e chato demais. Não conseguiu sacar nada mesmo? – Fez uma pausa dramática. As vezes o Thiago parece mulher; gosta de dar show. – Convidei as duas para beber com a gente e elas aceitaram.
- Isso no meu apartamento? Você tá querendo transformar meu apartamento em um motel, Thiago? E cadê a Melissa? Ainda ontem você a levou lá e pareciam bem felizes. Já acabou?
Ele mudou de assunto e seguimos com o plano de fazer comprar e voltar para o apartamento.
***
Era impressionante a quantidade de bebida que Thiago comprou. E a pior parte é que ele queria guardar tudo em meu apartamento sendo que não havia espaço para tudo isso; coisas de melhores amigos.
- Você sabe que não temos onde guardar essa bebida, não é? – Questionei.
- Não vamos guardar. Vamos consumir. Acho que não vai sobrar nada para amanhã.
Chegamos ao apartamento e fui logo tomar um bom banho; uma das coisas que ainda me incomodava bastante em Manaus era o calor intenso. Se bem que, as cervejas estavam ali para aplacar esse calor, mas mesmo assim, preferi tomar um banho já que estava todo suado.
Por volta das quatro horas da tarde, as moças chegaram ao apartamento e Thiago fez questão de dar as boas vindas a elas. Nem precisei mover um músculo de onde eu estava que ele mesmo se encarregou disso.
As cumprimentei e a tal Simone sentou ao meu lado no sofá enquanto Daniela ficou papeando com Thiago que já foi logo servindo as moças com cerveja geladinha.
- Você é professor do curso de Administração? – Simone perguntou a mim.
- Leciono a disciplina Cálculo e atualmente estou com as turmas de Administração e Contabilidade na universidade.
- Ah, sim... entendi. – Ela continuou olhando a TV. – Matriculei na mesma universidade em que você dá aulas e provavelmente você será meu professor. – Falou envergonhada por estar tomando cerveja no apartamento daquele que, possivelmente se tornaria seu professor em breve.
- É provável. – Respondi.
Só então olhei para ela e percebi que de perto seus s***s pareciam bem maiores. Tinha uma cintura desenhada e uma tatuagem que aparecia acima do short, na lateral da perna. Não consegui identificar o que era.
- É uma Fênix. Te mostraria, mas... – Me encarou e sorriu com malícia.
- Melhor não, né? – Falei, completamente sem graça.
- Você quer cerveja, Alexandre? – Perguntou Thiago. – Vamos beber.
- Eu não vou beber – Respondi.
Claro que ele não ligou para o que eu disse e me trouxe uma cerveja. O clima estava escaldante e pedia uma cerveja gelada; não tive como evitar.
***
Já era noite e as meninas estavam bêbadas. Eu não estava pelo simples fato de ter parado na terceira cerveja. Estava rolando um som e elas dançavam, riam muito e Thiago sentou ao meu lado e falou:
- Simone está a fim de você. E eu virei você.
- Não entendi. – Falei.
- Claro que entendeu. Houve um tempo em que você ficava a fim das mulheres e elas a fim de mim. – Ele me encarou e completou. – Agora é o contrário. – Eu ri da observação que ele fez.
Simone sentou em meu colo e beijou meu rosto.
- Você é sempre tão certinho assim. professor? – Perguntou ela.
- Não sou certinho. – Me defendi.
- Ele é muito sem graça, Simone. Não adianta. Você não vai querer ficar com ele. – Falou Thiago, tentando tirá-la do meu colo.
- Acho que ele não é tão certinho assim, quer ver só? – Ela se levantou e foi até o Ipod que estava conectado ao som e trocou de música. Daniela olhou para ela como se já soubesse o que ela ia aprontar.
Simone me puxou e pôs uma cadeira no centro da sala para que eu sentasse.
- Não! – Disse Thiago. Não entendi nada do que estava acontecendo naquele momento.
Ela aumentou o volume da música, terminou todo o seu drink no copo e começou a dançar na minha frente.
- VAI SE f***r, ALEXANDRE! – Gritou Thiago enquanto ria da minha cara.
- Vamos ver o quão certinho você é, professor Alexandre. – Sussurrou Simone em meu ouvindo.
Eu m*l podia acreditar no que estava acontecendo ali; Simone começou a rebolar em pé de costas para mim e sentou no meu colo; colocou as minhas mãos em sua cintura e me fez apertar; de repente começou a rebolar novamente em meu colo... Sou homem e meu corpo respondeu ao estímulo imediatamente.
Ela levantou, virou-se de frente para mim e sentou novamente em meu colo com uma perna de cada lado do meu corpo, com aqueles s***s enormes praticamente na minha cara. Seus movimentos se tornaram cada vez mais sensuais, subindo e descendo, esfregando em mim; provavelmente já havia notado a resposta de meu corpo. Era óbvio que ia acontecer isso; ela estava se esfregando em mim, era lógico que eu ficaria de p*u duro. Não transava há meses.
