A manhã logo chegou e com ela o sol que iluminava todo o quarto do lufano, Cedrico estava exausto a patrulha com certeza foi até mais tarde do que ele esperava ser.
Sua primeira aula seria de transfiguração, reclamou um pouco antes de levantar, mas sabia que a professora Minerva não iria tolerar atrasos, ainda mais porque essa seria sua primeira aula do ano.
— Bom dia, classe. Nos seus lugares, por favor — disse Minerva com uma voz rígida. — Para alguns essa é a primeira aula de transfiguração, mas para outros será apenas uma revisão! Suas turmas serão separadas ainda essa semana.
— Ah, desculpe o atraso. — A atenção de todos foi voltada para a lufana que estava em pé na porta.
— Francamente, primeira aula do ano e a senhorita se atrasa, senhorita Peterson — resmungou.
— Eu perdi o horário, não vai mais acontecer.
— Use um despertador! Precisa de ajuda para encontrar o seu lugar? — A encarou severamente.
— Não senhora. — A morena caminhou até a última carteira e sentou-se ignorando todos os olhares que a acompanhavam.
— Como eu vinha dizendo, a transfiguração nada mais é do que a...
— Você está péssima — comentou Josele encarando a amiga.
— Obrigado por me lembrar.
— Aconteceu algo?
— Nada que seja importante.
— Mas te deixou dessa maneira, eu posso ajudar?
— Não.
— Com licença, as senhoritas gostariam de vir aqui na frente explicar o conteúdo? Creio que saibam muito bem como fazer transfigurações, já que não estão prestando atenção em minha explicação.
— Desculpe professora — responderam em conjunto e ficaram em silêncio durante o restante da aula.
— Me tragam na aula da próxima semana um pergaminho explicando como funciona a transfiguração e o que podemos fazer usando essa magia. Quero que me tragam algum objeto ou animal como exemplo para demonstrar a todos! Para não ficarem tão sobrecarregados farão esse projeto em duplas, deixe-me ver. — Pegou uma lista de nomes que estava em sua mesa e disse alguns sobrenomes ao acaso — E por fim, senhor Diggory e senhorita Peterson.
— Ótimo! — Catarine revirou os olhos guardando seus livros e logo deixou a sala para sua próxima aula.
— O que ela tem? — perguntou Cedrico caminhando ao lado de Josele.
— Ela não me disse, na verdade ela quase não me contou nada. Mas vocês estavam juntos ontem, não?
— Sim, fizemos a monitoria, mas não é como quando éramos mais novos.
— Isso eu não posso confirmar, só faz dois anos que me transferi.
— Garanto que ela era mais divertida.
— Eu acredito, qual a sua próxima aula?
— Poções e você?
— Voo!
— Pensei que tivesse medo. — O rapaz a encarou confuso.
— E tenho! Essa é a graça.
— Você é maluca.
— É um charme, até mais tarde.
— Até.
Cedrico logo chegou à sala de poções que ainda estava um pouco vazia e esperou até que o professor Snape chegasse com toda a sua animação para a aula.
A manhã logo passou, todos os alunos estavam no salão principal para fazerem sua segunda refeição do dia, já que a maioria não teriam aulas durante à tarde.
— Diggory? — Ane chamou a atenção do rapaz.
— Sim?
— Podemos começar aquele trabalho depois do almoço? Não quero que dure mais do que realmente precisa.
— Sem problemas, na biblioteca?
— Óbvio. — Revirou os olhos e continuou fazendo sua refeição.
— Não sei como aguenta. — Um garoto ruivo perguntou o encarando.
— É o charme dela. — Diggory riu fraco e levantou-se para ir até a sua comunal.
Cedrico esperou alguns minutos até ir ao encontro da lufana na biblioteca, sabia que seria uma guerra Catarine o ajudar mesmo que a iniciativa de começar o trabalho tenha sido da própria garota.
— Olá.
— Oi.
— Está tudo bem? — perguntou o rapaz referindo-se aos olhos vermelhos da garota.
— Sim, Diggory. Por que não estaria?
— Está com cara de choro — murmurou a analisando.
— Viemos aqui para estudar. — Abriu seu livro o ignorando.
— Sabe que pode contar comigo, não? — A morena o encarou e gargalhou.
— Sério isso? O santo Diggory querendo ajudar alguém, não me venha com esse papo de ajuda.
— Éramos amigos, sabe que quero o seu bem.
— Exatamente! Éramos, não somos mais. Qual animal quer usar para praticar? — O loiro suspirou e abriu seu livro.
— Podemos usar camundongos.
— Credo, não mesmo.
— Qual o problema?
— São nojentos, que tal um sapo? Um pássaro?
— Onde vamos arrumar um pássaro?
— Hogsmeade, você pode muito bem ir comprar no final de semana.
— Não mesmo, eu preciso vigiar os novos alunos. Por que você não vai?
