Pré-visualização gratuita 1- Alice
Alice Narrando
Meu nome é Alice Martins, tenho 28 anos e sou a melhor arquiteta do Rio de Janeiro, pelo menos é assim que me vejo. Desde que me formei, construí uma carreira impecável, assinando projetos luxuosos que estampam revistas e conquistam clientes milionários. Moro em um apartamento no Leblon, com uma vista que me lembra todos os dias o quanto trabalhei para chegar até aqui. Meus cabelos ruivos chamam atenção por onde passo, e apesar da minha altura de 1,60, nunca passo despercebida. Meu corpo é magro, esculpido mais pela correria do dia a dia do que por qualquer outra coisa. Eu adoro viver livremente. Odeio rótulos, detesto obrigações que me prendem. Durante o dia, sou a arquiteta respeitada, impecável, que todos admiram. Mas à noite… bem, à noite sou outra. E é aí que as coisas realmente ficam interessantes.
Ninguém realmente me conhece. Nem meus colegas de trabalho, nem meus amigos, nem mesmo minha família. Para eles, sou Alice Martins, a arquiteta bem-sucedida, a mulher elegante que frequenta os melhores restaurantes, que anda impecável em seus saltos altos e que mantém uma postura irrepreensível. Mas isso é só metade da história. A outra face… essa, ninguém sabe. Nem mesmo os mais próximos.
Quando a noite cai, eu me transformo. Saio dos círculos luxuosos e mergulho nas sombras do submundo. É um jogo perigoso, mas irresistível. Nos bastidores, sou outra mulher. Sem regras, sem compromissos, sem a hipocrisia da sociedade me prendendo. É nesse lado oculto que eu encontro algo que nenhuma de minhas conquistas no mundo da arquitetura conseguiu me dar: adrenalina. O que eu faço exatamente? Bem, isso depende da noite. Às vezes, é apenas uma fuga, um refúgio onde posso ser quem eu quiser, sem que ninguém espere nada de mim. Outras vezes, estou envolvida em algo mais… intenso. Algo que poderia destruir minha carreira, minha reputação, minha vida inteira se viesse à tona. Mas o perigo nunca me assustou. Pelo contrário. Ele me mantém viva.
Eu deveria ter medo. Deveria colocar minha vida impecável acima dessa necessidade insaciável de sentir algo real. Mas a verdade é que, sem essa outra face, eu me sufoco. A perfeição da minha rotina, o brilho das minhas conquistas, tudo isso às vezes me parece vazio, uma grande encenação.
No meu mundo impecável, cada detalhe importa. Os projetos que eu assino precisam ser irrepreensíveis. As reuniões com clientes exigem que eu seja firme, confiante, inabalável. Meu nome é respeitado no meio da arquitetura de alto padrão, e qualquer deslize seria um escândalo. Mas quando a noite chega, eu me permito ser apenas… Alice. E é nesse outro lado que eu conheci Lobo.
Ele não pertence ao meu mundo. Ele é o oposto de tudo que construí, um homem perigoso, intenso, dono de um poder que não precisa de títulos ou diplomas. Um tipo de homem que eu deveria evitar a qualquer custo. Mas a questão é que eu nunca fui boa em evitar o perigo.
A primeira vez que nos cruzamos, eu soube que aquilo seria um erro. O tipo de erro que destrói tudo no caminho. Mas eu também soube que não conseguiria ficar longe. Porque, pela primeira vez em muito tempo, alguém enxergou a verdadeira Alice. Não a arquiteta, não a mulher de negócios. Mas aquela que vive no limite, que deseja sentir cada batida do coração como se fosse a última. E foi assim que eu comecei a jogar um jogo perigoso, onde as regras são distorcidas e a única certeza é que, uma vez dentro, não há como sair ilesa.
A primeira vez que vi Lobo, eu soube que ele era um problema. Do tipo que faz você perder o chão, que te puxa para um lugar onde não existe certo ou errado, só desejo e caos.
Era uma daquelas noites em que minha segunda face precisava respirar. Eu estava em um clube discreto, um daqueles onde as luzes são baixas, a música é intensa e ninguém faz perguntas. Ali, eu não era Alice Martins, a arquiteta impecável. Eu era apenas mais uma mulher em busca de algo que o mundo perfeito que eu construí não conseguia me dar.
Eu estava no bar quando senti sua presença antes mesmo de vê-lo. Um arrepio subiu pela minha nuca, como um instinto primitivo de alerta. Então, eu me virei.
E lá estava ele.
Encostado na parede, um cigarro entre os dedos, olhar predador fixo em mim. Lobo. Eu não sabia seu nome naquela noite, mas ele já sabia o meu. Ele já sabia tudo.
Ele não precisou falar nada. Só um levantar de queixo e um olhar que dizia "vem" foram suficientes. Eu deveria ter hesitado. Mas hesitar nunca foi meu forte.
Me aproximei, como se estivesse sendo puxada para algo inevitável. O cheiro dele era amadeirado, intenso, misturado com um perigo que eu não conseguia resistir.
— Tu não pertence a esse lugar. — A voz dele era baixa, arrastada, carregada de um tom que me fez estremecer.
— E você pertence? — desafiei, inclinando a cabeça.
O canto da boca dele se curvou em um sorriso torto.
— Eu pertenço a qualquer lugar que eu quiser. Mas tu… — Ele deslizou um dedo pelo meu braço nu, fazendo meu corpo inteiro reagir. — tu está brincando com fogo.
Eu dei um passo à frente, me aproximando tanto que senti sua respiração contra a minha pele.
— E se for exatamente isso que eu quero?
Os olhos dele brilharam com algo sombrio, algo que dizia que eu estava cruzando uma linha sem volta.
— Então, gata, espero que saiba no que está se metendo.
Naquela noite, eu não soube. Mas, mesmo que soubesse, ainda assim teria me jogado.
Eu deveria ter recuado. Deveria ter ouvido aquele alerta silencioso dentro de mim, dizendo que Lobo não era um homem comum, que ele não jogava limpo, que ele não pertencia ao meu mundo. Mas a verdade é que, naquele momento, eu não queria o meu mundo.
Queria o dele.
Aquela noite foi o começo de algo que eu ainda não entendia completamente, mas que já me dominava. Depois do primeiro toque, do primeiro beijo, do primeiro olhar trocado em meio ao perigo, eu soube que estava ferrada.
Lobo não era um amante qualquer. Ele não era como os homens bem vestidos e educados com quem eu costumava sair para jantares caros e conversas superficiais. Ele não fazia perguntas desnecessárias. Ele não seguia regras.
Ele me pegou pela cintura naquela noite, me puxou contra o corpo dele e me fez esquecer quem eu era. Naquele instante, eu não era Alice Martins, arquiteta de prestígio, mulher de sucesso com uma reputação a zelar. Eu era apenas uma mulher diante de um homem que exalava poder, mistério e perigo.
Fomos embora antes que qualquer um de nós pudesse pensar demais. O caminho até seu carro foi um jogo silencioso de provocações, olhares intensos e sorrisos carregados de promessas. Ele dirigia rápido, com uma mão no volante e a outra descansando perigosamente na minha coxa. Cada quilômetro percorrido aumentava a tensão entre nós, como um elástico esticado ao máximo, pronto