Vittório recebe informações sobre o "Cassino Ferrari"
- Escuta Vittório. O "Cassino Ferrari" abriu com força total, aqui em Veneza.
- Quer dizer que mesmo depois de tirar, o desgraçado do Luigi do caminho, a família não desistiu, de fazer concorrência comigo?
- O pai dele Sr. Federico Ferrari, continua morando no Brasil, mas deixou o cassino nas mãos do seu outro filho, Lorenzo Ferrari.
- Lorenzo Ferrari e eu estudamos juntos. Lorenzo parecia não se importar com os negócios do pai, queria apenas se divertir com as mulheres.
Vitório se recorda dos tempos que estudava com Lorenzo e do quanto ele sempre se destacava entre as Mulheres.
- Olá Lorenzo. Estou esperando você me ligar.
- Desculpe Elena, tenho estudado muito. Esse ano é o último e meus pais têm pegado muito no meu pé.
As garotas mais bonitas da escola se apaixonavam por ele, enquanto Vittório e seu irmão Franco eram ignorados por elas.
Não que Vittório fosse feio, na verdade tinha o mesmo porte físico de Lorenzo e lindos olhos verdes, mas sua timidez o atrapalhava, assim como seu irmão encrenqueiro.
Franco irmão de Vittório tinha uma espécie de síndrome chamada de TEI, que quando o deixava nervoso, sentia vontade de bater em todo mundo, isso afastava as pessoas dele e de seu irmão Vittório.
O transtorno explosivo intermitente (TEI) é uma condição psicológica que consiste em constantes explosões de raiva e comportamentos agressivos. Indivíduos com essa condição não conseguem controlar os seus impulsos violentos e descontam a sua frustração em objetos ou em outras pessoas.
Se sentindo excluído, Vitório tentava se aproximar de Lorenzo, mas ele só andava com seu irmão Luigi, de casa para o Colégio.
Em sala até os professores do Ensino Médio o tinham como queridinho.
- Lorenzo, dez.
- Vittório seis. Tem que estudar mais heim Vittório.
Lorenzo era o melhor aluno da classe, todos os elogios eram sempre pra ele, que se destacava por suas brilhantes notas.
Vittório volta das suas recordações do Ensino Médio.
- Isso ainda é uma regra fundamental para ele. Só ouço dizer que cada semana está com uma mulher diferente.
- Sempre soube que Lorenzo, tem um fraco por elas e não ligava para o Cassino. Por isso mandei que matassem apenas seu irmão.
O ódio e a inveja de Vittório não vêm se hoje, mas só piorou quando não pode abrir um Cassino em Veneza, porque era território de Luigi.
Luigi comandava tudo com braço de ferro e impedia que a concorrência de quem quer que fosse.
Impedido de abrir concorrência Vittório se muda para Sicília onde abre algo menor, mas que atrai jogadores viciados em poker.
- Giovanni Moretti pague-nos o que nos deve ou nos entregue a sua Vinícola.
- A Vinícola não, por favor.
Vittório vai ao escritório de Giovanni que ficava em sua Vinícola, para cobrar-lhe a dívida e vê Júlia passar com sua irmã, entrando em uma sala.
Bastou uma simples troca de olhares para que Vittório nunca mais a tirasse de seus pensamentos.
- Vamos Sr. Giovanni assine logo esse papel passando sua Vinícola para o meu nome.
Sem piedade Vittório tira de Giovanni a única fonte de sustento de sua família.
Vittório havia se tornado num homem frio e calculista, ele havia tentado de todas as maneiras implantar seu Cassino em Veneza, mas Luigi ordenou que deixasse a cidade.
Em Cecília jamais se esqueceu do ódio que sentia por Luigi e na primeira oportunidade manda matá-lo.
- Parece que as coisas mudaram segundo escutei. Todo o sucesso da reinauguração se deu graças a Lorenzo.
- Será que também precisarei acabar com ele?
- Só mais uma coisa Vittório. Lorenzo Ferrari faz agora parte da Máfia.
- Eu já estava sabendo disso, através de uma infiltrada, que eu coloquei no Cassino, desde época do Luigi.
- Tenha juízo, você não poderá mais mexer com ele. A não ser que você queira, que a Máfia toda te pegue.
Vittório escuta tudo, com olhar de ódio fixo, em uma direção.
A mesa é posta bem próxima a piscina, conforme Lorenzo havia mandado.
Ao redor dela foram espalhadas velas aromatizadas e pétalas de rosas.
O jogo de sedução havia iniciado e Lorenzo pretendia pegar pesado.
Giulia o havia roubado o coração, desde primeiro instante que a tinha visto. Por esse motivo, ele precisava deixá-la, perdidamente apaixonada, custe o que custar.
Foram muitas experiências amorosas sem sucesso, vividas por Lorenzo.
Contudo agora, o destino estava lhe dando a oportunidade, de ficar com alguém que realmente deseja.
Giulia era linda e tinha o olhar desafiador e não abaixava a cabeça como às outras mulheres.
