2 semanas depois...
— Ele é um idi*ota, um bastardo, um filho da pu*ta miserável!
Quatorze dias se passaram, os quatorze dias mais longos da minha vida. Eu contei cada um desses dias, os três primeiros foram uma confusão de lágrimas e dor. Sem a capacidade de comer um prato cheio de comida ou beber os três litros de água que eu impus a mim mesma nos últimos oito anos, ora, porque eu era uma lunática autoimposta. A minha vida estava cheia de controle, e eu havia perdido esse controle. Eu planejei o casamento com perfeição, cada detalhe. Durante três dias eu lamentei, acreditando que eu era a única que havia cometido erros.
Entre o quarto e o quinto dia, eu era uma bomba-relógio, explodindo à menor provocação. Ter que devolver presentes de casamento com um bilhete idi*ota de agradecimento era bobo e um tormento. Por que diab*os ele não fez isso? O meu ex-noivo id*iota, ex-namorado, aquele homem que estava morto para mim. Eu estava passando por todos os estágios do luto.
No décimo dia, eu finalmente vi a luz do dia, pronta para seguir em frente, dizendo a mim mesma que eu era uma mulher forte, determinada e empoderada que poderia superar tudo isso. Naquele dia, eu bebi litros de água, meditei, corri na esteira e, finalmente, dancei um pouco ao som de música árabe. Essa música não era a minha favorita, mas o som me parecia agradável.
O caos chegou no décimo quarto dia, onde todas as minhas suspeitas foram reveladas de forma cr*uel e grosseira. Eu não entrei em nenhuma rede social durante aqueles quatorze dias, mas estu*pidamente acabei no i********: com o estômago embrulhado, a raiva crescendo e a vontade de quebrar coisas. Felizmente eu não estava sozinha, para azar de Shaina, que não conseguia parar de me ver andando de um lado para o outro gritando.
— Respira, Ariana, não consigo te entender bem. Era a quarta vez que a ruiva pedia isso. Shaina era a mais velha do grupo de cinco amigas, que agora era um grupo de quatro.
— Aqueles filhos da p*uta postaram uma foto juntos, juntos, onde eu tinha planejado a minha lua de mel e o desgraçado me disse que não gostava, que odiava o frio. Eu joguei o celular para o alto. — Não, Ariana, é melhor um lugar quente, areia, sol e sei lá o quê... Eu imitei a pose do meu namorado e Shaina certamente achou engraçado, já que eu parecia idêntica parada como aquele idi*ota do Enrique. Aquele covarde que teve sorte que alguém como eu pôs os olhos nele.
Eu era uma mulher linda, uma dançarina com potencial, com pernas longas, cintura fina e olhos com cílios grossos e cheios. O meu cabelo chegava até a parte inferior das costas, terminando numa ponta com cachos perfeitos. Shaina sempre me perguntou o que vi no irmão dela há muito perdido da Vila Sésamo. A campainha tocou e eu vi ela suspirar de alívio.
— Estou indo... Ela declarou, mas eu não tinha planos de abrir aquela porta de qualquer maneira. — Você finalmente chegou.
— Quem deve ser morto? Camila questionou ao entrar.
— O Muppets e o Inominável. Em outra ocasião, eu a teria matado por dizer isso do Enrique, mas estava mais do que óbvio que eu não me importava com isso agora.
— E a Letícia? Ela perguntou, largando a bolsa.
— Fo*dendo o cara do sábado. Não demora muito para chegar. Shaina fechou a porta. Um estrondo alto as preocupou. Ariana rasgou o quadro de honra do Enrique, aquele que ele ostentava para todos os amigos, uma foto idi*ota onde ele aparecia sorrindo por ser o melhor arquiteto de uma geração inteira.
Eu estava farta disso, eu sempre subestimei o meu sonho, por ele. Eu queria ser dançarina. Eu queria ser professora de dança e ter o meu próprio pequeno estúdio onde eu daria aulas para meninas e adolescentes.
— Você vai se cortar! Camila exclamou, aproximando-se de mim. — Deixa isso aí, vem cá...
— Camila, eles são uns canalhas... Eu emprestei roupas para aquela menina idi*ota, ensinei ela a se vestir, caramba, ela pintava as sobrancelhas com canetinha.
— Assim você aprenderá a nunca ajudar esquisitos. Shaina xi*ngou. Camila a observou, querendo arrancar os seus olhos. — Ela era a estranha, mas lá vai Ariana, a garota perfeita e boa. Eu disse para você deixá-la fora do nosso círculo, eu avisei que não confiava nela, mas quando vocês me escutam.
— Você não gosta de ninguém. Camila sentenciada.
— E eu nunca me engano, uma escorpiana nata... Ela estalou os dedos.
— Vá buscar um pouco de água.
