6- Marreta

1205 Palavras
Marreta Narrando Me chamo Marreta, tenho 31 anos, cabelos pretos e olhos verdes. Meu corpo é magro, mas nada de ficar malhando pra parecer tanque de guerra, não é meu estilo. Eu sou mais do tipo que se cuida, mas sem exagero, sabe? Sempre falei bonito porque morei fora por um tempo, estudei, viajei, vi o que o mundo tem pra oferecer. Mas, no fim, percebi que aquilo não era pra mim. Eu podia ter ficado por lá, ter seguido uma vida diferente, talvez até confortável, mas faltava algo. Algo que só o Rio e o morro me davam. Acabei voltando pra casa e assumi o comando do lugar do meu pai. Ele já não tá mais entre nós, e eu sou o cara que agora tem que manter tudo em ordem. Não é fácil, mas alguém tem que fazer. E, se eu não fizer, quem vai? Aqui, no morro, as regras são outras. Não tem essa de glamour, mas também não falta respeito. Eu sou o comandante, mas o título não define quem sou. O que define é o que eu faço por aqui, o que eu sou capaz de manter. Morro com essa realidade na pele. Eu sou Marreta, e o nome não é à toa. O nome Marreta não é só por causa de como eu lido com as coisas, é pelo impacto que eu tento causar. Quando eu falo, as palavras não caem no chão; elas batem e reverberam. No morro, quem não tem presença não chega a lugar nenhum, e presença é algo que eu construí com o tempo. Não foi fácil, mas nada na vida é, né? Eu vi meu pai fazer a bagunça acontecer por aqui, e aprendi o que precisava para manter tudo nos eixos. Quando ele se foi, a responsabilidade veio junto, e não teve essa de "não sou capaz". Não tem esse luxo quando você é o comandante. Ou você segura a bronca, ou o caos toma conta. E eu não nasci pra ser sombra de ninguém. Claro que tem dias em que a vida no morro pesa. Todo mundo quer a paz, mas a paz é cara demais por aqui. As brigas, as intrigas, os rivais, tudo isso é parte do trabalho. Não é só sobre saber fazer o jogo, é saber quando entrar e quando sair, quando dar e quando pedir. Cada passo é uma aposta. E tem uma coisa que eu aprendi, mais do que qualquer outra, que é como a gente é olhado. Lá fora, sou só mais um cara com passado. Aqui, no morro, cada movimento meu é calculado, é observado. As pessoas sentem o peso do que eu faço, e quem tá comigo, tá comigo de verdade. Não tem muita gente que se arrisca nesse jogo, mas, quando se arrisca, é por inteiro. E é por isso que, no final, o comando do morro não é só sobre o poder que você tem. É sobre quem você é quando ninguém tá olhando. E eu, meu chapa, me olho todo dia e vejo o reflexo do Marreta. Não troco esse cara por nada. Estava na boate, como sempre, observando o lugar. O som estava pesado, as luzes piscando como se o tempo tivesse desacelerado. Eu gosto desse ambiente. A vibe, a energia, tudo aqui é diferente. E foi nessa atmosfera que, de repente, meus olhos pousaram nela. Ela entrou com um passo confiante, parecia flutuar entre as pessoas, mas ao mesmo tempo, não era como qualquer outra mulher que eu já vi por aqui. O jeito que ela se movia, como se o lugar fosse dela. E, pelo menos por um instante, era. Os cabelos dela chamaram minha atenção primeiro. Pretos, como carvão, e os olhos… Ah, os olhos. Verdes. Aqueles olhos não eram fáceis de esquecer. Ela tinha uma aura de poder, mas não era só isso. Era mais profundo, algo nela que me fez querer saber quem era. Na hora, uma parte de mim já sabia que ia acabar cruzando o caminho dela. Como sempre, me senti atraído pelo desconhecido. E eu não sou de deixar nada que me interessa escapar tão fácil. Ela se aproximou do bar, sem nem perceber a quantidade de olhares que a seguiam. Ela parecia estar ali por um motivo, com um objetivo em mente, mas não estava disposta a dar show para ninguém. E eu gosto disso. Fui até lá, me aproximando dela com calma, sem pressa. Eu sou bom no jogo da aproximação. — Boa noite — falei, com aquele tom de quem já tem tudo sob controle. Ela olhou pra mim, mas não com o olhar comum, sabe? Ela não se impressionou. Não estava tentando ser seduzida, e aquilo me intrigou ainda mais. — Boa noite — ela respondeu, mantendo a distância. — Não me diga que não vai me dar nem um sorriso — insisti. Ela me olhou mais uma vez, dessa vez com um leve sorriso nos lábios. Mas eu sabia que ela estava testando. Eu não era o tipo que a abalava fácil, mas isso só me deixava mais interessado. — Depende — ela respondeu, com aquele olhar desafiador. E, no fundo, eu sabia que aquela noite seria diferente. Eu não sabia o que ela queria, mas eu sabia que eu ia descobrir. E, de algum jeito, isso já me dava vantagem. A noite de ontem ainda tava na minha cabeça. A mulher… Ela era diferente. Não era só a beleza, o corpo, o jeito de olhar, de se mover. Era mais do que isso. Ela sabia muito bem o que tava fazendo, sabia se posicionar, se impor. Mas, ao mesmo tempo, quando a gente tava junto, parecia que ela se entregava por completo, como se realmente gostasse de ser dominada. E aquilo mexeu comigo, de um jeito que eu não esperava. Eu não sou de me envolver, não sou de me apegar, mas… Ela tinha algo que me fez querer mais. Mais do que o corpo dela, mais do que a presença. Tinha algo nos olhos dela, uma intensidade, como se ela fosse feita pra quebrar as minhas regras. E, cara, isso me deixou caidinho por ela. Eu vi o jogo dela, vi como ela se movia, como ela testava meus limites. Mas também vi quando ela se entregou, quando deixou claro que também gosta de ser desafiada. E quem me conhece sabe que eu sou bom com isso. Eu adoro um desafio, e, com ela, parece que nunca seria o suficiente. O que mais me pegou, além da química, foi a mistura de poder e vulnerabilidade que ela tinha. Ela sabia comandar a situação, mas, no fundo, gostava de ser conduzida. E isso… Isso mexe comigo, de um jeito que eu não costumo deixar acontecer. Eu tô acostumado a ser o centro das atenções, a ter o controle das coisas, mas com ela… com ela, eu realmente queria ver até onde esse jogo ia me levar. Não era só sobre ganhar ou perder. Era sobre o que ela provocava em mim, o que ela me fazia sentir. Eu sabia que precisava vê-la de novo. E não só porque ela era incrível, mas porque ela despertou algo em mim que eu não costumava mostrar pra ninguém.
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