Episódio 2

1581 Palavras
— Vocês têm reserva, meninas? Perguntou gentilmente um garçon. — Em nome de Letícia Moore. — Claro, permita-me... Ele disse, digitando num tablet. — Me siga. Ele comentou após verificar a reserva. Ele nos conduziu até uma área de três unidades privadas que davam para ver a pista perfeitamente. — Como você conseguiu uma reserva? Shaina perguntou, olhando o lugar com atenção. — Eu tenho um bom amigo. — Isso não me surpreende. — Senhoras, acho que há um engano! Respondeu o garçon. — O que está acontecendo? — Ocorreu um erro com a sua reserva. Disseram-me que não fica nesta área. Vocês poderiam me seguir? Letícia não gostou nada do que ele disse. Mas para evitar qualquer escândalo, ela omitiu comentários. — Onde fica a nossa área? Eu perguntei. — No terceiro andar, tudo está pronto para vocês. Peço desculpas, acho que o tablet cometeu um erro. — Relaxa, sem problemas. Camila declarou, pegando a sua bolsa. As quatro o seguiram, o terceiro andar era um espaço muito diferente, havia muitas gaiolas e a música tinha uma atmosfera diferente, onde a maioria dançava. A sala privativa era luxuosa e, como lhes foi dito, as bebidas estavam esperando por elas. ‌​— Vamos brindar. Exclamou Letícia quando todas estavam acomodadas. Ela pegou a taça de vinho espumante. — Por quê? Eu questionei com irritação. Eu já estava me x*ingando por aceitar, eu não estava com vontade de estar num lugar como aquele, a música me incomodava, as pessoas dançavam, os casais pareciam horríveis de suportar. — Porque você é livre! Gritaram as três. Eu não consegui evitar sorrir um pouco, juntei o meu copo com o delas e brindei. Brindei a todos aqueles anos desperdiçados, às vezes em que dizia "eu te amo", a cada carícia, a cada lágrima derramada e, acima de tudo, brindei a elas, as minhas amigas que nunca me deixaram sozinha. Ela levantou o copo, forçada a terminar tudo de um só gole. Ela fechou os olhos por um momento enquanto sentia as bolhas na sua boca e o sabor doce e requintado daquele vinho. Luzes de neon enchiam cada canto de cor. O meu olhar percorreu os cantos do lugar enquanto me serviam outra bebida. Algo chamou a minha atenção, uma silhueta atrás do bar. Eu pensei ter visto alguém conhecido, mas quando olhei mais de perto, não havia ninguém lá. Eu senti um arrepio como naquele dia, porém jurava que aquele indivíduo era fruto da minha imaginação, a minha mãe não disse nada, nem o meu irmão, talvez estivessem tentando esquecer o dia doloroso. Parecia que tinha sido um sonho... um sonho perturbado entre a razão e a estupi*dez que eu estava prestes a fazer. Eu não contei para as minhas amigas. Eu não podia deixá-las pairando sobre mim, acreditando que eu tentaria novamente a qualquer momento. Os meus pensamentos foram interrompidos pelo movimento dos copos, eu bebi novamente como se não houvesse fim, relaxando o meu corpo, acalmando a dor dentro de mim, e a raiva nas minhas entranhas... Eu estava determinada a esquecer, a deixar tudo para trás, mesmo que fosse só por um dia, uma noite. O que poderia acontecer? ‌​​​Era a minha terceira bebida, e as minhas amigas estavam determinadas que ela ou esqueceria tudo naquele dia ou entraria em coma alcoólico, qualquer solução era irrelevante. Eu não estava acostumada a beber, o meu limite era sempre quatro copos ou shots. Então, eu perdi o decoro muito rapidamente. — Saúde! Gritaram as quatro ao mesmo tempo, e eu bebi de uma vez. — Não aguento mais, mais uma bebida e vou chorar arrasada. Eu disse, limpando os lábios com as costas da mão. A música estava muito alta, mas ninguém parecia se importar. — Você não vai ficar bêbada. Isso é vinho espumante, não deixaria nem um padre bêbado. Declarou Letícia. — Além disso, a diversão está apenas começando. Ela apontou e levantou o copo numa direção. Eu fixei o olhar onde ela estava prestando atenção. Três homens do outro lado da sala olhavam diretamente na direção dela. E eles não eram qualquer tipo de homem, do tipo que molha calcinhas com a marca do di*abo, um deles usava um terno preto, era loiro e tinha cara de caçador. O da camisa branca arregaçada nas mangas deixava à mostra as suas tatuagens, completamente cobertas, pelo menos era o que se via, até no rosto era possível ver algumas linhas, o cabelo preso num ra*bo de cavalo que só o fazia parecer bárbaro e selvagem. O terceiro e mais misterioso os observava atentamente, com