As aulas de reforço de Catarine demoravam cada dia mais, mas mesmo que o rapaz fosse um ótimo professor, ele também sabia que ela não fazia questão alguma de estudar para as aulas.
— Entendeu?
— O que? Não.
— Você precisa prestar atenção se quer aprender sobre as maldições.
— Mas eu não quero. — Sorriu cínica observando as pessoas ao seu redor — Sabe que horas são? Estou com fome.
— Por que faz isso? Eu sei que você é inteligente, não precisa sequer se esforçar para aprender feitiços.
— Às vezes você é um porre.
— O que você tem? — Fechou o livro derrotado por não conseguir fazer o que haviam lhe pedido.
— Fome e estou entediada.
— Quer pegar algo na cozinha?
— Está quase na hora do jantar, os elfos não vão me deixar passar pela porta
— Na comunal dos monitores chefes sempre tem alguns bolinhos, pode ser?
— Pode.
— Vem comigo.
Os lufanos pegaram seus materiais e deixaram a biblioteca mais uma vez naquela semana. Após alguns minutos andando, Cedrico parou em frente à uma pintura e murmurou uma senha. Assim que entraram, Ane analisou todo o ambiente, que era decorado pelas cores da lufa-lufa e corvinal.
— É esse o quarto secreto que todos dizem?
— Não é tão secreto assim. — Riu fraco pegando alguns bolinhos que estavam sob uma bandeja e lhe entregando — Esse é de chocolate com morango e esse é de nozes.
— Hum... Obrigado. — A garota não fez cerimônia alguma para saborear os bolinhos — Mas tem dormitorios mesmo?
— Sim, quer conhecer?
— Claro.
— Vamos então.
— Espera — disse Catarine pegando mais dois bolinhos e descendo algumas escadas com o rapaz. — Esse quarto é só seu?
— Sim, o outro quarto fica lá em cima — respondeu Cedrico enquanto abria a porta. — Pode entrar.
— Você dorme aqui?
— Às vezes sim, mas gosto de ficar na comunal com os rapazes.
— Podemos trocar se quiser, eu moro aqui esse ano e você fica na comunal.
— Nem pensar! — Riu fraco — Eu gosto de estudar aqui, a ventilação é ótima e tem uma bela vista.
— Achei que fosse por conta dessa cama, injusto vocês poderem ter toda essa mordomia. — Sentou na cama — É macia.
— A cama também é incrível. — Sorriu a analisando — Quer água?
— Sim, uma massagem também, por favor. — Deitou-se na cama.
— Olha a folga! — Entregou-lhe uma garrafa.
— Somos amigos, não? Eu tenho meus privilégios.
— Se você diz. — Riu fraco tirando sua capa e a deixou pendurada.
— Não somos? — Levantou-se deixando a água sob a escrivaninha.
— Somos sim, Ane. — A garota o encarou confusa, mas ignorou a situação — Ainda está com fome?
— Bem pouco — respondeu enquanto prendia seu cabelo em frente ao espelho. — Acha que esse penteado combina comigo?
— Fica bonito, por quê?
— Acho que Henry vai querer ir ao baile, preciso decidir antes. — O rapaz suspirou e a observou.
— Vocês vão juntos todos os anos?
— Desde que eu me lembro, sim.
— Ah, solto fica mais bonito.
— Você já foi aos bailes também, com quem foi no ano passado? — Soltou o cabelo e sorriu para o amigo.
— Com a Marienne.
— Achei que ela fosse mais nova.
— Um ano apenas.
— Vai ir esse ano?
— Não sei, as formalidades são bem chatas, não acha?
— Demais, mas é divertido. Posso te ajudar com seu par.
— Deveria ir comigo. — A encarou pelo espelho.
— Está brincando, não?
— Qual o problema? Somos amigos.
— Sim, mas todos falariam e seria estranho, não acha? — Virou-se o encarando.
— Por que acha isso? Nós já ficamos algumas vezes.
— Sim, mas é diferente.
— Como?
— As pessoas esperam que eu vá com o Henry, se aparecermos juntos vão achar que eu sou boazinha.
— Mas você é.
— Ninguém precisa saber.
— Poderia apenas ter dito não.
— É legal quando somos só nós dois.
— Tem vergonha de dizer aos outros que ficamos?
— Claro que não, sabe muito bem disso.
— Então por que não? E eu quero um bom motivo, sem desculpas esfarrapadas. — A morena caminhou pelo quarto analisando as coisas em sua volta.
