Desço do táxi e corro em direção à porta:
- Minha filha que surpresa! - Mamãe me
abraça como se não me visse há anos, m*l consigo segurar as sacolas que trago.
- Quando você Chegou? - Pergunta papai atravessando a sala.
- Como assim? Há quatro dias. - Respondo confusa, pois em minha cabeça Nate havia avisado sobre nossa chegada.
- Então tiraram os dias para descansarem, não? - Continua papai e eu lhe dou um abraço para que ele esqueça as perguntas.
- Trouxe presentes! - Mudo de assunto com animação.
Mamãe serve chá e um bolo de cenoura para nós, e então, começo a contar sobre a viagem á eles.
Papai como sempre cochila no sofá depois de tanta falação, ajudo mamãe com a louça e por fim ela cria coragem de perguntar:
- Por que você não ligou quando chegou?
- Os telefones da casa ainda estão desligados, Nate está resolvendo isso.
- E o seu celular? - Nessa hora me dou conta que desde que chegamos não o vi em lugar algum.
- Não sei, acho que perdi na viagem talvez. - Mamãe olha para mim. desconfiada, porém não diz nada. Nesse momento alguém bate na porta, era Nate.
- Boa tarde família. - Ele diz animado, está tão bonito e sorridente.
- Como vai Nate, papai desperta de seu cochilo para apertar sua mão.
- Bem Senhor Mori, devo lhes desculpas por não ter avisado sobre nossa chegada. Eu queria a Isabel só para mim. - Ele mente.
Nate vem até mim e me dá um beijo carinhoso na testa e aproveito para lhe perguntar sobre o meu celular:
- Deve estar dentro de alguma mala querida. - Ele responde com a voz serena e penso que ele pode estar certo, afinal para que ele iria mentir sobre isso?
Eu estava enganada, Nate era capaz de coisas piores, mas até então, eu não percebia. Me despeço de meus pais, mamãe tem um olhar preocupado e papai parece estar orgulhoso de como minha vida se encaminhou.
- Venham nos visitar, organizarei um jantar para que vocês possam conhecer nossa casa. - Diz Nate fingindo animação, tudo que ele menos queria, eram pessoas vasculhando o seu território.
- Estaremos lá. - Papai responde inocentemente.
Chego em casa e vou correndo em direção as malas, queria encontrar meu celular.
- Não está aí.
- Mas você disse que...
- Eu sei o que eu disse Isabel. Tome! - Ele me entrega um novo telefone.
- E porque isso? - Pergunto desconfiada.
- Esse é muito mais moderno e seguro. - Ele explica e eu me dava conta de haviam inúmeros aplicativos de rastreamento e de vigilância naquele aparelho.
Nate aos poucos assumia o controle de toda minha vida, com quem eu falava, aonde eu ia, e eu, já me sentia sufocada, como se eu não pudesse ser mais quem sempre fui.
Sentia vontade de encontrar o pessoal da faculdade no On Fire, não que eu fosse a pessoa mais festiva do mundo. Eu tinha saudades dessas pequenas coisas do cotidiano, de ir trabalhar, de ser útil.
Eu passava a maior parte do meu tempo fazendo as tarefas domésticas que ele pedia ou lendo os incontáveis livros que ele sugeria.
Eu me sentia como parte da mobília, uma parte sem vida, descolorida em um canto esquecido da casa. Ele por outro lado, chegava vibrante, como se o mundo fosse todo para ele.