Matteo
Já me sentia exausto. Decidi ir para casa, mas antes, irei ver meus pais.
Saio da minha sala e entro no elevador.
Ao sair, vou até o carro, destranco, abro a porta e entro.
Olho no relógio , já são 18 horas.
Ligo o rádio e coloco qualquer música, dirigindo pelas ruas da Itália uma bela cidade, por sinal.
Depois de alguns minutos, paro o carro na entrada da casa dos meus pais.
Entro na sala e vejo minha mãe andando de um lado para o outro, parecendo preocupada.
— Mãe?
Ela para de andar e me olha, muito séria.
— Ainda bem que você chegou, Matteo. Você demorou muito.
— O que foi, mãe? Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu sim. Seu pai está no escritório, lhe esperando.
Apenas assinto com a cabeça e vou em direção ao escritório, com minha mãe logo atrás. Estranho.
Bato na porta e logo meu pai responde:
— Entre!
Abro a porta, deixo minha mãe passar e fecho atrás de mim.
— O que está acontecendo?
Ninguém fala nada. Parece algo muito sério.
— O que está acontecendo? — repito novamente.
Pelo jeito, até minha mãe está participando da conversa. Então, é mesmo sério.
— É sério sim, Matteo — diz ela, olhando para o meu pai.
Meu pai me encara e começa
— Como você pode ser tão irresponsável, Matteo?
O que você está querendo da sua vida? Quer matar sua mãe de tristeza?
Minha mãe está sentada no sofá do escritório, de cabeça baixa, chorando baixinho.
Meu pai continua
— Já estou cheio da sua falta de responsabilidade.
Todas às vezes, sua infantilidade chega até nós por meio de outras pessoas!
Cada dia mais, você me dá vergonha, Matteo, vergonha!
Meu pai está visivelmente decepcionado comigo.
— Se alguém puder me dizer o que, p***a, está acontecendo, eu agradeço.
— Olha a boca, Matteo! — minha mãe me repreende.
— Você ainda quer saber o que está acontecendo?
O que está acontecendo é a sua falta de responsabilidade com a empresa!
— Ah, então esse teatro todo é por causa da empresa?
Apenas me atrasei, tenha dó, pai! Você faz tempestade em copo d’água.
Vou até o mini-bar do escritório, pego um copo, coloco gelo e uísque, e me sento em uma das poltronas.
— Tempestade em copo d’água, Matteo?
Você perdeu todas as reuniões nos últimos tempos, e isso é besteira? Ir trabalhar de ressaca é besteira?
Cada dia, uma mulher diferente te procurando na empresa é besteira também? — meu pai diz, extremamente nervoso.
Não o respondo, apenas bebo um gole da minha bebida.
— Tá bom, senhor Teodoro, vou tentar resolver isso. Agora preciso ir.
— Não terminamos, Matteo.
Você não vai tentar resolver, eu é que irei resolver.
Olho para ele sem entender.
— Os sócios vieram falar comigo hoje de manhã e contaram tudo o que estava acontecendo na empresa.
Você está arruinando a imagem dela!
— Pai, não é bem assim.
— Matteo, por favor. — minha mãe diz, me olhando.
Meu pai continua,
— Então eles me fizeram duas propostas, ou você se casa com uma mulher de respeito, ou colocamos outra pessoa para te substituir na empresa.
— Mas eles não podem exigir isso, pai!
— Podem sim, porque, se não aceitarmos, eles deixam a empresa.
Fico perplexo, sem saber o que pensar, falar ou fazer.
— E então, Matteo? O que vai decidir?
— Eles estão loucos! Isso sim. E vocês também, por cogitarem essas propostas absurdas.
— Eu não vou perder cinco dos meus oito melhores sócios, que levei anos para conquistar, por causa das suas irresponsabilidades! — meu pai rebate.
— Matteo, no que você está pensando da vida, meu filho? — diz minha mãe, chorando.
— Depois do que aconteceu entre você e Marlene, você vive não sei em que mundo.
Meu filho, esquece isso. Já passou. Viva sua vida, supere, por favor. Eu quero ver você feliz.
— Não, mãe, a senhora está enganada. Ninguém é tão baixo quanto Marlene.
Ninguém passou o que eu passei. E eu não quero falar mais dela.
— Decide, Matteo. Você vai casar ou sair da empresa? — pergunta meu pai.
— Eu estou há anos na empresa, não vou sair.
Prefiro me casar, mas não de verdade.
Quero um contrato por alguns meses e depois nos divorciamos.
— E eu já sei quem será minha noiva. — Falo com um sorriso malicioso no rosto.
— Pâmela vai servir bem para o papel.
— Mas tem que ser uma moça de família, responsável e de respeito — diz minha mãe, firme para não repetir o erro que foi Marlene.
— Affs, ainda exigem! Já estão querendo até festa, pelo amor de Deus.
— Eu e seu pai conversamos e já temos uma candidata — responde ela.
— Você a conhecerá assim que soubermos a resposta dela.
— Agora eu vi tudo, Ter que casar no estilo de 1900, em um casamento arranjado. Era só o que me faltava.
— Vou embora. Essa conversa já deu.
Me despeço dos meus pais e vou para casa.