— Não quero confundir as coisas, Diggory.
— Então estaria tudo bem eu ir com outra garota?
— Foi o nosso combinado, não? Pode ir com quem quiser.
— Tem certeza?
— Uhum. — Deitou-se novamente — Deita aqui?
— Não prefere outra pessoa? — perguntou sério.
— Ah por favor, Cedrico!
— Vou deitar, mas saiba que me magoou. — Aproximou-se apoiando suas costas na cabeceira.
— Eu quero um sorriso.
— Vai ficar querendo.
— Esse não é o seu papel. — Sentou-se o observando, adorava quando o rapaz ficava bravo e involuntariamente suas bochechas ficavam rosadas.
— E qual seria?
— Você é carinhoso nessa amizade, posso ver o sorriso agora?
— Não.
Catarine suspirou, já estava ficando irritada com a situação e então aproximou-se de seu pescoço deixando o garoto em alerta com sua próxima ação.
— Por favor. — Beijou sua bochecha — Só um pouquinho, vai.
— Não Catarine.
— Chato. — Apoiou a cabeça em seu ombro.
— Eu?
— Está vendo mais alguém aqui?
— Me diz você.
— Sério? — Revirou os olhos — Você consegue ser pior do que criança.
— Somos. — A puxou para perto a abraçando — Só queria me divertir com você.
— Podemos nos divertir agora, mas a madame está emburrada. — O rapaz deixou uma risada fraca escapar e Catarine comemorou — Eu disse! Sempre consigo te fazer rir.
— Porque você é boba, Catarine.
— Vou levar isso como elogio.
— Tudo bem. — A garota sorriu e o encarou — O que foi?
— Não pode olhar?
— Não com essa cara.
— Qual?
— De boba.
— Obrigado por me lembrar o porquê te acho chato.
— Disponha.
Os dois ficaram em um completo silêncio, apenas trocando carícias com as mãos e até fazendo guerra de dedos. Catarine suspirou e sorriu para o rapaz, Diggory se segurava ao máximo para não beijá-la, sempre esperava a garota tomar iniciativa, mesmo que das outras vezes ele tenha começado.
— Eu gosto das suas mãos — Ane murmurou fazendo o rapaz rir.
— Como?
— Elas são enormes. — Abriu sua mão comparando o tamanho.
— Eu tenho que agradecer?
— Não, mas se quiser me massagear como agradecimento, pode.
— Certo, deita. Temos meia hora até o jantar.
— Oba. — Catarine tirou sua capa e ajeitou-se na cama — Faz direito.
— Aonde quer que eu comece?
— Pode ser só nas costas, elas estão doendo.
— Precisa tirar o suéter então. — A morena assentiu e tirou o suéter ficando apenas com a camisa do uniforme — Aqui dói? — Apertou seus ombros.
— Mais para baixo. — O rapaz obedeceu e colocou as mãos por dentro de sua camisa massageando o meio de suas costas.
— Aqui?
— Uhum. — Ane fechou os olhos aproveitando a sensação de alívio.
— Está bom?
— Você quer casar comigo?
— Como? — Riu fraco — Há dez minutos você não queria ir ao baile e agora quer casar comigo?
— Tem razão, já estamos casados. — Riu fraco — Se eu soubesse que sua massagem era boa assim, teria voltado a falar com você bem antes.
— Quanto interesse, senhorita Peterson. — A garota virou-se para cima e sorriu.
— Toda relação tem um interesse por trás.
— Às vezes não.
— Não estou falando de fama e riquezas, interesse em atenção, afeto e no nosso caso uma ótima massagem.
— E qual seria o meu interesse nessa relação?
— Eu sou legal. — O lufano gargalhou com sua resposta — E eu dei o seu primeiro beijo.
— Não foi o primeiro, sabe muito bem disso.
— Mas poderia ser. — Sorriu maliciosa.
— Você é maluca, sabia?
— Agradeço a observação, tem alguma coisa no meu pescoço?
— Deixa eu ver. — Aproximou-se com calma — Não, está doendo?
— Nenhum pouco.
Catarine puxou o rapaz para perto e o beijou, não estava nenhum pouco preocupada, só queria sentir seu toque. Cedrico tentou tirar seu corpo de cima da garota, mas ela o puxou ainda mais para perto. Logo a morena deslizou as mãos por seu cabelo e mordeu seus lábios com calma.