Conquistá-la a cada dia, descobrir seus segredos mais ocultos era sua vontade.
Portanto, o que Lorenzo não está contando, é que Giulia resista aos seus encantos.
Lorenzo a aguardava na sala, quando ouve passos descendo as escadas.
- Pensei que não estivesse mais em casa.
- Como soube que eu sairia?
- Sua empregada havia me dito.
- Nossa empregada. Ela também trabalha pra você agora. Está com fome?
- Com muita fome.
- Então me acompanhe.
Lorenzo estende a mão para Giulia.
- Acho que nesse momento não precisamos fingir, que somos um casal.
Mais uma vez Lorenzo sorri e retira sua mão.
- Tudo bem, mas me acompanhe então.
Giulia fica surpresa com o jantar romântico, que Lorenzo mandou que fizessem na beira da piscina.
A estratégia de Lorenzo, não teria escorrido pelo ralo, se o pisca alerta de Giulia, não tivesse sido aceso, após ela olhar a sua volta e deduzir que tudo não passava de um joguete de sedução.
Decididamente ela não iria cair, feito uma virgem desavisada, na armadilha do mafioso.
- Vejo que gostou.
- Sim. Está bonito seu jogo de sedução Lorenzo, mas não espere que eu caia nele.
Agora é a vez de Lorenzo se surpreender, pois apesar de pura, Giulia não se mostrava ingênua.
- Não espero que você caia em nada, apenas sente-se. Vamos nos conhecer um pouco.
Lorenzo olha para o garçom e ele serve à bebida e a empregada as entradas.
- Você estuda Giulia?
- Não mais. Já terminei.
- Em que se formou?
- Me formei em contabilidade e antes que você comece o interrogatório, não pretendo contar-lhe nada de minha vida.
Lorenzo sorri de seu atrevimento.
- Você sempre age assim?
- Assim como?
- Na defensiva.
- Só não quero me expor, só isso.
- Me contar um pouco da sua história não fará com que você se exponha em nada.
- Eu sempre fui bastante reservada com estranhos.
Lorenzo tenta saber um pouco mais sobre o passado de Giulia, mas ela se mantém hostil durante todo jantar.
- Giulia estou tentando facilitar as coisas entre nós.
- Não é o que parece. Quer facilitar para o seu lado somente.
- Não sou culpado, por seu pai ser um viciado em cartas e ter negociado a própria filha, com um mafioso.
- Não é culpado, mas podia ter resolvido as coisas da maneira, que não me fizessem me sentir um objeto.
- Sou um negociante e seu pai me fez perder muito dinheiro. Em outras circunstâncias ele pagaria a dívida com a vida, mas eu quis poupá-lo. Quanto você ser objeto, eu não me lembro de tê-la tratado assim. Pelo contrário estou respeitando seu tempo e limite.
- Respeitando como um lobo faminto é claro.
- Se você prefere me ver como um predador, não posso fazer absolutamente nada, Giulia.
- Não é isso que você é? Um predador e eu sua presa?
Lorenzo coloca os cotovelos na mesa e a encara.
- Se eu fosse um predador que você imagina teria jogado em minha cama logo assim que chegamos a casa.
Sentindo seu rosto ruborizar, Giulia teme que a paciência que Lorenzo diz ter, se esgote por isso resolveu fazer silêncio e continuar o jantar.
Lorenzo por sua vez tenta desestabilizá-la com olhares sedutores que ela ignora o tempo todo.
- Já acabei, podemos entrar?
- Está uma noite linda Giulia, não quer aproveitá-la um pouco mais?
- Não, prefiro entrar.
A preferência de Giulia se deu, devido a todo clima que se instalou ali naquele lugar. Se ela queria vencer essa batalha, precisava se salvaguardar.
Ela entra na frente e Lorenzo a segue admirando-a cada vez mais.
Giulia segue para quarto e Lorenzo a acompanha com o olhar.
Mais tarde Lorenzo pede a empregada para chamá-la outra vez.
- Pois não Sr. Lorenzo?
- Vou para meu escritório, peça Giulia que venha até mim.
- Giulia Lorenzo a aguarda em seu escritório.
- Obrigada. Irei até ele.
Giulia vai até o escritório de Lorenzo, que aguardava com uma caixa na mesa.
- Aqui estão os modelos de anéis, que mandei vir da joalheria mais cedo. Certifique-se se tem algum, que esteja a seu gosto. Na condição de minha noiva, você precisará usá-lo, de agora em diante.
- Tá bom.
Giulia se aproxima de Lorenzo, mas seus cabelos a atrapalha nesse momento e ela os joga para trás.
Como senão bastasse estar hipnotizado, pela beleza daquela mulher, Lorenzo teve agora seu olfato acorrentado, ao cheiro maravilhoso, que vinha de seu pescoço.
Esse gesto delicado, que Lorenzo não estava esperando, fez seu coração bater mais forte dentro do peito.
As estratégias de sedução, que Lorenzo tinha armado contra ela, haviam se voltado naquele momento, todas contra ele.