Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Finalmente setembro havia chegado, a família Diggory estava contente, pois havia recebido uma carta de Hogwarts durante o verão, informando que seu herdeiro Cedrico seria o mais novo monitor chefe da lufa-lufa.
Os pais do garoto ficavam cada vez mais entusiasmados com as conquistas do filho, que acabara de completar dezesseis anos e só dava orgulho à família.
— Bom dia, querido — disse a senhora Diggory ao ouvir o garoto entrar na cozinha.
— Bom dia, mãe. O papai já foi? — Sentou-se na mesa para saborear seu café da manhã.
— Ainda não, ele quer te levar à estação.
— Por que?
— Ah querido, conhece seu pai, ele adora ficar comemorando seus feitos. — A loira sorriu, não estava nenhum pouco errada, o que mais Amos Diggory gostava de fazer era exibir o filho aos colegas, sentia orgulho em dizer que era seu pai.
— De novo? — Riu fraco.
— Eu tentei convencê-lo a não ir, mas é como falar com uma rocha.
— Tudo bem, mãe.
— Bom dia família! Bom dia, filho, está animado? — perguntou Amos sentando-se à mesa.
— Bom dia, bastante para falar a verdade. Não vai se atrasar para o trabalho?
— Não se preocupe, chegarei a tempo.
Após um agradável café da manhã, pai e filho se dirigiam para a estação de King’s Cross onde o rapaz já estava acostumado a embarcar todos os anos para Hogwarts.
— Veja só essas coisas brilhantes, filho — disse o senhor Diggory referindo-se a algumas televisões que exibiam comerciais. — Os trouxas estão cada vez mais espertos, não? O que falta criarem?
— Ouvi dizer que é como um rádio, só que as pessoas aparecem.
— É intrigante. — Amos se distraiu, logo à frente reparou uma grande família de ruivos que atravessavam a passagem 9 3⁄4. Imediatamente reconheceu quem eram — Bom dia, Molly.
— Bom dia, Amos. — A senhora sorriu — Como vão as coisas?
— Está tudo ótimo, Arthur veio te acompanhar?
— Ah não, estou ajudando as crianças a atravessarem, se depender deles, perdem o trem. — Riu fraco enquanto via os gêmeos sumirem entre as paredes.
— Entendo, normalmente Cedrico vem sozinho, mas esse ano é especial.
— Aconteceu algo? Eles crescem muito rápido.
— Ele será monitor chefe esse ano. — Sorriu vitorioso.
— Parabéns querido! Dumbledore não poderia ter escolhido melhor. — Sorriu para o garoto que estava completamente desconfortável com a situação.
— Obrigado, senhora Weasley.
— Que isso! Me chame de Molly, lembro-me quando te peguei no colo, sempre foi muito inteligente. — O rapaz sorriu tentando ignorar as bochechas rosadas por conta da timidez.
— Obrigado.
— Bom filho, eu preciso ir ou vou me atrasar — disse o senhor Diggory abraçando o filho. — Não esqueça de mandar cartas nos contando como estão as coisas, certo?
— Pode deixar, papai. — Retribuiu.
— Cedrico pode acompanhar a Gina até as cabines? Sei que os garotos prometem cuidar dela, mas quase a deixaram no expresso ano passado e depois do que aconteceu... — Suspirou.
— Claro, sem problemas. — Sorriu para a garotinha ruiva que tinha as bochechas na mesma tonalidade do cabelo.
Todos se despediram novamente e Cedrico atravessou a passagem, ficou um pouco mais afastado esperando a pequena Gina aparecer para a ajudar com as malas.
— Está tudo bem? — A ruiva assentiu e sorriu — Eu sei que posso parecer chato, mas sua mãe está preocupada, entende o porquê espero que fique dentro do trem, não?
— Sim.
— Vamos lá, vou te ajudar com essas malas.
Os bruxos caminharam até uma parte mais distante do trem, todos estavam empolgados, pais, filhos, animais... a estação nunca esteve tão lotada. Logo que os bruxos entraram no trem, Cedrico caminhou com Gina pelas cabines a ajudando a encontrar um local, de longe a ruiva avistou Hermione e acenou.
— Acho que agora está segura. — Diggory sorriu amigavelmente.
-- Obrigado Cedrico.
-- Sem problemas. — A garota caminhou até a castanha e entraram na cabine. “Trabalho feito”, pensou o rapaz indo para a cabine que costumava ficar.