Ela se aproximou um pouco mais e disse:
- Pega na minha b***a e aperta. – Senti um arrepio correr o corpo inteiro, mas fiz o que ela me pediu. Passei a mão não sua b***a e apartei. Ouvia risadas de Daniela e Thiago, mas me concentrei no que estava acontecendo ali.
Parecia um absurdo que eu estivesse me aproveitando do momento, mas Simone estava se divertindo bastante e eu fazia o que ela pedia. Quando ela estava quase terminando o seu show, me deu um beijo ardente. Sua língua invadiu a minha boca e não tive como evitar. Aquilo tinha que parar; já estava indo longe demais. Foi quando ela parou e se levantou do meu colo, me deixando fora de órbita.
- Bom... o que posso dizer é que o professor não é tão chato assim. Ele curtiu bastante a minha performance. – Deu uma piscadela para mim e sorri completamente sem graça. Esse tipo de situação nunca tinha acontecido comigo e foi muito constrangedor para dizer o mínimo.
Não vou negar, gostei sim, mas fiquei em choque com a ousadia dela. Nunca ninguém havia dançado para mim daquele jeito ou sentado em cima de mim, com plateia. Não sou voyeur e isso me incomodou bastante. Gostei de tê-la rebolando em cima de mim e por um instante lembrei de Alice que fez o mesmo em meu carro no dia da carona.
Meu corpo inteiro estava em chamas e eu precisava urgentemente ir ao banheiro me aliviar, mas como fazer isso discretamente?
Eu ainda não tinha conseguido pronunciar uma palavra sequer. Simone voltou para o meu colo, desta vez, apenas sentou.
- Foi bom para você? – Perguntou com um sorriso malicioso em seus lábios e me deu um selinho.
- Foi intenso! – Só consegui responder isso.
- Sério? Isso é bom. – Ela disse me beijou novamente.
- Vão para o quarto. – Disse Daniela, que agora estava sentada no sofá ao lado de Thiago.
- O que acha? – Simone perguntou, cheia de esperança. – Meu cérebro dizia não por dois motivos: Primeiro, ela estava bêbada e segundo, possivelmente seria minha aluna em breve.
Meu corpo dizia sim por vários motivos: há meses não transo; Alice me provocou algumas vezes e não cheguei nem perto de tê-la só para mim; o que ela acabou de fazer comigo me deixou completamente maluco de tesão... eu precisava dela naquele momento.
Decidi fazer algo irresponsável pelo menos uma vez na vida e esquecer que talvez ela fosse minha aluna no futuro.
- Só se você prometer que não vai me chamar de professor. Isso é brochante! – Completei.
- Combinado.
***
Já estávamos quase chegando à porta do meu quarto quando Thiago gritou por mim:
- É para você. – Me estendeu o seu celular.
- Como assim? Para mim? O seu celular? – Questionei querendo saber por que alguém ligaria para mim no celular dele e não no meu, mas atendi mesmo assim. – Alô.
- Professor Alexandre?
Era ela.
Meu corpo inteiro esfriou e quase deixei o celular cair.
Sua voz estava diferente, mesmo assim, era ela. Parecia que ela estava chorando, mas por qual motivo? Não entendi nada.
- Alice? – Perguntei.
- Sou eu sim. Desculpa. Eu não queria incomodar, mas estou bem perto da sua casa. – Como ela sabe?
- Perto da minha casa? Onde? – Espera como ela sabe onde eu moro?
- Consegui seu endereço e o telefone de seu amigo com a Melissa. – Isso responde a minha dúvida. - Você poderia vir aqui agora? Preciso conversar. Queria te ver.
- Claro! Onde você está exatamente? E por que você está chorando?
- Estou no Parque dos Bilhares. Não quero te incomodar é que você é uma pessoa legal e eu queria ver pessoas legais.
- Não tem problema. Eu vou. –Simone me encarou com as mãos na cintura como quem diz “O que?”. Alice me passou o local exato em que ela estava. – Tudo bem. Chego aí em cinco minutos. – E desliguei.
- Você vai sair? – Perguntou Simone sem disfarçar a cara de frustração.
- Preciso encontrar uma amiga. Ela parece estar com problemas. Me desculpe, mas vai ficar para a próxima. – Ela olhou para mim e deu de ombros.
- Tudo bem. Entendo. – Na verdade, ela estava visivelmente brava comigo, mas eu não deixaria Alice sozinha neste momento, mesmo que eu tenha trocado sexo pela companhia de alguém que tem namorado e só me faz de bobo.
- Você vai sair? – Perguntou Thiago quando devolvi o celular. – E as meninas?