— Uma tequila é o que ela precisa.
— E um bom pa*u. Disse Letícia.
— Droga, como você entrou? Questionou Camila e Letícia mostrou um molho de chaves.
— Você tem as chaves do apartamento da Ariana?
— De todas vocês. Disse a loira, usando um vestido vermelho e saltos combinando.
— Por que você tem as chaves dos nossos apartamentos? Shaina pegou o chaveiro e era verdade, tinha uma chave com o nome de cada uma.
— Vocês são tão desequilibradas mentalmente que um dia eu poderia usá-las para tirá-las dos seus buracos infer*nais enquanto choram por um homem. Ou numa crise existencial devido ao ganho de peso, ou engravidar de um idi*ota, coisas comuns. Ela deu de ombros com indiferença. Shaina piscou várias vezes, assim como as outras. — Onde está aquela m*aldita coisa?
— Nas montanhas com o inominável.
— Eles são uns miseráveis! Eu gritei, jogando-me na poltrona.
— Não, senhorita, eu não vim aqui perfeitamente vestida com esse Chanel para comer pipoca e assistir a uma série de velhinhas chorando. Vocês três vão se trocar, tenho uma mesa reservada no Diamond.
— O novo clube! Shaina disse animadamente.
— Eu não vou sair.
— Eu vou fazer você esquecer aquele pintinho hoje.
— Ele não tem... Eu queria refutar aquele comentário, mas permaneci em silêncio por um momento. — Tamanho médio. Eu murmurei.
— Vou te dar um tamanho médio descente, querida, e esse não vai te deixar andar por três dias.
— Já que você é tão generosa, podem ser três, eu digo... Shaina levantou a mão. Camila permaneceu em silêncio. — Sim, para a leitora voraz também. Ela apontou para o lado.
— Chega! Não estou com vontade de tran*sar com ninguém. Quer dizer, o último homem com quem estive, deixou-me plantada no altar, não estou com vontade de lidar com homens. Eu queria que aquela conversa acabasse.
— De nós quatro, você é quem precisa de um exorcismo urgente. Ter que tran*sar com o mesmo cara por seis anos é sua m*aldição.
Letícia era uma estudante veterana de direito tão empoderada quanto qualquer outra da sua turma. Ela trabalhava para um dos melhores escritórios de advocacia e todo mundo falava dela, graças às suas excelentes habilidades. Letícia não se importava com essas fofocas, ela era perfeita, inteligente e uma bomba de cama que nem todo mundo poderia ter. Mas a mulher sem compromisso era uma sagitariana em potencial, de acordo com Shaina.
— Acho que deveríamos sair. Camila comentou.
— Que?! Shaina exclamou.
— Não necessariamente para conhecer homens.
— Po*rra. Disse Letícia.
— É isso, não necessariamente isso. Nós quatro podemos sair para dançar. Já faz um tempo que não fazemos isso. Você quer ficar trancada aqui enquanto eles estão juntos?
— Po*rra. Declarou a loira.
— Sim, juntos. Ela olhou para ela severamente antes de se virar novamente para Ariana. — Letícia já gastou dinheiro para conseguir uma vaga, acho que podemos abrir uma exceção hoje.
— Com o humor que estou, provavelmente vou acabar chorando ou fazendo uma cena. Eu cruzei os braços esperando que uma das três me entendesse.
— Eu vou fazer você chorar, mas por um p*au na sua boca. Letícia se levantou para ir para o meu quarto. — Agora vamos tirar esse pijama idi*ota.
— Como ele adora dizer "p*au". Disse Shaina.
Eu as odiei por me convencer.
Duas horas depois, nos quatro entramos no clube Black Diamond. Eu decidi usar preto, para respeitar o luto da minha alma, Letícia disse que era bobagem, mas se era a única maneira de eu acompanhá-las, ela aceitou. A música dava o tom na rua, o lugar era um cenário perfeitamente escuro, iluminado por uma luz branca que fazia tudo brilhar como diamantes.
Era certamente um lugar de três andares muito exclusivo. No centro era possível ver cada andar, um vidro grosso dava medo do que acontecia nos outros lugares. As mulheres do clube andavam de salto alto e lingerie fina exibindo todos os seus atributos.
— Você nos trouxe para um clube de cavalheiros! Camila exclamou.
— Não se preocupe, este lugar é muito exclusivo e os clientes recebem o que pedem.
Chegamos ao segundo andar, onde estava a mesa reservada para nos. Um punhado de homens de terno entretinham as mulheres dançando em gaiolas que pareciam incrustadas de diamantes. Os seus rostos permaneceram sob máscaras de vários formatos, mas sem perder o erotismo com que se portavam. Eu fiquei surpresa, eu não saía há anos e isso era novidade para mim.