"Muitas vezes do inesperado,
nasce o que se espera uma vida inteira."
Acordei um tanto sonolenta, tentando entender onde estava. Aos poucos enquanto abria os olhos e analisava o local onde eu estava, dei-me conta que mais uma vez não me encontrava em meu apartamento, e sim no de Lorenzo.
Olhei atenta a cada detalhe do quarto, como se procurasse algo que não estivesse em seu devido lugar. Ainda estava usando a roupa do trabalho. Levei a mão até a cabeça sentindo a mesma latejar, tentei me sentar na cama, mas parece que estava fazendo muito esforço, como se meu corpo estivesse mais pesado do que o normal.
— Não se esforce muito, você precisa descansar. — Lorenzo informou ao adentrar seu quarto com um copo de água em mãos e um comprimido na outra. — Acho que esse remédio irá ajudar na dor e na febre, tome.
Lorenzo colocou o copo sobre a mesa de canto que ficava ao lado da sua cama, e me ajudou a me deitar, para que eu tomasse o remédio adequadamente.
— Obrigada por isso. — Agradeci. — Mas não entendo o que estou fazendo aqui.
— Você dormiu no carro e como não sabia seu endereço e não queria acordá-la, preferi trazê-la para casa. — Respondeu esclarecendo minhas dúvidas.
— E como eu vim parar aqui em cima? — Perguntei, sem lembranças de ter saído do carro e caminhado até seu apartamento.
— Eu trouxe você no colo. — Respondeu como se fosse óbvio. — Agora, você precisa tomar um banho para ajudar a baixar sua temperatura.
Não conhecia o lado prestativo e cuidadoso de Lorenzo, e confesso que a cada dia ficava mais estranho conviver com ele e não saber o que era real. Ele abriu a água na banheira, a deixou morna para fria, o que não me dava vontade alguma de adentrá-la por estar com frio.
Quando eu esperava que fosse sair do banheiro, passou a me ajudar a retirar cada peça de roupa. Mesmo sabendo que ele já havia me visto nua, era diferente ficar dessa forma, quando não era algo mutuo, onde nós dois ficaríamos sem roupa.
Lorenzo estendeu sua mão para que eu a segurasse para adentrar a banheira. Senti vontade de dar meia volta no instante que meu pé tocou a água fria. Contorci meu corpo por conta da água escorrer em cada parte dele. Lorenzo se aproximou agachando-se ao meu lado, pegando o sabonete e passando pela minha pele. Não havia maldade em seu gesto, muito pelo contrário, não havia o desejo em seu olhar como no dia em que transamos, era como se estivesse fazendo de coração. Até o cabelo que não esperava lavar, ele fez questão de massagear e enxaguar.
Sorri quando seu polegar passou pela minha bochecha e parou em meu queixo, fazendo com que meu rosto fosse direcionado a ele.
— Está se sentindo melhor? — Perguntou.
Balancei a cabeça positivamente e então ele me ajudou a levantar e me secar. Do modo que ele estava fazendo, parecia que eu estava mais doente do que de fato estava, Lorenzo não me deixava fazer nada. Me perguntava se isso tinha relação de quando sua mãe havia ficado doente, nas suas condições, se como a mãe de Giovani, em muitos momentos realmente ficava impossibilitada de fazer as coisas.
A calcinha era o único item extra que trazia comigo na mochila. A roupa que havia usado para o curso não estava cheirando muito bem pelo fato de ter suado. Então, Lorenzo me emprestou uma camisa sua, que preenchia boa parte das minhas coxas.
— Acho que eu deveria ir embora. — Afirmei. — Valerie pode estar preocupada comigo.
— Já avisei que está aqui e está bem. — Explicou.
Me sentei rapidamente na cama, como assim que havia falado com Valerie?
— Como assim? — Perguntei.
— Ela ligou em seu celular enquanto estava dormindo. — Respondeu. — Me chamou de canalha por algum motivo e desligou o celular.
Ri internamente, ela sabia que eu havia ido para a cama com ele.
Lorenzo checou minha temperatura e após constatar que havia baixado, preparou para levantar-se e me deixar sozinha, mas fui mais rápida segurando seu braço.
— Fique. — Pedi.
Ele se aconchegou no espaço vazio ao meu lado e permaneceu em silêncio.
— Por que eu estou aqui? De verdade? — Perguntei encarando seus olhos.
— Você não me deixou no meu pior momento, não é justo que eu a deixe agora. — Respondeu.
A diferença é que eu tenho um bom coração, mas era uma boa resposta para me dar.
— Não sei porque, mas meu pai gosta muito de você. — Afirmou.
— Eu também gosto muito dele. — Afirmei. — Seu pai me trata com amor, eu necessito de amor para viver.
— Você e o Giovani também estão muito próximos ultimamente, estão juntos? — Perguntou curioso.
— Não. — Neguei. — Eu só tenho a Valerie aqui, então a qualquer sinal de que alguém me trate bem e queira a minha amizade, eu estarei ali. Somos amigos, só isso.
Mais alguns segundos em silêncio. Seus olhos evitaram os meus e encararam o teto.
— Acha que meu primo não tem sentimentos por você? — Insistiu no assunto.
— Ele nunca falou nada a respeito, nunca insinuou sentir algo. — Expliquei. — Por que esse assunto te interessa? Seria um problema se estivéssemos juntos?
No instante que disse a palavra juntos, Lorenzo me puxou fazendo com que meu corpo ficasse em cima dele. Nossos narizes se tocaram e ficamos ali, olhando um para o outro.
Ele passou os dedos pela minhas costas, por dentro de sua camisa, e com a mão que sobrava segurou meu pescoço, para que eu não tivesse como sair. Gostava da nossa aproximação.
— Você não pode ficar com ele. — Sussurrou.
Ele estaria com ciúmes de seu primo?
Logo seus lábios tocaram o meu com urgência, em um beijo quente, onde ele provavelmente havia esquecido que minutos antes não queria que eu fizesse nenhum esforço e agora estávamos aos beijos, praticamente sem fôlegos.
Lorenzo não queria t*****r, como passou por alguns segundos na minha cabeça que aconteceria, ficamos somente aos beijos intensos e calorosos.
— Eu queria que alguém tivesse me defendido naquela cozinha quando Caterina falou comigo daquela forma. — Contei. — Você contou que nós transamos? Pelo menos contou que foi tudo uma encenação sua?
Não houve resposta. Apesar de ele estar ali ainda, e eu estivesse colada em seu corpo, com a cabeça deitada em seu peito e sua mão acariciando meu cabelo, ele se manteve calado.