Capítulo 11

2879 Palavras
Mesmo estando um pouco aflito com a situação, Cedrico não deixou que sua insegurança o fizesse parar. Logo a grande porta foi aberta, revelando um local que já era familiar para o loiro, exceto pela morena sentada em frente à lareira com alguns papéis em suas mãos. — Você me achou. — Catarine sorriu encarando o rapaz. — Está tudo bem? — Por que não estaria? Vem, senta aqui. — O rapaz apenas obedeceu e acomodou-se ao seu lado. — O que está fazendo com esse monte de papel? — O professor Lupin me deu, disse que encontrarei minhas respostas aqui. — E quais são as perguntas? — Vai me achar maluca. — Eu já te acho maluca. — Riu fraco. — Ei! — Mas é a minha maluca. — i****a. — Revirou os olhos. — O que está querendo saber? — Lembra de como Sirius Black estava me olhando? — Você não me deixa esquecer. — Bom, acho que ele teve um caso com a minha mãe durante a escola. — Ah, certo, e essas cartas são? — Eles trocaram muitas cartas durante as férias, por algum motivo o professor estava com elas e me entregou. — Isso é loucura, Ane. — Eu sei, mas não posso parar agora que comecei. Teve motivo para eles não continuarem amigos. — Ele ser assassino seria um ótimo motivo. — Não seja bobo, sabe que ele não fez isso. — Apoiou suas costas no sofá e encarou a caixa. — Certo, eu posso te ajudar então? — É sério? — Sim, por que não seria? — Ane sorriu comemorando e pulou em cima do rapaz que ria com a sua expressão. — Você é o melhor namorado, sabia? — Um dia de namoro e já sou o melhor? — Sorriu a abraçando — Podemos ir deitar? Está ficando tarde. — Está cansado? — Não, mas precisamos dormir. — Ou podemos ficar aqui, aproveitar que estamos sozinhos. — Ane sorriu abrindo a camisa do namorado enquanto beijava seu pescoço. — Pedindo assim. — Riu fraco — Vamos para a comunal pelo menos? — Aqui vai ser mais divertido. — Por favor? Fico mais à vontade lá. — Está tudo bem? — Catarine acariciou seu rosto. — Está sim, amor. — Gosto quando me chama assim. — O abraçou. — Eu gosto de te chamar assim. — A morena suspirou e continuou abraçada ao rapaz. — Acha que um dia teremos isso? — O que? — Uma casa, uma família. — Só se você quiser. — Estou falando sério. — Suspirou — Tenho medo do que pode acontecer, já tivemos muitos ataques nos últimos anos. — Por que está dizendo isso? — Ane ajeitou-se ao seu lado e entrelaçou seus dedos. — Lendo essas cartas, eu percebi que minha mãe gostava do Sirius. Talvez se Voldemort não existisse eles teriam ficado juntos. — Acha que seus pais não eram felizes? — Não é isso, eles eram, ela vivia me dizendo como ter conhecido meu pai abriu outras portas para ela e que fomos um presente. Mas mesmo gostando do meu pai, ela ainda estava apaixonada, eu li algumas cartas. — Não pensa nisso, talvez eles não se dariam tão bem quanto pensa. — Só tenho medo de que tudo isso se torne uma guerra e que nós sejamos afetados, entende? — Nada vai acontecer, eu te prometo. — Só não quero perder outra pessoa que eu amo. — Cedrico ficou em silêncio a olhando, por um breve momento pensou ter ouvido errado. — Ama? — O que? — Quem é a outra pessoa que ama? — Ah, é... — Ane sentiu suas bochechas queimarem — Você — murmurou. — Achei que estávamos indo devagar. — Cala a boca, Diggory. — Não fique irritada, por favor. — Acariciou seus cabelos — Só quero que saiba, é recíproco. — Estou quase vomitando. — A garota reclamou fazendo o garoto rir. — Boba. — A abraçou. — Quer sair nesse final de semana? — Onde quer ir? — A casa do lago? — Acho que meus pais não vão gostar dessa ideia. — Podemos tentar. — Certo, mas não vou prometer nada. ... Os dias passavam tranquilamente, o Ministério continuava uma loucura procurando por Sirius Black que havia desaparecido do nada. Cedrico estava feliz, finalmente Catarine abriu seu coração e disse o que sentia por ele, mesmo que isso a deixasse amedrontada. — Diggory! — O que amor? — Vamos nos atrasar. — Que horas