Vinho e dúvidas

847 Palavras
Eu já estava a dois dias trancada naquele quarto, Nate entrava deixava algo para comer e saía rapidamente sem dizer uma palavra. Eu não fazia ideia de qual era o plano dele, eu simplesmente usar o celular para economizar bateria, estava esperando Brad se comunicar. Era uma espera interminável. Entretanto, no terceiro dia do meu isolamento Nate me acorda com uma voz doce: - Querida o café da manhã está pronto, levante se! Sem saber o que estava acontecendo eu me levanto e o obedeço, não deveria me mostrar contraditória a ele, pois eu precisa descobrir o que escondia. Comemos a maior parte do tempo calados, a mesa estava impressionantemente linda, com tudo do bom e do melhor. Então ele finalmente diz: - Tome um banho e se penteie, quero você impecável para o almoço. Teremos visitas. - Visitas? De Quem? - Pergunto, pois desde que nos casamos não recebíamos ninguém em casa. Ele sorri com o canto da boca e limpa com o guardanapo de pano um resquício de manteiga, se levanta e sai sem me responder. Vou até o quarto em que estava em busca do celular escondido, nele há uma mensagem de Brad: - Precisamos nos ver urgentemente. - Ele com certeza havia descoberto algo, porém, seria quase impossível encontra lo. Escondo o telefone em minha roupa íntima e, em seguida faço o que Nate me pediu. Arrumo meu cabelo em um r**o de cavalo deprimente, passo um pouco de maquiagem para cobrir as olheiras e coloco um vestido mais largo para disfarçar o pouco peso. Me sento em frente a janela de meu quarto e algumas horas depois escuto a companhia tocar, me levanto da poltrona e vejo mamãe e papai saindo da camionete de Brad, e ele sai também logo após estaciona la. Eu m*l podia acreditar no que estava vendo, eu estava tão feliz em vê los, porém ao mesmo tempo o medo me consumia. Qual seria o próximo plano de Nate? Por qual motivo ele convidaria Brad? Fico petrificada com o pensamento e nem percebo que mamãe entra no quarto: - Querida eu estava tão angustiada. Por quê não tem atendido meus telefonemas? - Eu a abraço o forte que posso, como se isso a fizesse ficar para sempre ao meu lado. - Eu acho que perdi meu celular mamãe e o Nate ainda não estalou telefones na casa. - Minto e mamãe me encara com desconfiança. - Há algo errado por aqui não é mesmo? - Como pode dizer isso mamãe? Está tudo bem. - Me desprendo de seus braços antes que ela se dê conta de minha magreza e tento parecer convincente. - Hora de se juntar aos cavalheiros. - Nate aparece com meio corpo na porta. Mamãe olha com reprovação e eu a pego pela mão: - Vamos ver o que Nate preparou? - Ela me segue mesmo contra sua vontade. Mamãe não era tola, tinha uma sensibilidade imensa e um dom de pressentimento como eu nunca vi. Ao chegar á sala de visitas, dou um beijo no rosto de meu pai e um abraço fraternal em Brad que me olha como se estivesse vendo um fantasma. Nate serve vinho à todos e propõe um brinde. - Ao que vamos brindar? - Pergunta Brad. - Eu ganhei um caso muito importante essa semana, e queria comemorar com vocês. Além disso, eu vou levar minha adorada esposa para conhecer o Suíssa. - Ele responde com ar de superioridade. Brad faz cara de dúvida, pois ele não ouviu nada à respeito na agência. - Mas vocês acabaram de voltar da viagem de lua de mel. - Diz mamãe intrigada. - A senhora acha que não devo comemorar com minha esposa? - Bom, claro que deve. Mas não acho saudável ficar de lado para o outro assim, vocês nem se instalaram direito na casa. - Nate dá um suspiro profundo como se engolisse a raiva: - A senhora tem toda razão, mas quero que a Isabel conheça um casal de amigos que moram lá. Agora que ela se tornou minha esposa acho imprescindível que ela conheça as pessoas que fazem parte da minha vida. - Mamãe também engole as palavras que gostaria de dizer junto com o vinho que lhe foi servido, enquanto Brad olha fixamente para sua taça e papai se perdeu entre as obras de artes espalhadas na sala. Eu tinha que agir rapidamente, talvez Nate não me deixasse voltar dessa tal viagem repentina. Brad me olha como se quisesse me dizer algo, como se quisesse me levar dali. Eu nada mais posso além de ficar ali imóvel como se fosse mais uma das obras de artes. - Tantas coisas caras na casa, mas não tem um telefone instalado. Que tipo de prioridades os ricos têm? - Resmunga mamãe olhando para uma louça de servir ovo mollet. - Senhora tem razão, a companhia telefônica está um vergonha. Vou processá los. - Nate enfatiza. Nessa hora mamãe percebe que falou alto demais e papai acha engraçado. Brad está inegavelmente impaciente de estar ali, e eu o entendia como ninguém.
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