Em poucos minutos caminhando ouviu uma gritaria vindo de uma das cabines dos lufanos, os rapazes riam com a situação e as garotas pareciam furiosas.
— Você pegou! — gritou uma garota morena de cabelos enrolados.
— Não peguei não! Estava com Joene — retrucou uma garota loira.
— Para de brincadeira Brenda e me devolva.
— O que houve? — perguntou Cedrico a um garoto um pouco mais novo que ele.
— Parece que a Brenda pegou a varinha da Emma e escondeu.
Cedrico encarou as crianças brigando e olhou em volta do corredor, às poucas cabines de onde estava, uma lufana gargalhava com a situação. Ele a observou por pouco tempo e reparou que ela segurava uma varinha, Cedrico respirou fundo e foi até a morena.
— Brincando com crianças indefesas, senhorita Peterson?
— Lá vem o salvador da pátria, estou apenas me divertindo Diggory.
— Vamos, me devolva. — Estendeu a mão.
— Não mesmo! Estou adorando o circo.
— Fala sério, são apenas garotinhas, por que não mexe com alguém capaz de se defender?
— Você é muito chato, sabia? — Revirou os olhos.
— Obrigado. — Sorriu debochado e voltou para a cabine onde havia muitos gritos e risadas — Meninas, parem! A varinha estava no chão lá fora, não é essa?
— Sim! — A cacheada sorriu — Obrigado.
— Viu só? Eu falei que não peguei. — Diggory suspirou derrotado, sabia que não conseguiria acalmar as garotas e resolveu procurar uma cabine, já que estavam quase todas cheias.
— Viu? Não adiantou — disse Catarine vitoriosa acompanhando o loiro.
— Logo elas param de discutir.
— Sabe muito bem que isso não é verdade. — O garoto parou de caminhar fazendo a garota quase esbarrar em suas costas.
— O que está fazendo? — A encarou.
— Como?
— Por que está me seguindo?
— Não estou te seguindo, o mundo não gira ao seu redor! Estou indo para a minha cabine.
— Não seja infantil, Ane.
— Não me chame assim!
— Você gostava quando éramos crianças.
— Mas não somos mais crianças, Diggory! Isso nem faz sentido, eu me chamo Catarine.
— Se tirar o “ri” fica Ane! — Teimou provocando a garota que bufou.
— Não vou perder meu tempo com isso! Com licença. — A morena passou pelo rapaz o fazendo rir com sua reação, desde pequeno ele sabia como deixar ela brava.
Após algumas horas de viagem todos chegaram à Hogwarts, os novatos foram separados dos demais alunos. Cedrico cumprimentava todos seus amigos, todos ficaram em silêncio somente quando Dumbledore anunciou que a cerimônia do chapéu seletor começaria.
— Margarida Burnstrong. — Minerva anunciou o primeiro nome e uma garota pequena caminhou até o palanque.
— Sonhadora, de um intelecto admirável! Lufa-lufa. — Todos a aplaudiram.
Antes que a cerimônia pudesse terminar, todos foram interrompidos com o zelador Filch adentrando o salão segurando dois alunos, a senhorita Peterson e Henry Avery, um garoto da sonserina. O velho sussurrou algo no ouvido do diretor que mandou os alunos sentarem-se.
— Velho i****a! — Catarine sentou ao lado dos outros lufanos.
— Vai piorar sua situação se ficar xingando o Filch — disse Susana Bones para a colega.
— Eu não ligo, ele me atrapalhou.
— O que estavam fazendo? — A ruiva encarou a garota, sequer notaram Cedrico totalmente interessado na conversa.
— Nada demais. — Cedrico riu fraco e continuou ouvindo os recados do diretor.
— Este ano se iniciará a nossa nova turma de monitores chefes, os alunos convocados, por favor apareçam amanhã de manhã na primeira reunião. Tenham um ótimo jantar.
— Vai tentar entrar para o quadribol esse ano? — perguntou Justino ao loiro.
— Ah, esse ano não. Fui convocado para ser o monitor chefe desse semestre.
— Sério? Parabéns.
— Obrigado, espero conseguir dar conta deste cargo.
— Claro que vai.
Após o jantar, todos foram para sua comunal, o dia começaria cedo para o senhor Diggory. Que não hesitou em dormir, havia acordado cedo para a viagem até a escola.
O loiro acordou, tomou um banho rápido e foi para a primeira reunião dos monitores a qual havia sido avisado. O sol sequer havia nascido, mas os alunos já estavam todos reunidos à espera dos diretores de suas casas.