— Não estou afim.
— Então usaremos os ratos — avisou anotando em seus papéis.
— Não! Para com isso. — Revirou os olhos — Eu vou com você.
— Ótimo. — Sorriu convencido.
— Não faça essa cara.
— O que? — Riu fraco.
— Você sabe do que estou falando, sempre faz essa cara de quem sabe tudo.
— Mas eu não fiz nada.
— Sabe o que fez e está fazendo de novo.
— Você é maluca, sabe disso, não?
— Vá se danar, Diggory. — Riu baixo.
— Ao menos te fiz sorrir. — A garota fechou os lábios de pressa e o encarou brava.
— Não fez não.
— Boba.
Logo os lufanos pegaram seus pergaminhos e cada um escreveu sua introdução, às vezes usando o auxílio dos livros ou até mesmo de suas anotações. Catarine parou um pouco antes de escrever e ficou analisando o rapaz enquanto ele escrevia sem parar.
— Está errado.
— Como? — A encarou.
— No trecho sobre comida, não podemos transformar nada em comida apenas multiplicar o que já temos.
— Como sabe disso?
— Eu estudo, não sou apenas um rostinho bonito.
— Sim, também é convencida. — O garoto passou sua varinha por cima do trecho que errou e voltou a escrever.
— Sua letra é h******l. — Sorriu tentando provocar o garoto.
— Vindo de você, isso é elogio.
— Palhaço.
— A sua também não é das melhores, Ane. — Sorriu cínico.
— Não me chame assim — ordenou enquanto enrolava seus papéis.
— Por que está na defensiva? — Cedrico a encarou esperando sua tinta secar.
— Como é?
— Sabe muito bem do que estou falando. O que eu te fiz? Até nossos doze anos vivíamos grudados, depois do verão você sequer me olhou. Por quê?
— Nada, você não fez nada. — A morena pegou suas coisas visivelmente irritada e deixou o lufano para trás sem explicar nada.
Cedrico suspirou e guardou suas coisas, a tinta não demorou muito tempo para secar, ele enrolou seu pergaminho e o guardou em sua bolsa.
Já se faziam quase quatro anos desde que ele e a senhorita Peterson tinham uma amizade de verdade, sempre gostaram de estar na companhia um do outro mas algo naquele verão fez com que se afastasse até então.
Os corredores vazios anunciavam que já era hora de todos estarem dormindo, em poucos minutos a patrulha começaria, Cedrico esperava impaciente no salão comunal da lufa-lufa, por um momento até pensou que a garota não iria cumprir com suas obrigações durante essa noite.
— Finalmente! Por que demorou tanto?
— Não lhe devo satisfações, Diggory.
— Vamos logo, por favor.
O rapaz abriu a porta e segurou para a garota passar. A caminhada estava mais estranha do que a da noite passada, qualquer um podia ver o quão Catarine estava desconfortável com a situação, mesmo que Cedrico tentasse amenizar a situação.
— Peterson?
— O que?
— Me desculpa?
— Como? — Parou de caminhar prestando total atenção no garoto.
— Eu não sei o que te fiz antes, e sei que não quer falar sobre. Mas mesmo assim, sinto que devo me desculpar.
— Já disse, você não fez nada — continuou caminhando lentamente torcendo para que a cena que viu ontem não se repetisse.
— Então por que parou de falar comigo?
— Estávamos em momentos diferentes.
— Diferentes como?
— Você tinha acabado de conseguir entrar para o time de quadribol e estava feliz com seus novos amigos. Só não quis te atrapalhar com meus problemas bobos. — Suspirou.
— Como? Você nunca me atrapalhou e sabe disso, porque pensa assim? — A parou na escada deixando a garota sem passagem.
— Não importa. — Tentou sair por baixo de seu braço, mas o garoto a impediu.
— Ane! Me conta o que eu fiz?
— Cedrico me deixa sair.
— Só depois que me contar o que houve. — A morena fechou os olhos e respirou fundo.
— Por favor. — Cedrico acariciou seu cabelo e suspirou.
— Tudo bem. — Catarine abriu seus olhos que estavam marejados, Diggory não pensou duas vezes antes de puxá-la para seus braços e a abraçar forte — Não quero te ver assim.
— Eu te odeio por me deixar assim. — Ergueu os braços e retribuiu o abraço.
Fazia tempo que Catarine havia se sentido protegida, desde a grande tragédia que aconteceu em sua família quando tinha apenas doze anos. A garota suspirou e apoiou sua cabeça em seus ombros.
— Diggory?
— O que?
— Pode me soltar?
— Ah, me desculpa. — A soltou e sorriu — Está melhor?
— Vamos logo, Diggory.
(...)
O final de semana chegou mais rápido do que todos pensaram, Catarine se arrumava em frente ao espelho. Mesmo estando sol lá fora o vento estava gelado, fazendo com seus pelos arrepiarem.
