Hannah
Mamãe, eu e dona Carla voltamos para a sala.
Logo vejo Pâmela passando em direção à cozinha , imagino qual deve ter sido a “reunião” de Matteo no escritório.
Ficamos conversando até o jantar ser servido.
O jantar ocorreu bem, tirando o fato de um dos sócios de Matteo não parar um segundo sequer de me encarar.
Aquilo já estava me incomodando bastante.
Assim que terminou o jantar, quase todos foram para a sala.
Mamãe, eu, dona Carla e mais duas mulheres de meia-idade continuamos lá mesmo, tomando vinho e conversando.
Elas são casadas com dois dos sócios da empresa e são bem simpáticas.
Ficamos falando sobre coisas aleatórias do dia a dia da mulher, até que Pâmela apareceu e se sentou à mesa conosco.
Todas nós a cumprimentamos e continuamos a conversa normalmente, mas ela me encarava como se eu fosse a sem caráter da mesa.
— Mas então, Hannah, como está sendo a vida de casada? — ela pergunta com sarcasmo.
— Está ótima, obrigada por perguntar.
— Tem certeza?
— Tenho sim, Pâmela.
Ficamos mais um pouco conversando e bebendo vinho.
Logo, ficamos só nós quatro: eu, Pâmela, mamãe e dona Carla.
— Você deveria ficar com vergonha, Hannah. Sua mãe não te ensinou a não mentir?
— Eu sou muito educada, mas não fale da minha mãe, porque a minha educação acaba no mesmo instante.
O seu problema é comigo, Pâmela.
Mas, sinceramente, eu não entendi o que fiz para você não gostar de mim.
— Não se faça de sonsa, garota! Você sabe muito bem o motivo.
— Me desculpe, mas eu não sei.
— Matteo é o problema.Paraa que você casou com ele?
— Isso não lhe diz respeito, Pâmela.
— Você se casou por nome e dinheiro, é isso.
Porque deve ser uma rodada que ninguém mais quer.
Ela olha para dona Carla e continua, venenosa:
— Aí entra você, Carla. Como te conheço bem… planejou tudo isso. Devia ter vergonha.
E você, dona Jasmim, pra não deixar o nome da família na lama, resolveu casar essa daí pra ver se tinha futuro. Vocês deviam ter vergonha!
— Por favor, Pâmela — digo, firme —, olha a boca. Está na minha casa. E respeite minha mãe e dona Carla. Você pode pensar o que quiser, que pra mim não faz diferença. Mas, se puder, se retire e vá embora. O jantar já terminou há muito tempo.
— Só mais uma coisa: você deve ser péssima na cama, porque se não fosse, ele não me procurava. E olha que eu sou muito boa, por sinal… e ele gosta.
— Que bom pra vocês, Pâmela.
— Peraí… vocês nunca ficaram juntos? — ela ri, debochada. — A menina quer posar de boa moça, hahaha! Por isso ele me procura. Não tem coragem de encostar em alguém rodada igual a você.
— Pâmela, já chega. Está na hora de você ir embora — Matteo fala da entrada da sala de jantar.
Ele está escorado na parede, com um copo de uísque na mão como sempre.
— Matteo, você ainda não ficou com ela por quê?
Eu sei que sou única para você.
É por isso que tem nojo dela, né?
Quantos você acha que ela já teve? Cinco? Dez?
Mamãe e dona Carla não dizem uma palavra sequer.
— Não te interessa, Pâmela. Agora vai embora.
— Eu vou, mas vou estar te esperando.
Nem espero ela terminar.
Sai da sala de jantar, e minha vontade é de sair quebrando tudo pegar minhas coisas e ir embora daqui.
Ainda bem que todos já foram e não precisaram ouvir essas baixarias.
Sento-me na sala. Mamãe e dona Carla se sentam comigo.
— Você está bem, minha filha?
— Estou, mamãe.
Minha vontade é chorar e chorar será que Matteo ouviu toda a discussão e nem se quer me defendeu?
— Filha, vamos embora. Você dorme lá em casa, pensa um pouco depois você volta.
— Obrigada, mamãe, mas não. Eu já decidi, vou até o fim.
— Meu Deus, Hannah, você o ama? — pergunta dona Carla, sorridente.
— Eu o amo há muito tempo, desde a primeira vez que o vi. Mas não quero que ele saiba, nem ninguém.
— Claro, claro. A escolha é sua.
Mas saiba, se um dia quiser ir embora, jamais ficarei com raiva de você.
Pelo contrário quero você sempre conosco.
— Obrigada, dona Carla.
— Bom, já está na nossa hora, não é, Carla?
— Sim.
— Fique bem, Hannah.
— Fica com Deus, minha filha.
Matteo chega e se senta em uma das poltronas da sala.
Levanto-me para acompanhá-las até a porta.
— Não precisa, Hannah, nos acompanhar — diz dona Carla.
Elas abrem a porta da sala e vão embora.