cabelos pretos, sobrancelhas espessas, um sorriso sarcástico e um olhar de bandido que ninguém podia ne*gar. — Eles parecem divinos... Shaina mencionou. — Calma, tá? Controlar-se? Declarou Camila. — Ah Camila, me a minha mãe usa mais essas palavras. Shaina zombou, fazendo todos rirem. — O engraçado é que, Camila, não importa se você está contando para Shaina ou para você mesma, a bolsa já perdeu o formato de tanto apertar. Disse Letícia. — Esses homens parecem muito perigosos. — Eles parecem fo*díveis. Você consegue imaginar agarrar aquele rab*o de cavalo enquanto a língua dele mergulha em você e te faz cantar Ave Maria? — Você é uma blasfemadora. — E você é uma santa, mas deve ser a pior das quatro. Declarou Letícia. — Só por isso, o de tatuagem será só seu. — Você é louca! Viemos para sair com a Ariana. — Não pare por minha causa, vou afogar a minha existência aqui com esta garrafa de vinho. Eu levantou mais um copo, o efeito do último estava realmente me fazendo perder o controle da minha pequena sanidade. — Eu me contento com qualquer um. Shaina disse, tomando um gole de vinho. Ela era minha prima e mais velha que eu. Letícia e Camila eram minhas amigas desde a escola, começamos a sair juntos quando ainda éramos crianças. E essa amizade cresceu ao longo dos anos, mesmo que às vezes não vivêssemos o mesmo estilo de vida, permanecemos juntas não importa o que aconteça. — Para Ariana, precisamos de um homem que possa apagar seis anos, não afundá-la ainda mais. Você precisa de algo mais avassalador, algo que queime, uma fera. — Uma fera. Shaina mencionou, imitando Letícia. — Droga, você quer destruí-la mais do que ela já está. Você quer um homem sem coração que apenas a use. — Aqui está o problema: você não sabe como separar o seu coração do seu p*****g. Há quanto tempo você não molha a cama? ‌​​— Eu não posso fazer isso. Eu respondi, olhando para o vidro, abatida, contra a luz da boate. Eu estava ocupada olhando as bolhas no meu copo. — Nem você? Camila disse, fazendo com que os três olhassem para ela. — Quê? — Você é perversa por trás dessa imagem de jovem secretária. — Agora eu sou uma esquisita. Eu disse, jogando-me na poltrona e pegando impiedosamente o meu copo. Eu me servi de outra dose e bebi sem me importar com nada. Continuamos conversando enquanto o álcool continuava circulando na mesa. As luzes começaram a se tornar flashes simplesmente para os meus olhos, eu comecei a dançar uma das minhas músicas favoritas. Eu me levantei, balançando os quadris e movendo os meus braços para o alto. Nos aproximamos de onde os outros estavam dançando e gritando. Nos rimos uma da outra, enquanto nos movimentávamos ao som da música. Não demorou muito para que eu chamasse a atenção. Eu sempre dancei melhor do que todos as outras, independentemente de fazer aulas ou não. Eu era uma garota de vinte e três anos que desperdicei o meu tempo com um homem, acreditando que era o meu fim e o começo de uma vida diferente. Eu tinha medo, sempre tive, porém, deixava as minhas dúvidas passarem porque o amava. Enrique vinha em primeiro lugar em tudo, o único relacionamento que eu conhecia. Ele era o meu passado, o meu presente doloroso e o futuro que nunca chegará. Eu tentei deixar tudo para trás enquanto a música me ensurdecia, o álcool viajava pelo meu corpo, mas eu estava chegando a um ponto em que ainda doía do mesmo jeito. Quatorze dias não apagariam seis de uma vez. Eu parei de dançar para procurar o banheiro, Camila queria me seguir, mas Letícia a impediu. Ela sabia que se a deixasse ir, isso só faria com que nos trancássemos no banheiro para que eu chorasse. A presença dos três na pista de dança me lembraria do motivo pelo qual tinham vindo, e isso me forçaria a sair daquele banheiro. Cheguei à penteadeira onde vi o meu rosto já ficando desfigurado pelo efeito do vinho. Eu molhei um pouco o pescoço e a testa antes de entrar no banheiro. Eu estava completamente sozinha, diferente de outros clubes onde era preciso pegar fila para entrar no banheiro. Eu saí para retornar para onde as minhas amigas estavam, porém, elas estavam muito ocupados lidando com aqueles três homens, eu seria a quarta na roda e não estava a fim disso. ‍​‌‌​ ‌‌‌​​‌​‌‌​‌​ ​‌ ‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌ ‌​​​‌ ‌‌‍‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌‌‍
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