são? — Oito horas. — Ah, por que levantou tão cedo? — Vamos perder o trem. — Podemos aparatar até a casa do lago. — Claro, os seus vizinhos não vão estranhar nenhum pouco. — Zombou. — Vem pra cá. — Vamos logo. — Estou com dor, me machuquei no último jogo. — Vai sentir mais ainda se não levantar. — Adoro seu jeitinho carinhoso. — Riu fraco entrando no banheiro. Não demorou muito para que Cedrico conseguisse convencer a lufana a aparatar, até mesmo porque já haviam perdido o trem da manhã, o próximo seria apenas ao meio-dia. Mesmo tendo aparatado poucas vezes, a garota confiou no rapaz que estava mentindo sobre já ter feito isso milhares de vezes. — Juro que se eu perder um braço, arrancou um dos seus e te bato com ele. — Diggory gargalhou com seu comentário e colocou sua mochila nas costas. — Então é melhor você me abraçar. — Tem certeza de que sabe fazer isso mesmo? — Sim, Ane. Faço isso direto com meus pais. — Por Merlin, vamos. — A morena o abraçou e fechou os olhos. Cedrico fechou os olhos tentando focar em seu quarto na casa do lago, já havia aparatado sozinho uma ou duas vezes, mas nunca de uma distância tão grande quanto essa. — Chegamos? — Ane murmurou ainda com os olhos fechados. — Ah, meio que sim. — Meio? — Não surta. Catarine sentiu um vento gelado em seu pescoço, ainda estava agarrada ao lufano. Aos poucos abriu seus olhos e imediatamente começou a rir, os dois estavam no telhado da casa. — É sério? — Tecnicamente estamos no quarto. — Como vamos descer? — Pulando? — Não estou afim de quebrar meus ossos. — Cedrico suspirou encarando em volta. — Se nos apoiarmos aqui chegamos até a varanda. — É muito alto. — Vai dar certo, confia. O garoto logo pendurou-se no telhado, o chão estava a dois metros de distância, talvez ele deveria praticar mais sua aparatação, assim que soltou suas mãos conseguiu chegar a varanda e abriu as portas. — Ainda está vivo? — Catarine gritou. — Sim, me dá as mochilas. — A morena sorriu e soltou as bolsas no ar para que ele pegasse — Está tudo bem aí? — Sim, por quê? — É a sua vez de pular. — Eu estou de salto! — Então tira, vamos está ficando frio. — Me lembra de nunca mais confiar em você. — Ane soltou suas botas no ar e sentou-se na beirada do telhado. — Vem, eu te pego. — Sabemos que não vai fazer isso. — Eu já menti antes? — Me segura. A lufana respirou fundo encarando o rapaz logo abaixo e finalmente soltou suas mãos do telhado. A distância não era tão grande quanto parecia, mas ainda estavam no segundo andar da casa. — Te peguei — disse o rapaz antes de cair ao chão e rir. — Aí. — Machucou? — Um pouco. — Levantou-se o ajudando — Vamos entrar, está congelando aqui. — Agora eu posso dormir? — Achei que fossemos sair. — Onde quer ir? (...) O casal passou a tarde em um parque próximo à casa, havia poucas crianças mesmo sendo final de semana, estava muito frio para que pudessem brincar por ali. — Soube da novidade? — Que novidade? — Catarine encarou o lufano que tentava escalar uma árvore. — Eu estava ontem no salão comunal com o Justino, e acabei ouvindo a conversa das garotas. A Violet disse que convidaram o namorado dela para treinar os alunos de Durmstrang. — Treinar? Para que? — Me dá sua mão. — A garota apenas obedeceu tentando escalar igual ao garoto — Pelos boatos, teremos um torneio tribruxo no próximo semestre. — Sorriu a ajudando a sentar-se em um dos galhos. — Como? Não temos um torneio, desde quando mesmo? — Muito tempo. — Riu fraco — Mas eu estava pensando, se for verdade, eu quero participar, um lufano ganhando deixaria todos chocados. — Bobo! É uma péssima ideia. — Por que? — É perigoso, Ced. Ainda mais como todos esses ataques de você-sabe-quem quase todos os anos. — Ah amor, não se preocupe, nada vai acontecer. — Levantou-se ficando em pé nos galhos — Além de que, o prêmio em dinheiro é ótimo, nós podemos viajar. — Ajudou a morena a levantar e a segurou perto de si. — Não quero viajar se você