— Bom dia, sentem-se. Por favor — disse Minerva, enquanto outros três professores a acompanhavam.
— Sejam todos bem-vindos ao nosso novo ano letivo — disse a senhora Sprout sorridente.
— Parabéns a todos que foram convocados para o cargo de monitor chefe, espero que todos entendam a responsabilidade que estamos confiando à vocês! Não vamos tolerar desordem e desobediência, vocês devem ser o exemplo dos demais alunos — disse Severo sem demonstrar sentimento.
— Vocês deverão auxiliar os novos alunos, guiá-los durante os passeios por Hogsmeade os monitores devem ajudar nessa atividade — disse Minerva. — Poderão dar advertências ou até mesmo detenção para o aluno que for pego cometendo algum delito.
— Receberão uma cópia das regras e como lidarem com a situação — completou o professor Flitwick.
A reunião prosseguiu por quase uma hora, até o horário do café da manhã. Antes que o loiro deixasse a sala, a professora Sprout o chamou.
— Senhor Diggory, por favor.
— Posso ajudar, professora?
— Pode me acompanhar? O diretor Dumbledore gostaria de falar conosco.
— Sem problemas. — O rapaz sorriu e esperou a professora terminar algumas coisas e a acompanhou até a sala do diretor.
— Com licença, diretor Dumbledore. — Professora Sprout bateu na porta anunciando sua chegada.
— Ah sim, professora! Chegou em uma ótima hora. — Cedrico reparou que Catarine estava sentada em uma das cadeiras que ficavam em frente à mesa do diretor — Senhor Diggory! Obrigado por vir.
— Sem problemas, diretor. — Os dois cumprimentaram-se com um aperto de mão.
— Sente-se, por favor. — Sorriu amigavelmente — Ontem à noite tivemos um pequeno problema com a senhorita Peterson, e infelizmente é algo que está se tornando recorrente. Punições comuns não estão funcionando, então a professora Sprout e eu decidimos não a punir como de costume.
— Bom, senhor Diggory, nós o chamamos aqui porque queremos sua ajuda. Agora que será o monitor chefe, terá uma grande responsabilidade. E bom, gostaríamos de lhe fazer um pedido — disse a senhora Sprout.
— Como as notas da senhorita Peterson vem caindo cada vez mais, gostaríamos que o senhor a ajudasse com algumas matérias. Tudo bem? — perguntou o diretor Dumbledore empolgado.
— Claro, sem problemas — disse amigavelmente.
— A punição da senhorita Peterson também está envolvida com as suas atividades de monitor chefe — disse a senhora Sprout enquanto anotava algumas coisas.
— Quais? — A garota suspirou, estava extremamente desconfortável com a situação a qual a submeteram. Talvez ficar escondida com Henry Avery no armário das vassouras não fosse uma ideia tão boa.
— Catarine o ajudará a fazer as patrulhas noturnas durante dois meses — respondeu Dumbledore ao rapaz. — Tudo bem?
— Sim, se ela estiver de acordo. — Cedrico encarou a morena ao seu lado.
— Senhorita? — Professora Sprout chamou sua atenção.
— Tenho opção?
— Não.
— Tudo bem.
— Bom, não queremos atrasá-los para o café. Podem ir — disse Dumbledore sério. — Obrigado senhor Diggory.
— Sem problemas, se precisar pode me chamar.
Os alunos não questionaram mais nada e desceram as escadas em silêncio, deixando a professora e o diretor sozinhos para trás. Cedrico Diggory limpou a garganta para chamar a atenção da garota.
— O que fez para deixar eles tão chateados assim?
— Não é da sua conta, Diggory.
— Fala sério, por que está agindo dessa maneira? — O rapaz parou de caminhar e a encarou.
— Olha, só vou fazer a patrulha com você porque estão me obrigando. Não pense que somos amiguinhos.
— Eu te conheço, Catarine.
— Você acha que conhece. — Suspirou e entrou no salão principal, deixando o rapaz falando sozinho.
(...)
As aulas haviam passado rápido, a maioria era apenas uma introdução ao conteúdo que seria estudado. Cedrico passou a tarde no quarto lendo as regras a qual um monitor chefe deveria seguir.
Logo a noite chegou, após o jantar o rapaz encontrou com a senhorita Peterson na saída da comunal da lufa-lufa.
— Pensei que deveríamos fazer algo mais legal do que caminhar — reclamou.
