CAPÍTULO 39 — O RETORNO À BOCA DO LOBO Larissa O relógio da parede de casa marcava exatamente 19h quando empurrei portão de zinco do morro. Subida da ladeira parecia mais pesada hoje, não só pelo cansaço físico da jornada dupla no Bom Retiro, mas por causa de peso estranho no estômago - mistura de ansiedade com lembrança incômoda do que Rafael tinha me dito na véspera e do polegar dele limpando minha lágrima. Os vapores na guarita me viram passar, mas nenhum ousou fazer gracinha ou dar boa noite. Leão tava lá hoje, encostado na moto, e fez sinal com queixo pra eu subir. Clima ali em cima sempre volátil, oscilando entre silêncio tenso e barulho de tiros que a gente fingia não ouvir de casa. Hoje tava silencioso demais. Quando cheguei ao galpão principal, bati levemente na porta de madei

