Capítulo 4
Não almoçou, invés disso leu todos os relatórios e fez anotações.
Quando terminou foi até uma máquina de café que havia no final do corredor, tendo o prazer de saborear lentamente o café no copo pequeno de plástico.
— Que bom que a encontrei, Beatrice – diz Eleonora se aproximando — Preciso que entregue esses papéis para Matteo assinar.
— Sì, signora — Ela pega os papéis, tomando cuidado para não sujá—los com café – Mais alguma coisa?
— No —Eleonora se serve de café — Como está sendo seu primeiro dia com Matteo?
— Não tenho do que reclamar.
— É o que todas disseram no início. Logo conhecerá Matteo Montana — Eleonora se afasta com o copo de café.
Faz o mesmo, após terminar seu café.
Matteo volta do almoço dez minutos depois, pendurado nas costas da cadeira.
— Signora Eleonora pediu que lhe entregasse isto. É para o signor assinar — Ele pega os papéis e uma caneta ao lado, ela sai da sala para deixar alguns papéis na mesa de Christine, referente á outras obras.
— Assistente!— Matteo grita.
No mesmo instante volta para a sala assustada.
— Sì, signor — murmura ao lado da porta.
— Qual é sua função nesta empresa? — Ela mantém os olhos baixo.
— Dar assistência no que precisar, signor.
— E por quê não viu este erro grotesco?!
— Signor...
— Deixe eu deixar claro. Seu trabalho é ler todos os documentos antes de chegar á mim, para falhas como essa não acontecer.
Ela torce os dedos em frente ao corpo.
— O erro com certeza foi do diretor de finanças, signor.
— De Eleonora e seu — Ele joga os papéis em frente aos pés dela — Leve esses papéis de volta e mande concertar. Às contas não batem — Ela pega os papéis espalhados no chão.
— Sì, signor.
Sai da sala se dirigindo para a sala de Eleonora, com Christine observando tudo com um sorriso nos lábios.
— Licenza, signora – diz ao abrir a porta.
Eleonora digitava algo no computador.
—Pode entrar, Beatrice.
Entra parando em frente á mesa.
— Signor Matteo pediu que devolvesse, às contas não batem — Eleonora a olha, pegando em seguida os papéis e lendo—os.
— Céus! — exclama num suspiro — O.k. Vou resolver isso. Está tudo bem? — Ela olha para os olhos vermelhos dela.
— Sì – Sai da sala, respirando fundo antes de voltar para a sala de Matteo, contendo a vontade de chorar.
Durante o restante do dia Matteo dá ordens que a segue á risca.
Pouco antes do fim do expediente, termina de avaliar um projeto, levantando para vestir o paletó.
— Coloque na agenda como lembrete o almoço de amanhã com Ariella.
— Ariella....? – Beatrice pega a agenda rapidamente em meio algumas pastas marrom.
— Santoro — Ele pega a maleta saindo da sala.
Ela anota, arrumando suas coisas em seguida.
Havia alguns projetos que teria que levar para casa, o que a deixava feliz, pelo menos teria algo para ocupar a mente.
— Até amanhã, Beatrice — diz Christine quando sai da sala, equilibrando ás pastas em um de seus braços.
Dominic cochilava no sofá quando entra em casa.
Caminha até a escada sem fazer barulho, segurando os saltos na mão. Colocando a cadeira contra a maçaneta da porta de seu quarto, deixa às pastas e a bolsa no chão, para só então tirar o casaco e dobrar às mangas da camiseta social.
Senta no chão iniciando sua leitura, adormecendo ao ler metade dos relatórios.
Na manhã seguinte acorda com batidas violentas na porta.
— Sei que está aí! — Dominic grita — Não está cumprindo com seu acordo. Não irá demorar para acertamos nossas pendências.
Ela levanta quando o escuta sair de casa e conversar com um vizinho.
Pela janela o vê partir, fumando um cigarro.
Olhando o relógio do celular, constata que faltava duas horas para seu expediente começar. Não hesita em destravar a porta e ir para o banheiro.
Estava disposta em chegar mais cedo que Christine.
Celly varria a calçada quando sai de casa.
— Pelo jeito conseguiu o emprego — ressalta sorridente.
—Graças á signora – Beatrice ajeita às pastas contra o peito.
— Não precisa agradecer, está bem, ragazza?
— Como quiser.
— Tenha um bom dia.
Sorri para o recepcionista ao entrar na empresa, passando com dificuldade pela catraca. Sorrindo para si, quando às portas do elevador abre e nota que Christine não havia chegado.
Pegando um copo de café, senta—se, para terminar de ler os últimos relatórios.
— O que já faz aqui? — Christine pergunta meia hora depois.
— Sou assistente do signor Matteo, não sou? Então — levanta entrando na sala de Matteo.
Matteo chega pouco tempo depois, erguendo uma sobrancelha ao encontrar Beatrice sentada no sofá.
— Buongiorno, signor — diz levantando — Avaliei o projeto da avenida perto do bairro Monti. Há apenas algumas irregularidades que os construtores precisam arrumar para iniciar á construção.
Coloca um projeto em frente á Matteo, que o pega com o cenho franzido.
— E o contrato do Warren?
— Está aqui, signor — Ela entrega outro papel — Se me permite dizer, a cláusula cinco é um pouco rude. Não podemos espantá—lo.
Matteo a fita por alguns segundos, voltando a atenção para os papéis em sua frente.
— E mais tarde tem almoço com a signora Ariella Santoro – lembra, cruzando os braços em frente ao corpo.
Ele a olha novamente, estreitando os olhos com os lábios numa linha reta.
— Vou buscar a planilha de finanças – diz por fim, quebrando o silêncio. Soltando o ar dos pulmões ao sair da sala, caminha até a mesa de Christine em busca da planilha.