Cap 13

1304 Palavras
Gustavo narrando Desci pra boca depois de resolver umas paradas no QG. O clima tava meio pesado, meio estranho… e eu já conheço o Vasco o suficiente pra saber quando ele tá com alguma coisa na cabeça. Cheguei e ele tava sentado na mesa dele, com o caderno de fiado aberto, mas com o olhar longe. Parecia que o corpo tava ali, mas a mente dele… tava em outro canto do morro. — O que houve? — perguntei, me jogando na cadeira. Ele nem levantou a cabeça. Continuou rabiscando alguma coisa sem sentido no papel. — Tua irmã veio deixar teu almoço. — respondeu seco. Só isso. E voltou a escrever. Eu estranhei. Laura nunca descia ali na boca principal. Mas também não ia ficar perguntando, porque o Vasco tava com a cara de poucos amigos. Sentei, abri o pote, comecei a comer. Mas não tava descendo direito. O silêncio dele tava me dando gastura. — Aconteceu algo, parceiro? — insisti, observando. Ele fechou o caderno com força. Se levantou devagar, e sem olhar pra mim, soltou: — Nada que eu não possa resolver. O tom dele… Conheço. É o tom de quando ele tá segurando um vulcão por dentro. — Tá certo. — murmurei. Ele só concordou com a cabeça e saiu. Andando rápido, cheio de raiva contida, como se estivesse indo estourar alguma coisa — ou alguém. Fiquei ali na mesa, sozinho, olhando pra porta por onde ele sumiu. Terminei de comer meio desconfiado, porque o Vasco assim… É problema. Problema grande. Saí lá pra fora pra fumar e ver o movimento. As vielas estavam agitadas, o sol batendo forte, vapores correndo pra cima e pra baixo. Foi aí que um deles — o Niltinho, fofoqueiro do c*****o — olhou pra mim e soltou: — Cê ficou sabendo não, Gustavo? Eu franzi o cenho. — O quê, p***a? Ele deu aquela risadinha nervosa de quem sabe que vai soltar uma bomba. Olhou pros lados e sussurrou, mesmo sabendo que a boca inteira tava com antena ligada: — Do que rolou… entre o Vasco e a Laura… Meu sangue GELADO na mesma hora. O cigarro quase caiu da minha mão. Olhei pra cara do desgraçado com uma mistura de choque e ameaça. — Fala DIREITO, Niltinho. — rosnei. — Que papo é esse? Ele levantou as mãos, se fazendo de coitado: — Eu só repeti o que eu ouvi… que ela desceu ontem… e viu ele com outra mina na boca… — E que ela saiu chorando. Meu coração bateu no ouvido. Eu senti a raiva subir como fogo. — E tem mais… — ele completou, quase gaguejando. — Falaram que o Vasco correu atrás dela… Eu travei. A cabeça ficou mil. Laura chorando… Vasco indo atrás… Uma loira no sofá… E minha irmã no meio disso tudo. Meu sangue começou a ferver de um jeito que eu não sentia desde o dia do abuso. — Quem falou isso..? — perguntei entre dentes. Niltinho apontou pro beco, mas eu nem esperei. Já tava descendo a escada correndo, a mente borbulhando. Porque se tem uma coisa que eu não admito… É minha irmã sofrendo. E principalmente: Sofrendo por homem. Ainda mais por um homem que eu respeito como chefe… mas que eu mato se fizer ela derramar uma lágrima por causa dele. E naquele momento, a única coisa que eu sabia era: Eu ia descobrir exatamente o que houve entre Vasco e Laura. Nem que fosse na bala ou no grito. Gustavo narrando Chego em casa a mãe está na cozinha — que cara é essa gustavo? — começa não dona maria - digo e subo pra escada ate o quarto de laura Bato na porta mas não esculto nada, abro e ta vazio desco novamente pra cozinha — cade a laura mãe?? — filho laura saiu com paula! Foi fazer compras. — então ela saiu com a