CAPÍTULO 51 — A LEI DO DONO LARISSA O relógio da confecção parecia ter decidido me torturar. Olhei para ele pela décima vez. Cinco e quarenta. Ainda faltavam vinte minutos para eu bater o cartão, e minha cabeça já estava longe daquela máquina. O bilhete de Rafael continuava dobrado no bolso da calça. Aquele filho da mãe tinha conseguido me deixar com raiva e com vontade de vê-lo ao mesmo tempo. Pior combinação do mundo. Passei a mão pelo pescoço, ajeitando a gola da blusa preta. O roxo ainda aparecia. E toda vez que uma costureira olhava na minha direção, eu tinha certeza de que estava tentando descobrir se o dono da Boca tinha me mandado outro recado. Manu arrastou o banquinho para perto. — Tá olhando pro relógio por quê, madame? Vai virar abóbora às seis? — Vai trabalhar, M