— O que foi isso? — Cedrico a encarou.
— Um beijo.
— Mas por que agora?
— Precisa de motivo?
— Não. — Suspirou ainda em cima da garota.
— Você é bem pesado.
— Você está me segurando. — Riu fraco levantando um pouco de seu corpo.
— Te incomoda ficar assim?
— Deveria?
— Não. — O puxou novamente distribuindo diversos beijos em seu rosto — Qual perfume você usa?
— Como é? — Riu fraco.
— Eu gosto dele. — Trocou de posição com o rapaz ficando sentada em suas pernas, mesmo que tentasse disfarçar as bochechas do rapaz estavam coradas — Está com vergonha?
— Não, é só que... do nada.
— Só estamos nos divertindo. — Aproximou-se de seu pescoço e o beijou com calma observando o rapaz arrepiar — Gosta assim?
— Sim. — Suspirou apertando a cintura da garota. Ane apoiou seus braços no colchão e sorriu lhe dando vários selinhos — Tem certeza sobre o baile?
— Não vamos estragar isso, por favor. — Cedrico acariciou seu rosto e suspirou a observando — Eu gosto do que temos.
— E o que temos?
— Uma amizade legal. — Deu-lhe outro selinho — Nos divertimos juntos e não temos ninguém palpitando em nossas vidas, não quero estragar tudo isso.
— É só um baile. — Riu fraco.
— Posso pensar sobre? — O rapaz deslizou a mão por suas costas e assentiu.
— Deveria ficar aqui comigo hoje.
— Como é?
— Não pense bobagem, só quero companhia. O que me diz?
— Tentador, mas foi por isso que eu fiquei de castigo.
— Um mês a mais, um mês a menos. — Sorriu.
— Palhaço. — Riu fraco — Tudo bem, mas eu durmo perto da parede.
— Certo, vamos jantar? A monitoria ainda precisa ser feita.
— Vamos.
O casal se arrumou antes de deixarem a comunal e foram de encontro aos outros alunos que já estavam no salão principal. Logo os dois se separaram e Catarine foi falar com Henry.
— Oi.
— E aí.
— Vai querer ir ao baile?
— Estou decidindo ainda, não estou no clima.
— Por que?
— Porque você terminou comigo para ficar com aquele lufano certinho. — Ane gargalhou.
— De onde tirou isso?
— Vocês estão sempre juntos e seu pescoço está marcado não deve ser coincidência.
— Estamos sempre juntos porque a senhora Sprout queria me expulsar, vai querer ir ou não?
— Não mais, seu namoradinho não vai gostar.
— Mereço viu? — Revirou os olhos e foi para a mesa da lufa-lufa.
— Está tudo bem?
— Sim, Josele.
— O Cedrico já te convidou para ir ao baile?
— Como é?
— Sim ou não?
— Sim.
— Você aceitou?
— Primeiro, como está sabendo disso? E não, eu não aceitei.
— Quem você acha que deu a ideia? Deveria aceitar, formam um casal lindo.
— Nós somos amigos.
— Tudo bem, se quer chamar assim. Mas vai me dizer que não se sente nenhum pouco atraída por ele?
— É por isso que nunca te conto nada, só estamos nos divertindo.
— Então se eu for com ele ao baile está tudo bem para você?
— Sim. — Josele riu fraco e observou a corvina que se aproximava de Cedrico.
— Deveria parar de bancar a difícil, vai perder seu homem para a Cho.
— Como?
— Olha lá, eles estão indo para fora do salão, o que será que ela quer?
— Deve estar com dúvida em alguma matéria.
— Ela não divide a comunal dos monitores com ele? Será que dividem o mesmo quarto?
— Não, o dele é embaixo.
— Hum... como sabe?
— Estávamos lá agora a pouco, Cedrico me pediu para passar a noite com ele.
— Me diz que você vai.
— Sim, mas não pense bobagens.
— Não pensei. — Sorriu maliciosa — Ela está voltando sem o Diggory.
— Para de ser paranoica, afinal não temos nada.
— Me engana que eu gosto.
(...)
A patrulha foi feita até às dez e meia da noite como todos os dias, Catarine havia pego roupas para poder se trocar no dia seguinte.
— Quer tomar seu banho primeiro? — Cedrico a encarou enquanto desatava o nó de sua gravata.
— Pode ir primeiro, vou separar alguns livros.
