Devo confessar á vocês que eu gostava dessas aparições inesperadas de Nate, no fundo eu até torcia para que ele aparesse e quando isso não acontecia o meu humor mudava.
Sarah percebia, e um certo dia chegou a perguntar:
- Parece que você está gostando do meu irmão, não é mesmo?
- Que idéia Sarah. - Respondo envergonhada.
- Eu já notei como você fica perto dele, ou simplesmente quando alguém o menciona em uma conversa.
- Pode ser, talvez. - Sarah fica séria com minha resposta é diz:
- Sei que não controlamos o que sentimos, mas toma cuidado Bel. Não quero que se magoe.
- Você não têm com que se preocupar amiga, Nate nunca olharia para mim.
- Eu não teria tanta certeza disso, ele vive fechando o cerco.
- Ele faz isso para cuidar de você. Você é a irmãzinha dele.
- Você está enganada Bel. Ele está fazendo isso por você. Poucas vezes Nate fez algo do tipo por minha causa, ele sempre deu prioridade á sua vida, muito mais do que para minha ou de nossos pais.
Aquilo soava muito egoísta da parte dele, mas ele aparentava ser uma pessoa responsável e preocupada com todos à sua volta. Então me custou acreditar, talvez Sarah estivesse exagerando.
Uma vez cheguei mais cedo a Parker's e encontrei Nate mexendo nas minhas gavetas:
- Você está precisando de algo? - Pergunto ao entrar na sala, ele fica totalmente desconcertado:
- Eu estava procurando um papel de um dos processos que estou estudando, pensei que talvez Pam tivesse deixado em sua sala.
- Não teria sido mais fácil perguntar a ela?
- Sim, sim! Você têm toda razão. Eu vou arrumar tudo para você. - Ele começa a recolher alguns papéis e eu o interrompo:
- Não se preocupe, pode deixar que eu organizo as coisas por aqui. - Eu me aborreci com aquilo, eu não gostava que mexessem nas minhas coisas.
Chego a pensar nas palavras de Brad quando dizia que Nate era estranho e pela primeira vez sinto que ele poderia ter razão.
Ao final do dia, enquanto eu cruzava o estacionamento, senti um carro se aproximando de mim devagar e me viro para me certificar, era Nate:
- Posso te dar uma carona?
- Não é necessário, vou pegar o ônibus do outro lado da rua.
- Ônibus?
- Sim.
- Por favor Isabel, deixe me levá la. Sei que está chateada porque me encontrou fuçando sua sala. A carona é meu pedido de desculpas.
- Tudo bem. - Eu dou meia volta e entro no carro.
- Podemos tomar algo antes de te deixar em casa? - A voz dele era suave e envolvente e os seus olhos verdes eram tão atrativos, eu não pude recusar:
- Tudo bem! - Disse ainda chateada.
Seu perfume era envolvente, marcante e me levava a quase flutuar. Jamais havia sentido algo parecido. Sua roupa formal combinava tão bem com aquele sorriso imensamente branco. Nate era um sonho.