capítulo 16. a nova babá

926 Palavras
Na saída do campus, o ar está frio o suficiente para arrepiar minha pele. Estou descendo os degraus quando vejo Sara parada ali, me esperando como se já soubesse exatamente por onde eu sairia. Ela ergue a mão, sorrindo. — E aí… como foi lá dentro? pergunta, se aproximando com passos leves demais para alguém tão animada. E como foi com a Sara vendo falar comigo? Eu rio, sem querer. — Tudo bem. Mas eu preciso ir. Dou alguns passos, mas ela anda ao meu lado como se fosse impossível me deixar ir embora. — Você já tem onde ficar? Já arrumou trabalho…? Ela pausa, morde o lábio. — Desculpa a curiosidade é que… se você não tiver lugar pra dormir, o campus tem dormitório. E eu trabalho na biblioteca da cidade. Eles precisam de mais um par de mãos, sabe? Ela continua sorrindo, o olhar cheio de expectativa. Eu aperto a alça da pasta que o reitor me deu. — Já tenho um lugar. E um trabalho. Mas obrigada pela oferta. digo, seguindo em frente. — Como o quê? ela insiste. Paro. Viro para ela. — Olha, Sara… nós nos conhecemos hoje. E você está sendo um pouco invasiva. Não digo com raiva. Mas também não sorrio. Ela desvia o olhar e o sorriso dela some… por uns dois segundos. Depois volta, mais fraco, como se estivesse tentando parecer ok. — Eu sei. Desculpa responde ela baixinho. "Por que ela quer tanto saber sobre mim?", penso. "Será que ela sabe algo sobre os Ravenscroft?" Suspirando, decido falar. — Eu vou trabalhar de babá. digo. Os olhos dela brilham um pouco. — Legal! Para qual família? Eu conheço todas aqui! — Para a família Ravenscroft. respondo, observando ela com atenção. E é aí que o sorriso dela… morre. Literalmente morre. Os olhos dela se apertam. A expressão muda de curiosidade para algo que parece medo… ou desgosto… ou os dois. Ela respira fundo, nervosa. — Sério? A voz dela quase falha. — Você devia tomar cuidado com eles. Essa família não é conhecida por ser… boa. Eu franzo a testa. — Como assim? — Eles são frios. Distantes. E ninguém confia neles. Ela olha por cima do meu ombro, como se estivesse com medo de que alguém ouvisse. — Ninguém aqui gosta deles, Ravena. Minha mente vai direto para Nicolas. Para os olhos verdes dele. Para a voz calma. Para o jeito protetor de avisar para eu não sair à noite. — Mas por quê? Eles pareceram legais… Quer dizer, o Nicolas pareceu. Sara balança a cabeça, nervosa. — Eu sei que a gente não é amiga. Mas me escuta. Fique de olho neles. Não confie rápido. Não confie fácil. Ela força um sorriso, fraco, estranho. — Até amanhã. — Bem, hora de voltar para casa. murmurro, seguindo em direção à mansão. Assim que entro, encontro Nicolas na sala. — Ravena, espere. Vou atrás da Laila para você conhecer. ele diz antes de desaparecer pelo corredor. Fico ali, parada. Eu ainda não explorei a mansão. Só conheço a entrada e meu quarto. Então meus olhos começam a percorrer cada detalhe: os móveis antigos, o tapete vermelho gasto, os quadros de pessoas que parecem me seguir com o olhar… É quando escuto uma voz bem atrás de mim. E eu não ouvi passos. Nenhum ranger. Nada. Eu me viro rápido, com o coração no pescoço. E vejo ele. Um homem completamente diferente de Nicolas. Mais novo. Mais… leve. Mas igualmente perigoso. Ele é um pouco mais baixo que Nicolas, com o corpo definido e um rosto bonito demais para ser real. Cabelos loiros, bagunçados e curtos, como se ele tivesse acabado de sair de uma briga ou de uma cama. Olhos azuis tão claros que parecem te luz própria. Ele usa um casaco branco que marca os músculos, um brinco prateado na orelha direita e um anel escuro em um dos dedos. Ele me analisa de cima a baixo e sorri como se já tivesse decidido que eu sou algum tipo de brinquedo novo. — Como você chegou aqui sem fazer barulho? pergunto, tentando manter a compostura… e não babar abertamente. Esse homem é bonito demais para existir, igual o Nicolas, mas de um jeito mais… selvagem. Ele inclina a cabeça, divertido. — Chegar onde eu quero sem ninguém perceber é meio que… o meu talento. diz ele, com um sorriso preguiçoso. O tom dele é tão ousado que minhas bochechas esquentam. Ele dá dois passos para frente, e de repente está perto demais, com aquele perfume fresco e levemente doce que dá tontura. — Então você é a nova babá? ele pergunta, com a voz baixa. — Que coisinha bonitinha você é. Minha respiração trava. — E seu nome? pergunto, tentando parecer mais confiante do que estou. O sorriso dele cresce, cheio de charme e provocação. — Draco diz ele. — Draco Ravenscroft. Ele pisca para mim, como se fosse um hábito natural. Antes que eu consiga formular qualquer resposta, Nicolas aparece de novo no corredor e a expressão dele fecha na mesma hora que vê o irmão tão perto de mim. — Draco Nicolas diz, a voz baixa, firme. — Pare de assustar ela. Draco levanta as mãos, teatral. — Só estou sendo amigável, irmão. Ela parece tão frágil… — Ravena. Nicolas me chama, ignorando a provocação. — Laila está esperando. Dou um último olhar para Draco… Ele me observa como se estivesse tentando descobrir algo escondido dentro de mim. E quando sorri, sinto um arrepio. Porque Draco não é só bonito. Ele é perigoso.
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