Capítulo 20

3379 Palavras
*Jamaica* — Se olhar para ela, eu te belisco — a Índia disse, me segurando pelo queixo com as unhas assassinas que usava naquela noite — E isso aqui — ela ergueu a outra mão balançando os dedos com unhas cobertas de esmalte branco e dourado — faz um estrago e tanto. — Não vou olhar — garanti, mantendo minha atenção no rosto dela. Sinceramente, das outras quatro vezes que olhei para Lizzie não foi de propósito, foi mais por costume, sabe? Eu realmente queria parar com essa coisa de ser obcecado por ela, ainda mais agora que ela estava se aproximando de mim e da minha filha. Ia ser fácil? Não mesmo, e não só porque era difícil explicar pro meu cérebro que não podia ficar secando a Elisa em todo canto que estivesse. Mas também porque meu corpo parecia só conhecer dois modos de agir com ela: ou todo arisco e alerta quando ela estava na defensiva. Ou todo cheio de mão boba quando ela baixava a guarda. Cara, era uma loucura. Era como se meu corpo tivesse algum tipo de memória e a proximidade da Lizzie trouxesse todos os costumes de volta. Primeiro, os beijos na testa, e hoje a ideia brilhante de segurar ela pela mão na casa da tia Luísa. Tudo no automático, ou talvez eu só quisesse deixar de lado a culpa e fingir que uma parte minha não fazia tudo de modo deliberado, exatamente como fazia quando era adolescente e queria testar os limites da Lis. Porque, sério mesmo, como é que vou dizer que foi automático o modo como segurei ela pela cintura para passar no meio do povo no baile? Ou o modo que fiquei bem mais perto do que o necessário? Não precisava ter feito nada daquilo, eu sabia. A Lizzie já tinha ido em vários bailes, é óbvio que tinha toda a capacidade de passar no meio dele para chegar no camarote sem minha ajuda. Mas eu quis ajudar, claro. E sabe o que mais me pegou? Ela não reclamou e nem se afastou, mesmo que tenha ficado meio tensa na minha frente... Interrompi a linha de raciocínio. p**a que pariu, essa coisa de tirar uma pessoa da mente era difícil pra c*****o. — Isso não vai dar certo — a Índia murmurou, se ajeitando meu colo. Nem tinha notado que ela já tinha soltado o meu rosto. — O quê? — A Pat não vai conseguir te juntar com a Dandara e nem com ninguém — explicou, meneando a cabeça como se eu fosse um caso perdido. — Às vezes a fé que você tem em mim me deixa emocionado — ri, era engraçado como ela e a Pat estavam levando aquilo à sério. Porém a Índia não riu comigo, o que me fez consertar a postura — Se eu quisesse, eu podia arranjar alguém. Mas... — Não podia, não — ela me cortou e antes que protestasse, acrescentou: — Quer ver? Me diz no que você tava pensando enquanto me encarava agora a pouco. Tomei um gole da minha bebida, adiando a resposta. Se eu dissesse que estava pensando na Lizzie, ela ia achar que tinha razão. Se eu dissesse que não estava, ela ia saber que era mentira. — E o que isso tem a ver? — murmurei, decidindo evitar uma resposta direta. — Fica difícil esquecer alguém quando se pensa na pessoa o tempo todo — ela rebateu, não tinha nenhuma acusação na voz, era mais como se lamentasse por mim. Pois é, eu também lamentava. — Eu sei, mas não posso evitar — mais um gole de bebida porque esse assunto era um saco de se dizer em voz alta — E pelo menos dessa vez eu tava pensando nela de um jeito bom. — E o que seria um jeito bom de pensar na pessoa por quem você tem um amor não correspondido de anos? Ai, caramba, também não precisa humilhar. — Tava pensando que não quero mais tentar nada com ela — respondi na defensiva. A Índia estreitou o olhar para mim, revirei o meu pra ela antes de desviar a atenção e checar se não tinha ninguém bisbilhotando nossa conversa. Apesar da gente estar em uma mesa com mais uns aliados, o barulho da música era alto demais, fora que a Índia estava colada comigo, o que diminuía o tom da nossa conversa o bastante pra só a gente ouvir — A Lizzie tá bem melhor agora que eu disse que nunca senti nada por ela e... — Você disse o quê? — ela franziu as sobrancelhas — Mentiu para ela? Dei de ombros. — Ela ia fugir de novo... Qual é, não me julga. Eu ainda tava surpreso de ver ela com a Bea, tava todo cheio de receio dela dar o fora e voltar a se afastar de vez. Disse o que ela queria ouvir. — Eu não sei... — ela meneou a cabeça — Tem alguma coisa m*l contada na história de vocês. Não faz o menor sentido. — O que não faz sentido? Eu me apaixonei pela minha melhor