capítulo 37

777 Palavras

CAPÍTULO 37 — A TRÉGUA DA MADRUGADA Larissa O falso alarme passou, mas estrago no estômago continuou firme. Caí de volta na cadeira, pernas bambas e mãos suadas. Susto foi tão real, pânico de perder tudo que me restava bateu tão forte no peito, que por segundos acreditei que vida ia desabar ali mesmo, dentro da sala dele. Rafael voltou a sentar, calmo como se nada tivesse acontecido, tragando cigarro com pose intocável que me dava nos nervos. Mas pela primeira vez desde que pânico passou, raiva não veio pra ocupar lugar. O que sobrou foi cansaço tão profundo que doía pra respirar. E uma coisa pior: alívio porque ele tava ali na minha frente e não tinha me deixado sozinha. Peguei lápis de novo, forçando olhos embaçados focarem nos números miúdos da planilha. Silêncio voltou a reinar no e

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