CAPÍTULO 40 — CIÚME DE PATRÃO Larissa - O relógio da confecção marcou 18h50 e eu já tava correndo. Se eu perdesse a lotação das 19h, ia chegar atrasada e sabia que o humor dele piora quando eu atraso. Troquei de roupa no banheirinho da confecção mesmo, tirei o uniforme cheio de linha e coloquei calça jeans justa e blusinha preta que a Manu me emprestou. O moletom dele tava dobrado na bolsa - eu ia devolver hoje. Juro que ia. Subi a ladeira do morro suada, cabelo preso de qualquer jeito. Na guarita da travessa dois, tinha um vapor novo. Nunca tinha visto. Magrinho, com cordão dourado, me olhou de cima a baixo quando passei. Vapor novo: — Aí, princesa da contabilidade... toda noite subindo pro patrão, né? Quando vai subir pra mim também? Tô te olhando tem dias. Travei na hora. Sangue