amiga, confundi as coisas, ela odiou a ideia e me afastou. Isso deve acontecer o tempo todo por aí... — É, mas quando isso acontece, a tal amiga não demonstra nenhuma sinal de nada suspeito, ela só fica de saco cheio e se afasta. — E que sinal a Lizzie deu? — debochei — Que tal todas as vezes que ela me tratou com desprezo ou nojo? Ou todas as vezes que ela ficou com outros caras? Ou... — Todas as vezes que ela sentiu ciúmes de você — ela interrompeu. — Não me diz que vai começar a criar fanfic igual a Pat. — Não é fanfic — focou o olhar no meu — Ela tem ciúme de você. Vai dizer que não lembra como ela reagiu no dia que pegou você e a Pat juntos? Claro que eu lembrava. Lembrava até de mais de uma ocasião, na verdade. Uma delas tinha sido no dia em que a Lizzie quase flagrou a Pat com o Baroni se pegando em um corredor, o flagra só não aconteceu porque eu e a Índia chegamos a tempo e trocamos de par um minuto antes da Lis aparecer e ver tudo. — Ela não ficou com ciúmes — franzi as sobrancelhas — ela só tava apertada pra ir no banheiro. — Meu Deus, como você é burro — a Índia murmurou. — Quer saber, vamo mudar de assunto. Já basta a Pat, não preciso de você enchendo minha cabeça com essas teorias bobas. Ela meneou a cabeça, murmurando alguma coisa que não entendi antes de continuar: — Ok, então, você disse que ela mudou depois que você mentiu. O que isso quer dizer? — Que ela passou as últimas duas semanas cuidando da Bea pra mim, a gente até assistiu um filme juntos e ela fez meu almoço no dia que eu... — me interrompi quando vi o olhar da Índia mudar — Eu não quero saber — avisei quando ela fez menção de falar — Seja lá o que você esteja pensando, não quero ouvir. — Eu não ia dizer nada mesmo — ela sorriu, se fazendo de inocente — Não ia dizer nadinha. E graças a Deus não disse mesmo. Eu já fazia um bom trabalho me iludindo sozinho, não precisava de ajuda. Passamos as próximas horas curtindo a música, a Índia falava de coisas aleatórias ou só se mantinha distraída no meu colo enquanto eu conversava com os caras na mesa. E o tempo todo ela me ameaçava se eu sequer fizesse menção de olhar pra Lizzie. Eu não protestava, sabia que fazia isso para o meu bem, ela era ciente de como ver a Lizzie com outros era uma merda pra mim. Foi por isso que estranhei quando ela chamou minha atenção e disse: — Beleza, acho que agora você pode olhar. Não precisou falar mais nada, no segundo seguinte meu olhar buscava a Elisa no camarote. Encontrei ela ao lado do bar, cambaleando enquanto apontava o dedo para o cara atrás do balcão. — Merda — murmurei, sem desviar o olhar — Preciso ir lá. — Eu sei — para minha surpresa, a Índia levantou sem protestar ou dizer como a Lis não era problema meu, ou como eu devia manter distância — Vai. — Nenhum conselho para preservar o amor próprio que me resta? — me levantei, desacreditado que não ia levar nenhuma bronca. Ela meneou a cabeça. — Não é como se eu pudesse te impedir de ir ajudar. Além disso... — ela sorriu. Eu arrumei a postura, aquele sorriso me dava medo, sério mesmo — por que não leva ela pra casa? — Por que parece que você tá tramando algo? — rebati enquanto nos aproximávamos da Lizzie. A Índia deu de ombros. — Não tô tramando nada, mas sabe o que dizem, né? — ela me olhou com aquele olhar de quem sabia mais que eu — O álcool é revelador. Eu podia até questionar o que queria dizer com aquilo, mas a gente já tinha chegado no bar e a Lis notou nossa presença, interrompendo qualquer chance de seguir com aquela conversa doida. — Estão curtindo o baile? — o tom era claramente de deboche. Um fato sobre a Elisa: ela ficava um caos quando bebia demais. — Parece que você está curtindo mais — a Índia devolveu, enroscando o braço no meu. Por que eu tinha a sensação que ia acabar sobrando se não levasse a Lis logo pra casa? — Eu duvido muito — Lizzie franziu o nariz — O garçom não quer me dar bebida. — Que tal a gente te levar pra casa? — segurei ela pelo braço pra incentivar a desviar o olhar do cara das bebidas, que parecia prestes a perder a paciência. — Ah, não, eu jamais empataria a f**a de vocês — ela rebateu, se soltando da minha mão. Como se a situação já não fosse r**m o bastante, a Índia riu, dava pra sentir a provocação emanando dela quando rebateu: — Você não atrapalharia nem se quisesse. Caraaaalho. Olhei pra Lorrana tentando entender que p***a ela estava fazendo. — Como se eu me importasse — Elisa cruzou os