Capítulo 7

851 Palavras
Hannah Estava de saída com a mamãe para irmos ao Lar Flor Belas, onde mamãe é a proprietária. Ela o fundou há uns quatro anos. Lá acolhem bebês e crianças abandonadas, que ficam até acharem alguém para adotá-las ou até completarem 14 anos. Neste lar, as crianças têm muitas atividades, estudam, brincam e aprendem várias coisas — fazem coisas de crianças. Quando completam 14 anos, vão para o Lar Esperança, da senhora Flor — assim todos a chamam. Ela fica com eles até completarem 18 anos. Quando se tornam maiores de idade, e se até essa idade não conseguirem um lar, eles são levados para um abrigo ao lado, destinado aos que já são maiores. É raro ficarem por lá. E, graças ao bom Deus, eles sempre conseguem um emprego e aprendem a caminhar sozinhos. Pois, lá no abrigo, fazem cursos, onde cada um tem direito de escolher o que deseja aprender. Através desses cursos, conseguem logo um emprego para poder sair e ter algum sustento. Estava entrando no carro quando vejo papai vindo em nossa direção. — Onde minhas princesas vão? — Estamos indo lá no abrigo, papai. O senhor está precisando de alguma coisa? — Na verdade, sim, Hannah. Você poderia passar na empresa do Teodoro e deixar esses papéis com o Matteo pra mim, por favor? Só de ouvir o nome dele, já fico toda desconcertada. Só de imaginar que irei vê-lo e ter que falar com ele... — Tudo bem, papai. Deixo sim. Dou um beijo em sua testa e entro no carro. Mamãe começa a dirigir, e sei que irá passar na empresa primeiro. Depois de alguns minutos, já estamos na porta. — Hannah, você pode deixar os papéis com o Matteo. Vou ali no caixa eletrônico, tudo bem? — Tudo bem, mamãe. A esperarei aqui no carro. Abro a porta e vou rumo à entrada daquele prédio enorme. Entro no elevador e aperto o andar de Matteo, e o meu coração está quase pulando pra fora do peito. O elevador se abre e olho: a secretária de Matteo não está. Espero mais alguns minutos e nada. Mamãe já deve estar me esperando. Resolvo bater na porta — dou duas batidas e ninguém responde. Bato mais duas vezes e nada. — Talvez ele esteja em reunião — falo pra mim mesma. Então resolvo abrir a porta e colocar os papéis em sua mesa. Papai já o avisou mesmo. Quando ele chegar, verá e assinará. Até melhor — assim não preciso vê-lo. Empurro a porta do escritório de Matteo e acho que estou vivendo um dos piores momentos da minha vida. Ver Matteo com aquela Pâmela, ali mesmo, no seu escritório... Meu coração acelera, e por um instante tenho vontade de ir até lá e esmurrá-lo até não ter mais força. — Oh, meu Deus! Eu bati na porta, juro que bati! — falo no impulso. Matteo me olha e não fala nada. Mas Pâmela o interrompe: — Não precisam parar por minha causa... — Mas não vamos parar mesmo, não desta vez, sua pirralha empata-f**a — diz ela. Não respondo. — Aqui estão os papéis. Me abaixo, coloco os papéis perto da porta e a fecho novamente. Mas minha vontade era jogar aqueles papéis na cara dele. Aperto o botão do elevador. As lágrimas já embassam minha visão. Mas não vou chorar. Não vou me rebaixar. A porta do elevador se abre e vejo mamãe e Hannah nele. — Você demorou, minha filha! — Desculpe, mamãe. Estava esperando a Hannah, mas estava demorando, então deixei os papéis com o Matteo. — Estava no meu horário de lanche, me desculpa — diz Hannah, toda sem graça. — Imagina, é seu direito. Saco vazio não para em pé — digo sorrindo. — Está tudo bem, Hannah? — mamãe pergunta. Nos despedimos da Júlia e fomos para o carro. Entramos em silêncio e ficamos assim até mamãe parar o carro em uma praça — linda, por sinal. — Por que paramos aqui, mamãe? — Quero conversar com você, Hannah. Descemos do carro e sentamos em um dos bancos da praça, em silêncio, sentindo uma leve brisa gelada. — O que está acontecendo com você, Hannah? — Como assim, mamãe? — Você está diferente, sempre triste pelos cantos. E você sempre vê o Matteo. Você gosta dele, não é? — Não gosto, mamãe. eu o amo. Sei que não era o que a senhora queria pra mim, porque ele é uma pessoa complicada, mais velho que eu, e todas as outras coisas. — Hannah, vai com calma. Meu amor, a gente não manda no coração. A gente ama as pessoas erradas, sempre foi assim. — O que eu quero é que você seja feliz, só isso. E não importa com quem. Você pode contar sempre comigo pra tudo, minha filha. — Me desculpa, mamãe, por não ter contado. — Tudo bem, meu anjo. Sempre estarei aqui. Quando estiver pronta pra me contar qualquer coisa, conte, minha filha. — Será no seu tempo, tá bom? Mamãe então me abraça bem forte. Tenho muita sorte mamãe é uma pessoa maravilhosa, sem dúvidas.
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