paula, nossa irmã Saio de casa e quando eu tó saindo vasco ta chegando de moto — agente precisa conversar... eu sou teu melhor amigo, tó contigo desdo começo ... tu quer pegar a minha irmã... logo a laura? Digo e ele fica calado! Quando eu falei aquilo, parecia que até o vento parou. O capacete do Vasco ainda estava na mão, a moto quente atrás dele soltando aquele cheiro forte de gasolina. Ele só me encarou. Olhos firmes. Mandava nada, mas dizia tudo. Eu respirei fundo, andando até ele com a raiva subindo igual fogo no peito. — Fala, p***a! — eu soltei, perdendo a paciência. — Tu ficou com a minha irmã? Tu mexeu com a Laura? Ele travou o maxilar, aquele jeito dele quando tá segurando alguma coisa pra não explodir. — Gustavo… — disse baixo. — Não enrola! — cheguei perto, peito a peito com ele. — Eu confiei em tu. Tu sabe da vida que a gente leva. Tu sabe que ela é outra coisa, mano! Tu sabe que ela é diferente! Ele fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, parecia mais cansado do que culpado. — Eu sei, parceiro… — murmurou. — E é exatamente por isso que eu me afastei. Isso me quebrou um pouco. Eu puxei o ar com força. — Então por que fez ela chorar? — a voz saiu mais baixa agora, mais doída do que brava. — Por que deixou ela nesse estado? Ele desviou o olhar pro chão por um instante. — Ela me pegou com a loira… mas não era o que ela pensou. — disse sério. — Eu larguei aquilo ali na hora. Mas ela já tinha visto. E eu não fui atrás porque… — Porque o quê? — pressionei, sentindo o sangue ferver. Ele levantou o rosto e me encarou com uma verdade que eu não tava preparado. — Porque eu não sei ser homem suficiente pra ela, Gustavo. — Eu não sei fazer ela feliz. — E se eu ficar… eu vou acabar machucando ela, igual todo resto do mundo faz. Eu travei. Dois segundos que pareceram uma eternidade. A raiva continuava ali, mas bateu uma confusão. Vasco nunca tinha falado daquele jeito. Nunca tinha se refletido assim sobre nada. — Mas tu gosta dela. — eu disse, não perguntando… afirmando. Ele engoliu seco. — Gustavo… — respirou fundo. — Eu não devia gostar. E isso me irritou mais do que se ele tivesse dito que sim. — Tu não devia? — dei um passo pra trás, rindo de incredulidade. — Tu não devia gostar da minha irmã? Ele ficou duro, sério. Eu continuei: — Sabe o que tu devia não fazer, Vasco? — falei com o dedo no peito dele. — É deixar ela confusa assim. — É se esconder atrás dessa p***a de desculpa pra fugir. Ele apertou a mandíbula, claramente irritado, mas calado. — A Laura é menina ainda, p***a. — minha voz saiu mais baixa. — Ela é inocente. E tu sabe disso melhor do que eu. Se tu mexer com ela… tu vai mexer comigo. Ele levantou o rosto e me encarou com firmeza. — Eu sei, Gustavo. — E por isso eu tô tentando ficar longe. Fiquei alguns segundos respirando pesado. Queria gritar. Queria bater. Queria entender. Queria proteger ela de tudo. Mas eu também conhecia o Vasco. Demais até. Conhecia o pior dele… e também o melhor. Dei um passo pra trás finalmente e soltei: — Se tu quebrar o coração da minha irmã, Vasco… eu juro pela vida que a gente leva que tu vai me encontrar. Ele assentiu, sério, sem medo — mas com respeito. — Eu sei. — respondeu. Eu virei pra ir embora, mas antes de entrar na viela, olhei por cima do ombro. — E se tu não sente nada por ela… — Então por que tu ficou duas semanas sumido? Ele ficou parado. Quieto. Sem resposta.
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