braços. — Beleza, vamo embora — tentei soar firme, mas sem parecer que dava uma ordem, já que sabia como a Lizzie bêbada amava contrariar a vontade dos outros. Não que ela não amasse fazer isso quando estava sã também. — Já disse que não — ela bateu o pé no chão. Era pedir demais que não começasse a fazer birra? — Então tá — foi a Índia quem rebateu — Eu até tinha dito a ele que pegava uma carona pra casa caso ele fosse te levar, mas já que você não quer... — ela se virou pra mim e mordeu a boca — Que tal a gente sair daqui por uns minutos? Preciso te mostrar uma coisa. Foi só quando desviei meu olhar para o dela que entendi o que estava fazendo. A maluca tentava provar a maldita teoria do ciúme. Inacreditável uma coisa dessas, e eu achando que a Pat era o meu maior problema. — Acho que tô passando m*l — Lizzie murmurou antes que a Índia me beijasse. Lorrana sorriu contra minha boca. — Claro que está — ela murmurou antes de se afastar de mim — Quer uma água, Lis? — Acho melhor ele me levar pra casa — Lizzie rebateu impaciente. A Índia mordeu a boca de novo, dessa vez pra disfarçar o riso. — Tudo bem — ela beijou meu pescoço — Te vejo depois. Fiquei lá, parado, vendo Lorrana rebolar enquanto saía do camarote. Que mulher doida. — Se quiser pode ir com ela — a voz embolada da Lizzie chamou a minha atenção — Acho que já tô melhor. Na verdade, ela só parecia tá p**a da vida. — Não quero ir com ela, quero te levar pra casa, beleza? — ela franziu as sobrancelhas. — Vai deixar de comer uma gostosa pra levar uma bêbada pra casa? — Sempre gostei das bêbadas — zombei. Me esquivei quando ela tentou me dar um tapa — A gente veio junto, a gente volta junto. Sempre foi assim, não é? — É — ela desviou o olhar para o chão — Eu só preciso... — pausa pra um soluço de bêbado — preciso ir no banheiro. Ela deu as costas, e se a voz lenta e embolada não denunciasse o tanto que estava bêbada, o modo como cambaleou enquanto andava, denunciaria. — Deixa eu te ajudar — me aproximei quando trombou com outra garota que dançava no meio do espaço — Vamo lá. Elisa não protestou quando passei o braço em volta da cintura dela e a guiei para fora do camarote até o banheiro. Também não protestou quando abri a porta para checar se estava tudo de boa ou quando disse que ia esperar do lado de fora. — Terminei — ela tropeçou para fora do banheiro minutos depois — Sabe aquela coisa de molhar o rosto para ficar sóbria? Nunca funciona. Ri de como parecia indignada. — Agora eu tô toda molhada porque não tinha papel toalha no banheiro. Nunca tem papel toalha no banheiro, eu podia corrigir, mas sabia que estava divagando e reclamando só porque era exatamente o que fazia quando ficava bêbada. — Pode enxugar na minha camisa se quiser — sugeri quando começou a cutucar o próprio rosto molhado. A ideia era: eu tiro a camisa, dou a ela, ela se enxuga, a gente supera o drama da água e vai pra casa. Mas acho que esqueci como a Lizzie é impulsiva quando está bêbada. Antes que eu tirasse a blusa ou qualquer coisa, ela já tinha se aproximado, murmurado um “tudo bem” e enfiado as mãos por debaixo da minha camiseta. Meu corpo inteiro ficou arrepiado quando os dedos gelados encostaram na minha pele. — Elisa... Ela ergueu o tecido e começou a secar o rosto. Cara, se eu não tivesse paralisado com a surpresa do toque depois de anos sem ser tocado de uma forma tão íntima por ela, teria rido da cena. — Obrigada — ela afastou o rosto quando pareceu satisfeita em usar minha blusa como toalha, e para acabar de f***r com os meus neurônios que ainda funcionavam, depois de soltar minha blusa, deslizou a mão na minha barriga para desamassar o tecido. Meu sangue esquentou rápido o bastante para me deixar envergonhado de reagir com tanta intensidade a algo tão superficial. Qual é, estava mesmo ficando quente por uma mina me tocar por cima da camisa? Tudo bem que não era qualquer mina, mas... Pelo amor de Deus. — Acho que tá bom — segurei as mãos dela quando mais um arrepio tomou minha pele. Seria uma merda se continuasse com aquilo e meu corpo começasse a reagir de uma forma ainda mais errada. Como uma boa bêbada, Lizzie perdeu o foco, assentiu vagamente e me deu as costas. E só porque eu já estava muito perto de voltar à minha versão adolescente que não se controlava quando estávamos próximos, foquei o olhar em qualquer coisa que ficasse acima da linha da cintura dela. A última coisa que precisava era ver como a b***a da