— Onde vai? — perguntou Josele, enquanto separava suas roupas.
— Vou à Hogsmeade, preciso comprar um pássaro com o Diggory.
— Tipo um encontro? — Sorriu encarando a amiga.
— O que? Claro que não, só vou ajudar com a vigia dos novos alunos.
— E está há quase duas horas na frente desse espelho apenas para vigiar algumas crianças?
— Não, só estou procurando uma roupa confortável, nada demais.
— Hum... gosta dele?
— Está ficando maluca? Éramos amigos e só estou indo porque ele me obrigou.
— Vamos fingir que eu acredito, certo?
— Você me irrita. — Revirou os olhos e saiu do quarto.
Cedrico estava tentando organizar os alunos em filas para poderem ir até Hogsmeade. Já não sabia mais o que fazer para mantê-los em ordem.
— Você é péssimo nisso, Diggory.
— Estou dando o meu melhor, Catarine.
— Atenção! — A morena gritou — Se não ficarem quietos e em ordem, eu vou azarar todos vocês.
— Ane.
— Quieto, Diggory. O que estão esperando? Andem logo. — Os alunos apenas obedeceram e Cedrico riu fraco.
— Obrigado. Quero que todos me encontrem na entrada de Hogsmeade às três horas. Se não me encontrarem podem ir com os outros monitores.
Logo todos se organizaram e acompanharam os lufanos em silêncio, mesmo que não acreditassem que a senhorita Peterson fosse realmente atacá-los não quiseram testar a paciência da garota. Os alunos espalharam-se pelo vilarejo, alguns visitando pela primeira vez e outros indo apenas para tomarem uma cerveja amanteigada.
— Qual pássaro vamos comprar?
— Você quer realmente passar todo o seu sábado escolhendo um pássaro bobo? — Ane o encarou séria.
— E o que quer fazer?
— Comprar e voltar para o castelo, como combinamos.
— Não quer tomar uma cerveja amanteigada?
— Eu não gosto.
— Ah, por favor. Lembra que sempre queríamos provar juntos?
— Isso já faz tempo.
— Por favor?
— Você não vai parar, não é?
— Não mesmo. — Sorriu fraco.
— Apenas uma.
Em poucos minutos os lufanos chegaram no três vassouras, Cedrico abriu a porta e segurou dando passagem para a morena.
— Bom dia, o que vão querer? — uma senhora chamou a atenção dos jovens.
— Duas cervejas amanteigadas, por favor. — Cedrico sorriu para a senhora que retribuiu — Então, senhorita Peterson, o que tem feito além de importunar crianças?
— Sério? — Suspirou — Estou estudando para os testes finais no próximo ano.
— E o que mais?
— Nada demais.
— Seus pais, como eles estão?
— Ah, estão bem. — Sorriu um pouco desconfortável.
— Quer conversar sobre o que aconteceu com o Henry?
— Não aconteceu nada com o Henry.
— Sem essa, me conta.
— Com licença. — A senhora colocou os copos sob a mesa.
— Obrigado — disseram em conjunto.
— Então? — Cedrico a encarou.
— Ah... — Bufou — Nós ficamos durante o verão, ele falou até em namoro. E graças ao Avery estou de castigo durante dois meses.
— O que ele fez?
— Me convenceu a ficar com ele durante a cerimônia.
— Ah... — Diggory tomou um gole de sua bebida e a analisou — Sinto muito, mas ele é um grande b****a por fazer isso com você.
— Obrigado, mas isso não muda as coisas.
— Se serve de consolo, ele não é grandes coisas.
— E você, Diggory, está interessado por alguém?
— Não, sabe como as garotas são...
— Eu já te vi olhando para a Josele. — Sorriu maliciosa.
— O que? Não mesmo, ela é bonita mas não faz o meu tipo.
— Nunca fazem.
Após tomarem suas bebidas, os dois caminharam até uma loja onde haviam vários pássaros na vitrine.
— Esse vermelho é bonito.
— Não, precisamos de algo mais simples. O que acha de um pombo? — Catarine encarou alguns pombos que estavam dentro de uma gaiola — São fofinhos.
— Gosta de pombos? Essa eu não sabia.
— São nojentos, mas é melhor do que um rato.
— Isso vai ser ótimo.
Após muita discussão sobre qual pássaro iriam levar, Diggory acabou cedendo e aceitando levar o pombo.
— Como vamos chamá-lo?
— Pombo é um nome ótimo.
— Ele deve estar com frio.
— Não é só ele, eu também estou congelando aqui.
— Quer voltar ao castelo?
— Sim, mas temos que esperar os alunos.
— Quer meu casaco?
— Não, obrigado.
Depois de muita espera os alunos apareceram e finalmente todos puderam retornar ao castelo, parecia que iria nevar a qualquer momento.