CAPÍTULO 26 — CONTAS E DESABAFOS Larissa O silêncio na sala só era quebrado pelo tec tec da calculadora e o risco do meu lápis nos quadros de receita. Quase nove da noite do terceiro dia. Meu cérebro fritando de tanto cruzar dado, mas me recusava a pedir ajuda ou demonstrar fraqueza na frente dele. Rafael tava na cadeira dele, fingindo mexer nos papéis da associação, mas eu sentia o peso daquele olhar escuro em cima de mim a cada segundo. Irritante, sufocante e, pior, tava mexendo com minha concentração de um jeito que eu odiava admitir. — Dá pra parar de me secar? — soltei sem levantar os olhos, paciência estourada. — Desse jeito vou errar a soma de novo e a culpa vai ser tua por ficar me encarando igual gavião. Ouvi o couro da cadeira ranger e ele cruzar os braços. Quando olhei de c

