Carlos Narrando
Me chamo Carlos, sou um homem de 1,80 de altura, e embora o tempo tenha me dado alguns sinais, eu me sinto bem com o que vejo no espelho. Meus cabelos são pretos, quase grisalhos, resultado dos anos que se passaram e das batalhas que enfrentei. Nunca tive muita paciência para barba, principalmente por causa da minha profissão. Como policial militar, preciso manter o rosto limpo, então a pele sempre está sem pelos, e eu me acostumei com isso. Meu corpo é um pouco definido, não sou o tipo de cara musculoso, mas ainda assim, tenho alguma forma que se destaca quando visto uma camisa justa. E os olhos… meus olhos são pretos, talvez o que mais chame a atenção nas pessoas quando me olham. Eles têm essa intensidade que pode ser assustadora, mas também dizem muito sobre quem eu sou e o que já passei. Eu não preciso de muito para me sentir confortável com a minha aparência, mas sei que, de algum jeito, tudo isso me define.
Quando me casei com a Franciele, foi, sem dúvida, o dia mais feliz da minha vida. Eu sempre soube que ela seria a mulher da minha vida, desde o primeiro momento em que a vi. Algo dentro de mim clicou. Como se tudo se encaixasse de repente, como se fosse o que sempre estava faltando. A maneira como ela olhou para mim, como seu sorriso iluminou o ambiente, tudo aquilo fez meu coração bater mais forte. Eu sabia, sem sombra de dúvida, que ela era a pessoa com quem eu queria passar o resto dos meus dias. E não foi só isso. Eu queria mais. Queria construir uma família com ela, criar algo sólido, algo verdadeiro. Eu via no olhar dela o mesmo desejo, o mesmo sonho de ter algo mais. A gente começou devagar, mas com muita certeza de que, juntos, conseguiríamos construir tudo o que sempre imaginamos. Cada passo que dávamos, eu sabia que era mais um passo em direção ao nosso futuro. E quando eu a vi de noiva, ali, diante de mim, não podia acreditar o quanto tudo isso estava se tornando real. Ela estava deslumbrante, e eu não podia esperar para compartilhar minha vida com ela, dia após dia, com o sonho de ter filhos, de envelhecer juntos. Ela era minha escolha, e eu sabia que isso nunca ia mudar.
Lembro claramente daquele dia, o dia do nosso casamento, como se fosse ontem. Estava nervoso, mas ao mesmo tempo, uma paz enorme tomava conta de mim. Quando a vi entrando na igreja, meu coração parou por um segundo. Ela estava incrível, mais linda do que eu jamais poderia imaginar, e naquele momento, tudo o que eu queria era que aquele instante durasse para sempre. As palavras que ela dizia, o sorriso que ela me dava, tudo parecia perfeito. Quando finalmente chegamos ao altar, e o padre perguntou se eu aceitava Franciele como minha esposa, eu senti uma onda de emoção me invadir. Respirei fundo, senti o peso daquelas palavras, mas ao mesmo tempo, era tão claro dentro de mim o que eu queria. Eu não tinha dúvidas.
Foi aí que eu disse "sim". E não foi só um sim de compromisso, foi um sim de amor, de dedicação, de querer estar ao lado dela em todos os momentos da nossa vida. Aquele "sim" foi uma promessa, uma afirmação de que eu a escolheria todos os dias, em todos os momentos, independentemente do que a vida nos reservasse. Eu sabia que aquele dia era o início de algo que nunca iria acabar. Um começo de uma jornada ao lado da mulher que eu sabia que seria a mãe dos meus filhos, a parceira de todas as batalhas, e a razão do meu sorriso todos os dias. O "sim" que dei a ela foi o mais verdadeiro de toda a minha vida.
Já faz alguns anos que sou casado com a Franciele, e, no começo, tudo parecia perfeito. Eu sentia que tínhamos um vínculo que nada poderia quebrar, que íamos envelhecer juntos, cuidando um do outro. Mas, com o passar do tempo, percebi que as coisas começaram a esfriar. Não foi de uma hora para outra, mas foi como se, aos poucos, a chama que antes queimava forte fosse se apagando. Eu me peguei em momentos de silêncio, mais distantes, mais fechados. A rotina tomou conta, e eu sentia que estava faltando algo, algo que eu não conseguia identificar, mas que estava me incomodando cada vez mais.
Foi então que entrou uma nova colega de trabalho. Ela não era como as outras. Algo nela me chamou atenção de imediato, algo que eu não sentia há muito tempo. Era uma mistura de charme e intensidade, algo novo, diferente. Eu sabia que aquilo não era só admiração profissional. Havia algo ali que me fez olhar para ela com outros olhos. Nos trocamos algumas palavras durante o trabalho, e a cada conversa, esse sentimento de interesse foi crescendo. Não que eu quisesse trair minha esposa, mas a ideia de me sentir desejado, de viver algo fora da rotina, começou a me atrair.
Ela falou algo sobre sair algum dia desses, e, de forma quase impulsiva, eu aceitei. Disse que poderia ser uma boa ideia. Aquelas palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse parar para pensar nas consequências. Não pensei muito naquilo, apenas na sensação de querer algo novo, algo que quebrasse a monotonia. Não sabia onde isso me levaria, mas a ideia de ter algo diferente por um momento, de me sentir vivo novamente, parecia irresistível.
Na hora do almoço, ela apareceu na minha mesa. Seu nome era Lara, e ela tinha esse jeito descontraído, mas com um olhar penetrante que parecia ver além da superfície. A gente sempre trocava algumas palavras rápidas no trabalho, mas dessa vez, ela veio mais perto.
— Então, Carlos... — ela disse, sorrindo de um jeito que me deixou sem graça. — Acho que a gente deveria sair algum dia desses. Você sabe, dar uma quebrada na rotina, tomar uma cerveja, conversar fora daqui.
Aquela ideia me pegou de surpresa, mas, ao mesmo tempo, algo em mim me impulsionou a aceitar. Eu não queria ser rude, então respondi de forma casual, tentando disfarçar a sensação de nervosismo que estava começando a tomar conta de mim.
— É, seria uma boa... — minha voz saiu mais baixa do que eu queria, e ela percebeu. Lara me olhou com um sorriso mais sugestivo.
— Vamos marcar, então. Eu sei que você provavelmente está ocupado, mas me avisa quando tiver um tempo. Vai ser bom sair um pouco dessa rotina, né?
Eu dei um leve sorriso, tentando manter as coisas leves, mas meu cérebro estava começando a correr. Eu sabia que aquilo era um passo que poderia mudar as coisas, mas, no fundo, algo dentro de mim estava ansioso pela possibilidade de sentir algo novo.
— Claro, vou pensar em um dia tranquilo, a gente marca sim.
Ela me deu um sorriso satisfeito, como se tivesse certeza de que eu ia aceitar. E, naquele momento, eu já sabia que não seria fácil voltar atrás. Algo dentro de mim queria essa novidade, queria sentir a adrenalina de um flerte, de um encontro fora do que eu conhecia. Eu não sabia onde isso ia me levar, mas uma parte de mim estava curioso demais para recuar.