- Tenho certeza que você consegue dar conta. – Falei rindo. Peguei as minhas chaves e saí o mais rápido que pude.
Em menos de cinco minutos eu já estava no local. Caminhei um pouco apenas para conseguir encontrar Alice que estava sentada em um banco, sozinha. Quando me aproximei sentei ao seu lado e percebi que ela estava olhando fixamente para o nada.
- Ei... – Falei passando a mãos em seus cabelos – O que houve? Qual é o problema?
Ela levantou a cabeça e me olhou de lado, deu um sorriso sem graça e pude ver claramente que ela estava chorando mesmo e há muito tempo.
- Desculpa ter te chamado aqui... só queria ver o rosto de uma pessoa que não soubesse dos meus problemas.
- Não se preocupe. Quer me contar o que houve?
- Briguei com o Miguel. Ele me viu com o Ricardo e pensou que eu estava o traindo.
- Mas você me disse que não namora com ele. – Falei.
- É... mas ele não pensa assim. Me tem meio como que propriedade dele. Mesmo assim, eu não estava fazendo nada com o Ricardo. Juro! – Baixou a cabeça e voltou a chorar copiosamente.
- Você não precisa me jurar. Não chora. – Coloquei meus braços em suas costas e a abracei. Ela reclamou de dor, mas não apertei com força e foi quando desconfiei que algo estava muito errado. Tomei a liberdade de levantar a manga de sua camisa até o ombro e vi um machucado bem feio.
- Alice, o que foi isso? Foi aquele desgraçado que te machucou?
- Ele tinha bebido um pouco e perdeu a cabeça. Ele não é assim.
- Como assim, Alice? Não tem essa de “perdeu a cabeça”. Tem outro lugar machucado?
Ela levantou a camisa e mostrou sua costela esquerda totalmente roxa. Que tipo de monstro faz isso com uma mulher?
- A gente precisa ir à delegacia agora mesmo e...
- Alexandre, não! Lembra que eu falei que queria alguém que não soubesse dos meus problemas? Agora você está parecendo com todo os outros, com soluções para tudo o que acontece comigo. Cheio de conselhos. – Ela quase gritou e se levantou.
- Porque isso é o certo a se fazer em um caso como este. Isso é violência. Ele tem que ser preso. Não pode deixar esse cara continuar fazendo isso com você. – Também levantei e a encarei.
- Foi um erro te chamar aqui. – Ela se aproximou, me deu um beijo na bochecha e sussurrou no meu ouvido – Vai para casa, Alexandre. Foi bom te ver. Vou ficar bem. – E saiu correndo na direção oposta a que eu cheguei. Ainda tentei ir atrás dela, mas de longe a vi entrando em um carro cuja placa não consegui ver por conta da distância.
Fiquei ali, parado, sem saber o que fazer. Sem entender o que tinha acabado de acontecer. Só tinha certeza de uma coisa, aquilo não podia ficar daquele jeito. Aquele desgraçado tinha que ser denunciado e preso. Isso não se faz a uma mulher.
É covarde. É repugnante. O lugar desse homem é na cadeia.
Não costumo me enganar com as pessoas e assim que bati o olho nele no dia da boate, desconfiei que não era boa coisa. Só não esperava que fosse tão filho da p**a. Não entendi por qual razão Alice não quer denuncia-lo. Quero ajuda-la, mas não sei como começar.
***
Sabe o que é você ficar sem conseguir pensar nem o próprio nome durante alguns segundos? Foi assim que eu fiquei depois que vi a Alice entrando naquele carro. Eu só conseguia pensar se ela ficaria bem; quem estava naquele carro. Não conseguia deixar de me preocupar com aquela mulher que vem tomando conta dos meus pensamentos.
“Vou ficar bem”, ela disse, mas pelo estado que estava, acredito que não sabe se cuidar tão bem assim. Eu precisava falar com ela, mas não tinha como fazer isso. Poderia dirigir até a sua casa já que sei o seu endereço; ainda lembro; mas talvez ela possa não estar em casa.
Lembrei que não tinha o número dela, mas tinha ficado nas chamadas recentes do celular de Thiago. Voltei para casa e encontrei tudo muito calmo; rolava apenas uma música baixinha no som mas nem sinal das moças ou de Thiago pelo apartamento.
- Thiago? – Chamei, sem resposta. – THIAGO! – Agora eu estava gritando.
Imaginei que eles tivessem saído e deixado o som ligado ou sei lá... Só quando tentei entrar no meu quarto e percebi que a porta estava trancada que percebi que tinha alguém em casa.
- Thiago, eu não acredito nisso! Sai da minha cama AGORA! – Falei batendo na porta – Sai daí agora, é sério! É A CAMA ONDE EU DURMO, CARA! Nem eu transei nessa cama ainda. ABRE ESSA PORTA!