Lis ficava uma delícia naquela porcaria de vestido curto. Qual é, a mina estava bêbada, eu nem devia tá pensando nessas merdas. Levou uma eternidade para chegar no carro, ela parava a cada dois minutos querendo desviar do caminho para ir procurar bebida. No fim acabamos instalados no carro que usei pra chegar aqui, com ela reclamando sobre eu ser um estraga prazeres. E eu, como um bom i****a, só conseguia sentir vontade de sorrir, porque aquela era mais uma amostra da minha antiga Lizzie. Cara, sentia falta até dos porres chatos dela. Comecei a dirigir devagar, com medo de fazer ela vomitar se chacoalhasse demais o carro, já estava no meio do caminho quando Lizzie parou de cantarolar um funk e desviou o olhar para mim. Mesmo que não tivesse olhando para ela, eu sentia a atenção queimar minha pele. — Te sujei todo — murmurou depois de passar bastante tempo me olhando — Desculpa. — Tá tudo bem, eu vou lavar... Quase me engasguei quando a mão dela pousou na minha camiseta. c*****o, p**a que pariu. Apertei o volante, a mão dela desceu mais um pouco, pressionando contra meu abdômen. — Tá fazendo o quê? — minha voz saiu baixa, meu sangue mais uma vez esquentando em tempo recorde. — Tentando limpar. Um c*****o que estava, quem é que limpa alisando desse jeito? Eu conseguia sentir os dedos dela passeando nas ondulações dos músculos no meu abdômen bem devagar, tão devagar que deixava um rastro de calor onde o toque passava. E é claro que eu sabia que devia parar ela. Ela. Estava. Bêbada. O problema é que seria mais fácil parar se meu corpo não estivesse gostando tanto do toque... Vamos lá, reage, isso é errado. — Lizzie — tentei soar o mais normal possível, mas, p***a, eu tava ficando duro. Ela murmurou um “hum” e continuou a me tocar. Mesmo com a camisa cobrindo tudo, ela deslizava os dedos seguindo os padrões das tatuagens na minha pele, como se realmente lembrasse onde estava cada uma... O que só fodeu ainda mais com a minha mente. Foi só quando a mão dela chegou muito perto do botão da minha bermuda, que eu chamei com mais ênfase: — Elisa, você precisa parar. Ou vai acabar tocando em algo que vai fazer você fugir de mim de novo. — Ah, certo — ela piscou, afastou a mão e arregalou os olhos — Eu viajei, desculpa. Quis muito saber em que tipo de coisa ela estava viajando para ter me tocado daquele jeito. — Eu... Desculpa, sério. Eu me distrai e... — Tá de boa — interrompi. p***a, meu sangue corria rápido demais nas veias. Por mais que soubesse que aquilo não podia dar em nada, cada célula minha implorava para ter a mão dela em mim de novo. O que era um desejo muito, muito errado, levando em conta a condição embriagada dela, que provavelmente era o único motivo de tudo aquilo estar acontecendo. Só que... Engoli em seco, precisava mudar de foco. — Já tamo chegando na sua casa. — Eu sei — soou tão desanimada que desviei o olhar da pista pra checar sua expressão. — Você tá bem? Ela assentiu, voltei a olhar para pista, era claro que não estava bem. — Não gosto de voltar pra casa — ela recomeçou a falar depois de uma pausa — Eu só... É sufocante. Minha mente me sufoca. Eu sinto vontade de gritar, mas não posso gritar, não posso assustar minha mãe ou ela pode morrer por minha causa... Ah , meu Deus, e se ela me ver assim? — começou a alterar a voz — A gente tem que voltar para o baile, minha mãe não pode me ver nesse estado, ela já acha que eu estou com problemas, eu vejo como ela me olha, como todo mundo me olha. Como eu me olho... — Lizzie, calma. Respira... — Para o carro, não posso voltar ainda. Para o carro. Para o carro. Para o carro... — Ok — falei mais alto para calar a histeria dela — Que tal se eu ficar dirigindo um pouco até você se sentir melhor? — Você precisaria dirigir por muito, muito tempo. — Eu posso dirigir a noite toda se você quiser, ok? Ela assentiu, encostando de novo no banco. Sempre soube que ela não estava bem com tudo o que aconteceu. Quem ficaria bem depois de toda aquela história? O problema é que não sabia que estava tão m*l à ponto de querer evitar a própria casa. Lizzie parecia completamente perdida. Dei mais umas voltas pelo morro até ela cair no sono. Era outra característica da Lizzie bêbada: o sono sempre a vencia rápido. Agora eu só precisava descobrir o que faria, já que apostava que ela me mataria se acordasse e percebesse que entreguei ela em casa nesse estado.
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