O carro preto e luxuoso deslizava pelas ruas iluminadas da cidade, levando Roberto e Alicia para o hotel onde passariam sua primeira noite como marido e mulher. Ele dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada aos dedos dela, apertando suavemente de vez em quando, como se precisasse confirmar que tudo aquilo era real. Alicia sorria, mas seus olhos perdiam-se na paisagem noturna, na névoa de pensamentos que teimava em invadir sua mente.
O hotel era um dos mais exclusivos da cidade, com um lobby em mármore dourado e lustres que lançavam reflexos dourados sobre os rostos dos recém-casados. Roberto, orgulhoso, apertou a cintura dela enquanto caminhavam até o elevador. A porta se fechou, e, no espaço íntimo da cabine, ele a puxou contra seu corpo, seus lábios encontrando os dela em um beijo lento, profundo, cheio de promessas. Alicia respondeu, mas algo dentro dela já começava a se agitar, uma inquietação que não combinava com aquele momento.
O quarto era amplo, decorado em tons de bege e vinho, com uma cama enorme dominando o espaço. Roberto não perdeu tempo. Assim que a porta se fechou, suas mãos encontraram o vestido de Alicia, deslizando pelo tecido sedoso até encontrar o zíper nas costas. Ele o puxou devagar, deixando o vestido escorregar pelo corpo dela, revelando a lingerie branca que escolhera especialmente para aquela noite.
— Você é perfeita — ele murmurou, beijando seu pescoço enquanto suas mãos exploravam cada curva.
Alicia fechou os olhos, tentando se entregar àquela sensação, mas uma imagem teimava em surgir em sua mente: João. Seu agora sogro. O homem que conhecera na Grécia, cujos olhos azuis escuros e voz grave a haviam feito perder o fôlego. Ela não sabia, na época, o nome dele, depois não sabia que ele era o pai de Roberto. E agora, ali, naquela noite que deveria ser só dela e do marido, a memória dele invadia seus pensamentos como um fantasma.
Roberto a levou até a cama, deitando-se sobre ela, seus beijos se tornando mais urgentes. Suas mãos deslizaram por sua pele, acendendo fogo por onde passavam. Alicia arqueou as costas, tentando se concentrar no presente, no toque do marido, no calor que crescia entre eles. Ele a virou de lado, posicionando-se atrás dela, envolvendo-a em seus braços enquanto seus lábios percorriam seus ombros.
— Eu te amo tanto — ele sussurrou em seu ouvido, sua voz rouca de desejo.
Alicia deveria estar derretendo naquele momento, mas, em vez disso, sua mente voltava à igreja. Ao exato instante em que o padre declarara-os marido e mulher. Ela olhara para trás, sem querer, e lá estava João. Parado no fundo, seus olhos escuros fixos nela, intensos, quase desafiadores. Como se ele soubesse. Como se ele sentisse a mesma coisa.
— Espera — ela disse de repente, colocando as mãos no peito de Roberto e empurrando-o gentilmente.
Ele parou imediatamente, confuso.
— O que foi, amor?
Alicia sentou-se na cama, envolvendo os braços ao redor das pernas.
— Eu… só preciso de um minuto.
Roberto ficou em silêncio por um instante, tentando entender.
— Foi algo que eu fiz?
Ela balançou a cabeça.
— Não, não é você. É só… minha cabeça está em outro lugar.
Ele respirou fundo, tentando não parecer frustrado, mas a rejeição inesperada doía.
— Quer que eu peça algo para você comer? Um drink?
Alicia sorriu fracamente.
— Talvez um pouco de água.
Ele assentiu, levantando-se e indo até o minibar. Enquanto isso, Alicia olhou para as próprias mãos, tentando entender o que estava sentindo. Por que João insistia em invadir seus pensamentos? Por que, mesmo agora, casada com Roberto, ela ainda sentia aquele frio na barriga quando lembrava do sogro?
Roberto voltou com um copo de água e sentou-se ao seu lado, passando um braço em volta dela.
— Não precisa ter pressa — ele disse, beijando sua têmpora. — Estaremos juntos a vida toda.
Alicia olhou para ele, sentindo um nó se formar em sua garganta. Ele era tão bom, tão atencioso. E ela… ela não conseguia sequer estar totalmente presente naquela noite.
— Obrigada — ela sussurrou, fingindo para si mesma que tudo ficaria bem.
Mas no fundo, sabia que algo dentro dela ainda não estava resolvido. E João, mesmo ausente, ainda ocupava um espaço que não lhe pertencia.
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