- Não atrapalha, p***a! – Disse ele, quando abriu a porta, colocando só a cabeça à vista e escondendo o corpo pelado atrás da porta.
- Ah, não! Você está fazendo a minha cama de motel. Quem tá ai?
- Daniela.
- E a Simone? – Perguntei
- Deu bobeira, cara. Ela já foi embora. Você deixou a gata sozi...
- Chega! – Interrompi. – Preciso do seu celular.
- Meu celular? Por que?
- Preciso de um número que está salvo nele. Me dá, aí você pode voltar e terminar sua festinha.
- Alexandre, quando você se refere ao sexo dessa forma, perde todo o encanto. – Disse ele me dando o celular. – Vai ligar para quem? Para Simone, espero.
- Alice.
- p***a, Alexandre. De novo! Se liberta! – Disse ele já fechando a porta de novo, e mais uma vez tinha alguém transando na minha cama e não era eu. Preciso lembrar de jogar fora os lençóis.
Disquei o último número recebido e chamou até cair na caixa postal. Deixei um recado, e sabia que ela não ia ouvir. Decidi que ligaria até que ela atendesse. Até que finalmente ela atendeu.
- QUEM É? – Sim, ela gritou quando atendeu.
- Alice? É o Alexandre.
- Ah, Alexandre. É você? Oi. – A voz estava diferente de novo.
- Eu só liguei para saber como você está.
No fundo ouvi uma voz masculina não desconhecida, gritando “Desliga esse telefone e manda quem quer que esteja ligando, se f***r, Alice. Eu não terminei ainda.”
- É ele? – Perguntei.
- Sim. – Ela parou e gritou para que ele pudesse escutar também. – O babaca do meu NÃO namorado que pensa que manda em mim.
- Alice, você não pode ficar aí sozinha com ele. Por que você saiu correndo daquele jeito e me deixou sozinho e sem uma explicação? Quem estava naquele carro? Era ele?
- Desculpa, professor. Eu realmente não tinha que ter te chamado e nem queria te preocupar. Era ele sim. Sempre vou àquele lugar quando quero pensar e ele já sabe disso. Corri porque o vi se aproximando e não queria mais problemas. Estou bem, é sério.
- Não, posso deixar você aí, com esse i*****l. Você precisa ir à delegacia, Alice. E denunciá-lo. Ele tem que ser preso. Violência contra a mulher é crime.
- Não venha me dizer o que eu preciso fazer. Alexandre, eu realmente acho muito legal você se preocupar comigo, mas eu já lhe disse que sei cuidar de mim e eu preciso desligar agora. Beijo! – Ela desligou. E nem me deu chance de falar nada.
Tive vontade de ligar novamente, mas me controlei. Ela estava nervosa e o pior é que não queria a minha ajuda. Isso me deixou de pés e mãos atadas. Salvei seu número em meu celular e deixei o celular de Thiago no balcão da cozinha. Peguei uma cerveja na geladeira e sentei no sofá com o intuito de esfriar a cabeça e me distrair. Liguei a TV e fui zapeando pelos canais tentando encontrar algo que prendesse a minha atenção.
Não resisti ao impulso e peguei o celular para enviar uma mensagem para o w******p de Alice. Não tive resposta, é óbvio. Isso me consumia. Eu precisava saber como ela estava, se estava bem... E como se não bastasse, Thiago e sua parceria estavam fazendo o maior escândalo no quarto. Já estava preocupado que aparecesse algum vizinho para reclamar do barulho.
Fui para a varanda e aproveitei para ligar para minha mãe e saber notícias dela. Foi uma ligação rápida e como sempre, ela estava bem, assistindo a uma série nova na NetFlix. Logo desliguei.
Pouco tempo depois, Thiago saiu do quarto com aquela cara “pós-f**a” que é impossível disfarçar.
- Ah, você está aí. – Disse ele.
- Eu moro aqui, lembra? A cama onde você acabou de trepar, é minha, lembra? – Parei e olhei para ele. – Bem, eu acho que é a minha casa, mas parece ser o seu motel. Vou começar a cobrar por hora.
- Vai se f***r, Alexandre. – Pegou uma cerveja na geladeira e sentou na cadeira ao meu lado. – E aí, conseguiu falar com Alice? O que ela queria quando ligou?
- A garota é cheia de problemas. Parece que eu tenho o dedo podre para escolher mulher.
- É o seu tipo preferido: complicada, problemática, impossível, inacessível...
- Alice é um caso bem mais complicado.
- Me conta... ainda temos tempo. – Ele disse, no relógio.
- Vai sair?
- NÓS vamos sair, Alexandre. Daniela vai tentar remarcar algo com a Simone, Isso se ela não estiver com vontade arrancar os seus testículos de tanto ódio de você. Vamos sair e aproveitar a noite.
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