Meu primeiro dia na Parke's, foi bem agitado. Nate havia passado uma lista de coisas para sua secretária me mostrar, desde onde estavam os processos mais importantes até como funcionava a máquina de café.
- Pode deixar comigo agora Pamela, eu vou mostrar onde vai ser a sala de Isabel. Pam parece ficar assustada ao ver Nate, e apenas confirma com a cabeça.
- Me acompanha Isabel?
- Sim, vamos.
Ele me leva em direção à sala dele, e eu não estou entendendo nada. Mas logo pude perceber do que se tratava. Dentro da sala de Nate havia uma outra pequena sala, ele abre a porta e diz:
- Tcharam! O que me diz Isabel?
- É linda, mas porque aqui dentro e não com os outros estagiários? - Pergunto.
- Porque quero acompanhar o seu trabalho de perto. Isabel eu acho que você tem algo que a diferencia dos outros e eu quero ter a certeza de que você está tendo o apoio que precisa para evoluir profissionalmente. Consegue me entender?
- Acho que sim.
- Ótimo!
Hoje entendo que aquilo não tinha a ver com meu desenvolvimento profissional, ao contrário, era uma questão totalmente pessoal.
Nate queria me vigiar, saber com quem falava, com quem saia, e até quem seriam os meus clientes na agência.
Passados alguns dias, eu já conseguia me sentir um pouco mais á vontade, por outro lado eu também pude notar que alguns dos funcionários me olhavam atravessado e até cochichavam ao meu respeito:
- Tenho a sensação de que eu não sou tão bem vinda quanto achei que fosse.- Comento com Pam.
- Eles estão enciumados.
- Enciumados?
- Sim, nunca nenhum estagiário teve uma salinha particular na sala do dono de tudo isso. - Esclarece Pamela.
- Eu não sabia disso, bom eu pensei que ficaria junto aos outros estagiários, mas ele disse que queria ver de perto o meu desenvolvimento. - Me justifico tentando não parecer prepotente.
- Bom, é assim que tudo começa. Responde Pam.
Hoje eu tenho quase certeza de Pamela sabia de algo, algo que ela queria me alertar, porém, de alguma maneira a silenciaram. Eu não duvidaria se esse fato se confirmasse.
Ela já trabalhava ali há anos, com certeza ela presenciou muitas coisas. Quando a coisa começou a ficar feia, eu via em seu olhar algo de compreensão, mesmo sem dizer uma palavra eu sentia que ela me entendia.
A gente acaba encontrando pessoas em nosso caminho que até nos entendem e querem passar algum tipo de apoio, mas por outro lado elas têm medo de intervirem e terem que pagar o preço de sua intromissão. Foi isso que aconteceu entre Pam e eu, em algum momento enquanto eu estava hospitalizada, eu acredito ter ouvido sua voz me pedindo desculpas.
No fundo essas pessoas não sabem como agir, ninguém se prepara para algo assim.
Quase todos os dias Sarah passava pela agência para almoçarmos juntas, era como algo sagrado para nós. Eu amava sua companhia, ela era engraçada e sua presença me fazia bem.
Nate quase sempre aparecia, mesmo sem ter sido convidado, isso aborrecia Sarah:
- Caramba Nate! Você não percebe o quão inconveniente está sendo?
- Estou sendo inconveniente para você Isabel? - Pergunta ele, eu não queria ser grosseira e respondo:
- Não, pode se sentar. Ele sorria com deboche para Sarah como se dissesse : " Viu só?"
Eu sempre contava tudo ao Brad no caminho de volta para casa depois da faculdade. Ele achava as atitudes de Nate exageradas e nada profissional.
- Bel, esse cara é estranho.
- Como assim estranho?
- Nenhum patrão trata os funcionários assim, acredite.
- Ele só está sendo gentil.
- De gentilezas o inferno está cheio. - Brad resmunga e eu acho graça.