corre o risco de se machucar, tem um motivo para não termos mais o torneio. — Eu não vou a lugar algum. — Beijou sua bochecha — Prometo não te deixar. — Ane sorriu fraco e suspirou. O casal ficou um bom tempo em silêncio apenas encarando a natureza em volta. Não estavam em uma árvore tão alta, mas mesmo assim conseguiam ver toda a paisagem em volta. Seis meses depois… Todos estavam aflitos em Hogwarts, os alunos haviam visto alguns cavalos voando em direção à escola nesta manhã. E com o jantar especial que Dumbledore estava servindo, Cedrico não tinha dúvidas de que os boatos que teriam um torneio tribruxo durante seu último ano, não eram apenas boatos. — O que vocês acham que estão comemorando? — perguntou Josele encarando os amigos. — Algo incrível. — Ced sorriu. — Agora que estão todos acomodados, eu gostaria de dar um aviso. Esse castelo não será só o lar de vocês neste ano. — Dumbledore chamou a atenção dos alunos — Mas também o lar de convidados muito especiais — Todos ignoravam o diretor dando total atenção ao zelador Filch que corria apressado até o palanque — Sabem, Hogwarts foi escolhida... — O diretor foi interrompido pelo zelador que balbuciava algo baixo o suficiente para que apenas ele pudesse ouvir. — O que será agora? — perguntou Ane rindo da situação. — Com certeza tem a ver com aqueles cavalos. — Josele riu. — Bom, Hogwarts foi escolhida para sediar um evento lendário, o torneio tribruxo! — Dumbledore finalmente terminou sua frase. Todos ficaram surpresos, exceto alguns lufanos que já ouviam os boatos sobre há meses — Para aqueles que não sabem, o torneio tribruxo reúne três escolas para uma série de competições mágicas, de cada uma apenas um aluno é escolhido para competir. E que fique claro, o escolhido estará sozinho. — Ane suspirou e segurou a mão do namorado que retribuiu o gesto — E acreditem quando digo que, essas competições não são para covardes. Falaremos sobre isso depois. Agora, vamos dar as boas vindas às adoráveis moças da Academia de Magia Beauxbatons. — As portas logo foram abertas e o salão tomado por garotas com vestes azuis — E sua diretora, a Madame Maxime. Logo as garotas entraram com um belo cheiro de rosas que tomou todo o salão, elas caminhavam lentamente por todo o corredor chamando a atenção dos rapazes e logo atrás a diretora Maxine acompanhada de uma jovem que fazia acrobacias e uma garota loira que dançava ao som dos pássaros que voavam ao seu redor. — Nossa — disse Josele sorrindo. — Ela é enorme! — E agora nossos amigos do Norte, por favor, recebam a Delegação de Durmstrang e seu diretor Igor Karkaroff! — Dumbledore anunciou. A atenção de todos foi levada aos rapazes da delegação que entraram batendo alguns bastões no chão do castelo, fazendo algumas faíscas saírem do mesmo. Algumas acrobacias eram feitas com o bastão como forma de ataque e logo a atenção dos lufanos foi chamada por Violet que vibrava ao ver o namorado no final do corredor. — Olhem! É o Jasper. — É ele! Viktor Krum — disse Cedrico surpreso vendo o rapaz entrar ao lado do diretor de Durmstrang. Todos rapidamente olharam para outro jovem que estava na frente do diretor Karkaroff, o rapaz não esperou os dois se aproximaram e soltou chamas pela própria boca. Todos ficaram espantados com o feito. — Ah ele não é perfeito? — Jasper é esse com o fogo? — Justino encarou a lufana que apenas assentiu enquanto sorria para o bruxo do outro lado do salão principal. — Uau. — Catarine exclamou rindo encarando Cedrico que entendeu muito bem o que ela estava insinuando. — Não é demais? Imaginem só participar do torneio. — Justino comemorou. — Vou me candidatar — disse Josele sorridente. — É uma péssima ideia. — Catarine chamou a atenção da amiga. — Por que? — É perigoso e você não pode desistir. — A temida Catarine Peterson com medo? Essa é nova, o que fez com ela Ced? — O rapaz apenas riu fraco e continuou jantando. O casal havia discutido durante as