— Certo. — O rapaz pegou algumas roupas e entrou em seu banheiro.
A garota não resistiu, ficou mexendo nas coisas do rapaz enquanto esperava ele tomar seu banho. Após alguns minutos ele saiu secando seus cabelos e sorriu para a morena.
— Você fica vermelho depois do banho? — Ane sorriu alisando seu rosto — Que fofo.
— Eu não acho, vou arrumar a cama, tudo bem?
— Sim, eu já volto. — Ane olhou em volta e com certeza o banheiro dos monitores era mais confortável do que o dos alunos.
— Relaxou? — perguntou assim que ela saiu do banheiro.
— Sim. — Ane o encarou observando cada detalhe de seu rosto antes de se deitar ao seu lado — Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— O que a Cho queria com você?
— Ela perguntou se eu queria ir ao baile.
— Ah. — Catarine prendeu seu cabelo e se ajeitou na cama — Você aceitou?
— Falei que já tinha uma acompanhante. — Catarine sorriu encarando o teto.
— Se quiser pode ir com ela.
— Sim, mas sabe que quero ir com você, vai ser divertido.
— Espero que seja mesmo.
— Você fica fofa com ciúmes. — Riu fraco.
— Não força, Diggory. — Virou-se de costas para o rapaz que sorria com a cena.
— Não estou brincando. — A abraçou puxando para perto — Mas te convidei primeiro, não?
— Sabe o que lembrei?
— O que? — Beijou sua bochecha.
— Você está do meu lado na cama.
— Ah não, isso é sério?
— Claro que é sério, vamos, vem para esse lado. — Ane arrastou-se até o outro lado da cama enquanto o rapaz passava por cima de seu corpo.
— Isso só me lembra dos nossos acampamentos.
— Eram divertidos. — Sorriu.
— Eu concordo, mas garanto que agora está muito melhor.
— Ah é? Por quê?
— Porque agora... — Aproximou-se — Eu posso fazer isso. — A beijou com calma — Isso. — A abraçou e continuou beijando.
— Hum, achei que só queria uma companhia.
— Eu também achei que tínhamos benefícios, mas você parece odiar isso. — Sorriu cínico.
— Não seja bobo, só estou um pouco cansada.
— Quer dormir?
— Isso também está interessante. — Apontou para os dois fazendo o rapaz rir.
— Vamos combinar assim... — Beijou sua bochecha — Eu te abraço e você dorme, o que me diz?
— Ótima ideia. — O beijou mais uma vez enquanto suas mãos deslizavam para dentro da camiseta do rapaz — Hum.
— Que foi? — Sorriu a encarando.
— Gostei. — Cedrico gargalhou.
— Boba.
— É sério. — Deslizou suas mãos por seu abdômen o fazendo arrepiar.
— É melhor parar aí — murmurou.
— Por que?
— Não quero fazer nada que possamos nos arrepender.
— Não vamos nos arrepender. — Puxou a camiseta do rapaz para cima e a tirou — Falei. — Mordeu os lábios e trocou as posições.
— Achei que estivesse cansada. — Sorriu enquanto a garota beijava seu pescoço e deslizava suas mãos por seu corpo.
— Estou. — Desceu alguns beijos para seu tórax.
— Catarine, meu Merlin. — Suspirou.
— Quer que eu pare?
— Não, mas não quero que seja assim.
— Com sono?
— Também. — Sorriu a encarando — Mas se for para continuarmos, quero que seja legal para os dois.
— Tudo bem, mas te beijar pode?
— Deve.
Em poucos minutos os lufanos estavam trocando algumas mãos bobas, o rapaz apertou seu m****o contra a garota, nunca pensou que desejaria tanto alguém. Catarine não se sentiu nenhum pouco envergonhada e fez alguns movimentos com sua cintura, Cedrico deixou um grunhido escapar e arfou.
— Gosta disso?
— Muito. — Apertou sua cintura e acariciou seu abdômen deslizando sua mão para dentro de seu short, o que fez a garota parar — Quer que eu pare?
— Não, só não estava esperando. — O loiro sorriu e beijou o abdômen da lufana que estava sentada em seu colo. Aos poucos começou a movimentar sua mão dentro de seu short.
Em poucos segundos Catarine já sentia seu corpo estremecer, ela puxou o cabelo do rapaz o beijando mais uma vez.
— Hum... gostou? — Mordeu seus lábios.
— Muito.
(...)