fim de festa

555 Palavras
A música mudou. Era o sinal. Os convidados começaram a se levantar, formando um corredor de aplausos. Elisa sentiu o coração apertar — não de felicidade, mas de cansaço. Cada sorriso exigia esforço. Cada passo, resistência. Elijah apertou levemente a mão dela. — Só mais um pouco — murmurou. Eles caminharam juntos até a saída do salão. Pétalas foram jogadas. Gritos de felicidades ecoaram. — Viva os noivos! — Sejam felizes! Elijah sorriu. Elisa também. Do lado de fora, o carro os aguardava. Quando a porta se fechou atrás deles, o barulho do mundo ficou distante. Silêncio. Elisa soltou o ar que parecia preso desde o altar. Encostou a cabeça no banco, fechando os olhos. — Você não precisa fingir aqui — ele disse, com a voz baixa. Ela abriu os olhos devagar. — Obrigada. Ele tirou o paletó branco, afrouxou a gravata. Pela primeira vez naquela noite, parecia um homem comum — cansado, tenso, real. — A partir de agora — continuou — ninguém decide nada por você sem passar por mim. Ela o encarou. — Você não tem obrigação nenhuma… — Tenho, sim — ele interrompeu. — Você é minha esposa. E eu não sou como eles. O carro seguiu. --- O voo No avião particular, o silêncio voltou a dominar. Elisa tirou os sapatos, ajeitou o vestido com cuidado. Elijah pediu duas águas, sentou-se ao lado dela sem invadir espaço. — Maldivas — ele disse. — Água azul. Ilhas privadas. Privacidade total. — Parece um sonho — ela respondeu. — Não precisa ser — ele disse. — Pode ser só descanso. Ela apoiou a cabeça no encosto. — Eu nunca descansei de verdade. Ele a observou por alguns segundos. — Então começa agora. Ela acabou dormindo durante o voo. Exausta demais para resistir. Elijah permaneceu acordado. Pensando. Repassando cada palavra que tinha ouvido naquela sala. Cada cláusula do contrato. Cada limite ultrapassado. E decidiu: aquilo ia mudar. --- Chegada às Maldivas O calor era suave. O vento cheirava a mar. O azul parecia irreal. Bangâlos sobre a água. Madeira clara. Vidro. Silêncio. Elisa parou assim que desceu. — É… muito bonito — disse, quase em choque. — É seu — ele respondeu. — Pelo menos por enquanto. Entraram no bangâlo. Um quarto amplo, cama grande, janelas abertas para o oceano. Ela parou no meio do espaço. — Elijah… — respirou fundo. — A gente precisa falar sobre uma coisa. — Eu sei — ele respondeu, antes mesmo que ela continuasse. Ele apontou para o outro lado do quarto. — Tem um segundo quarto. Eu vou ficar lá. Ela piscou, surpresa. — O quê? — O contrato pode dizer muita coisa — ele disse —, mas não diz que eu posso te tocar sem você querer. Ela engoliu em seco. — Obrigada. — Não me agradeça — ele respondeu. — Isso é o mínimo. Ele se virou para sair, mas parou na porta. — Descansa — disse. — Amanhã a gente conversa. Sem contrato. Sem família. Só nós dois. A porta se fechou. Elisa caminhou até a varanda. Olhou o mar infinito à frente. As lágrimas vieram — silenciosas, pesadas. Não era felicidade. Mas, pela primeira vez… era respeito. E naquela lua de mel que não escolhera, Elisa sentiu algo inesperado nascer: Uma trégua. E talvez… o começo de uma aliança real.
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