férias, Catarine não queria que o namorado participasse do torneio mesmo quando eram apenas boatos. Ela havia ficado quase duas semanas sem falar com o lufano, que acabou indo a copa bruxa apenas com seu pai, os lufanos voltaram a se falar somente no dia seguinte após o ataque dos comensais durante a comemoração. O jantar seguia calmo, mesmo que estivesse tendo uma tempestade terrível lá fora, os alunos estavam mais preocupados em decidirem para quem seria sua torcida caso algum de seus amigos fossem selecionados. — Atenção, por favor! Gostaria de dizer algumas palavras — disse Dumbledore chamando a atenção de todos para si. — A glória eterna é o que espera o aluno que vencer o torneio tribruxo. Mas para isso, esse aluno deve sobreviver a três tarefas. Três tarefas extremamente perigosas. — Repetiu com seriedade — Por essa razão, o Ministério achou por bem impor uma nova regra, para explicar tudo a vocês chamamos o chefe do departamento de cooperação internacional e magia, senhor Bartolomeu Crouch. — O homem se levantou um pouco ansioso com a situação e logo caminhou em direção ao diretor. Antes que o senhor Crouch pudesse dizer algo, o teto do castelo foi atingido por um raio causando uma gritaria entre os alunos, que sequer notaram a figura que rapidamente consertou o estrago feito pelo raio. Todos encararam o bruxo que aparentava ser mais velho do que realmente era. — Quem é esse? — perguntou Cedrico encarando o olho do homem que girava sem parar. — Alastor Moody — respondeu Justino, boquiaberto. — Ele é uma lenda entre os aurores. — Auror? — Josele o encarou confusa. — Ele é um dos maiores auroree de bruxos das trevas, Azkaban está quase cheia graças a ele. — Eu o conheço. — Ane finalmente disse algo, sem tirar os olhos do bruxo que a amedrontava. — De onde? — perguntou Cedrico encarando a figura que andava com certa dificuldade em direção ao diretor. — Já o vi com meu pai algumas vezes. — Quando? Seu pai não trabalha no banco? — Durante as férias, talvez tenham se conhecido lá. — Ele não parece o tipo de cara que guarda coisas em bancos — disse Justino. — Ah, meu bom e velho amigo, obrigado por vir — disse Dumbledore sorrindo. — Esse teto i****a — murmurou o bruxo cumprimentando o diretor que riu fraco — Obrigado. (...) Todos os lufanos estavam no salão comunal de sua casa, muitos estavam chateados com a decisão do ministério de que apenas alunos maiores de dezesseis anos poderiam participar da competição. — Você está bem? — Diggory chamou a atenção de Catarine que apenas assentiu em silêncio — Quer conversar? — Podemos sair daqui? — Vamos. — Cedrico levantou-se segurando a mão da garota. Rapidamente eles saíram da comunal e seguiram caminho em silêncio, não demorou muito para que chegassem à comunal dos monitores. O loiro abriu a porta dando passagem para a garota entrar em seu quarto e Catarine respirou fundo. — Sabe quem Alastor prendeu? — Quem? — Cedrico a encarou confuso. — Sirius Black. — O rapaz suspirou, Catarine continuava em busca do bruxo, até jurava ter o visto rondando sua casa. — Ane. — Eu sei que parece loucura, mas Alastor não é o tipo de bruxo com quem meu pai tem amizade. Você já viu alguns amigos dele, senhor Malfoy, senhor Greengrass. Por que ele se envolveria com um simples auror? — Talvez ele tenha medo de que Sirius Black apareça, ou esteja suspeitando de alguém dentro do banco. Não podemos afirmar nada. — Eu sei, mas isso continua sendo estranho. — Podemos conversar sobre aquele outro assunto? — Qual? — Está tudo bem para você eu participar do torneio tribruxo? — A morena suspirou o encarando. — Sim, é o seu sonho, não? — Sim. — Só quero que me prometa que vai tomar cuidado e que se precisar, vai desistir da prova. — Tudo bem, meu amor. — A puxou para perto — Eu prometo tomar cuidado e prometo ficar aqui por muito tempo te perturbando. — Sorte a sua eu te amar. ...
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