— Estamos fazendo algo, se encontrarmos alguém damos uma advertência e os mandamos para a comunal. Nada além disso.
— Isso é chato.
— Deveria pensar antes de fazer bagunça.
— Eu não fiz bagunça, se não fosse aquele velho xereta eu não estaria aqui. — O rapaz riu fraco e continuaram em silêncio
— Está ouvindo isso?
— Como?
— Escute. — O rapaz parou de caminhar e prestou atenção nos barulhos que vinham de um armário que estava a poucos metros.
— Está vindo ali da frente. — O rapaz aproximou-se com calma e lançou um feitiço contra a porta, a fazendo abrir.
Logo o casal que estava dentro do armário assustou-se com a porta se abrindo de repente. Henry Avery e uma garota loira saíram de dentro do local
— Com certeza não deviam estar aqui! — disse Cedrico firme. — Os dois receberão uma advertência, senhor Avery e senhorita Brown.
Catarine encarava o sonserino sem acreditar no que estava vendo, durante todo o verão o rapaz prometeu amor eterno para a lufana e agora estava agarrando outra menina dentro do armário de vassouras.
— Só estávamos conversando — disse Henry cínico.
— Eu imagino, podem tentar explicar para o professor Snape.
Os alunos saíram da frente do monitor chefe e seguiram caminho para suas comunais.
— Vamos? — perguntou Cedrico.
— Ah? Vamos.
— Está tudo bem?
— Sim, por que não estaria? — Suspirou andando mais para frente tentando não demonstrar o quanto estava triste com a situação.
— Nada, vamos. — O loiro preocupou-se com a garota, mas não faria perguntas, pois sabia que não adiantaria.
Mesmo tentando disfarçar, Catarine não conseguiu conter algumas lágrimas que deixou escapar, estava agradecendo a cada segundo por sua varinha não clarear o suficiente, odiava a ideia de alguém a ver dessa maneira, fraca e sensível.
— Eu preciso ir ao banheiro — murmurou.
— Vamos descer, tudo bem usar o banheiro do segundo andar?
— Sim.
— Pensei que tivesse medo da Murta. — Sorriu lembrando-se de seu primeiro ano quando a garota foi desesperada pedir ajuda ao amigo.
“(...)
— Cedrico me ajuda! Me ajuda! — disse Catarine enquanto corria e chorava desesperadamente.
— O que houve Ane? Alguém te machucou?
— Tem uma menina no banheiro! Ela está querendo me bater.
— Qual o nome dela? Vamos contar aos professores.
— Você não entende, ela está morta. Não vão fazer nada.
— Está brincando comigo?
— Não, eu te mostro. — A garotinha o puxou pela mão e saiu correndo em direção ao banheiro do segundo andar.
Assim que chegaram, Murta gritou com as crianças. Mesmo estando com medo Cedrico não demonstrou para a amiga, não deixaria ninguém machucá-la.
— Esse é o meu banheiro! Saiam já — gritou a fantasma.
— Não! O banheiro é da escola, todas as garotas podem usar. — O garoto revidou.
— E você é uma garota? Não, saia.
— Eu sou Cedrico Diggory! Nunca mais vai tratar a Ane assim.
— Saia daqui seu garoto intrometido, ou eu vou... persegui-lo.
— Eu te deixo petrificada.
— Não faria.
— Tente a sorte. — A fantasma gritou e escondeu-se dentro de uma das cabines.
— Obrigado, Cedrico. — Os amigos abraçaram-se e comemoraram que a garota saiu do banheiro.”
— Ela é só uma garota boba.
— Não pensava assim quando éramos crianças.
— Já te disse Cedrico, nós não somos mais crianças. — Entrou no banheiro chorando — i****a! Sua tola, por que foi se deixar levar? — Lavou seu rosto na pia e o secou com calma.
— Está tudo bem aí? — perguntou Cedrico abrindo um pouco a porta.
— Sim, já estou indo. — A garota saiu do banheiro e continuou o trajeto.
— Está bem mesmo?
— Sim, não finja se importar com isso.
— Somos amigos, Ane.
— Não, nós não somos.
— Se você acha.
Após algumas horas de patrulha, os jovens retornaram à comunal da lufa-lufa e subiram para seus quartos sem ao menos se despedirem.
Cedrico não sabia o que havia acontecido com a garota meiga que conheceu durante seu primeiro ano em Hogwarts. Agora ela vestia uma armadura grande e dura demais para ser descoberta.