CAPÍTULO 25 — O RITMO DA QUEBRADA
Rafael
O sol já tinha ido embora há tempos, e a biqueira começava a engrenar pro turno da noite. Escorado na mureta da varanda do escritório, cigarro na mão, olhando o fluxo de moto subindo e descendo. Rotina do morro sempre a mesma: som alto vazando dos barracos, correria de vapor, fofoca correndo solta e cheiro de pólvora e fumo no ar.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, peguei o relógio pra conferir antes da hora. 19:10.
Última tragada, pisei na bituca e voltei pra dentro. Leão tava na cadeira de canto, rádio na mão.
Leão: — Os moleques da guarita avisaram, Patrão. Tá subindo. Hoje atrasou, kombi quebrou na pista. E ó... comeu tudo hoje na confecção. A menina da portaria mandou foto do marmitex vazio.
Senti o canto da boca repuxar. Sozinho.
Rafael: — É o terceiro dia seguido subindo essa ladeira depois de 10 horas de máquina. Achei que hoje ela ia arriar.
Leão: — Ela tem tua teimosia, Patrão. Só que bonita.
Cruzei os braços. Sabia que ela não ia faltar. Larissa tem marra, mas tem palavra. E o orgulho dela é maior que o cansaço. Principalmente depois do bilhete que deixei no moletom ontem.
Batidas secas na porta de madeira e ela empurrou com força.
Larissa entrou passo duro, rosto fechado, r**o de cavalo alto balançando, blusa de moletom de sempre - o meu moletom - e uma garrafinha de café na mão. Jogou a bolsa na cadeira com força, bufando.
Larissa: — Não começa a olhar relógio, peguei trânsito infernal no ônibus vindo do Bom Retiro e ainda tive que subir essa ladeira a pé porque a kombi atrasou!
Encostei a cintura na beirada da mesa, achando graça da irritação dela logo na chegada.
Rafael: — Calma, costureira. Ninguém tá cobrando atraso. Tô sabendo que hoje você fez o dever de casa lá no Bom Retiro. Comeu tudo.
Ela travou. Rosto ficou vermelho na hora.
Larissa: — Você mandou alguém fotografar meu marmitex agora? Você é doente?
Rafael: — Mandei cuidar do que me paga as contas. Minha contadora não trabalha de estômago vazio. Se desmaiar aqui eu perco dinheiro.
Ela fechou a cara, puxou a cadeira pra perto da mesa e abriu os cadernos com um baque seco.
Larissa: — Menos gracinha, Rafael. Abre logo o caderno do caixa de ontem pra eu terminar essa contabilidade maldita e ir cuidar da minha vida.
Fiquei olhando ela ajeitar as canetas com pressa, tentando esconder o cansaço profundo embaixo da casca grossa de marra. Quarto escuro, cheiro de café forte da garrafinha e o jeito como mordia o lábio inferior toda vez que empacava num cálculo começaram a virar a parte mais interessante da minha noite.
Rafael: — Vida? Que vida, Larissa? Por enquanto, teu único mundo fora daqui é a máquina de costura e a cama da tua mãe. O resto... agora passa por mim. Até o que cê come.
Ela parou a caneta no meio do papel, ergueu o rosto e me fuzilou com os olhos. Mas antes que mandasse pro inferno, me virei de costas, rindo baixo.
A contadora tava aprendendo que dívida comigo não se paga só com conta. Se paga com presença.
O jogo tava só começando.
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NOTA DA AUTORA:
GENTEEEEE! Ele fotografando o marmitex vazio dela? Isso é cuidado ou obsessão? 😱
O Rafael tá cada dia mais possessivo e a Larissa jura que odeia, mas continua usando o moletom dele... o que vocês acham?
Deixa o COMENTÁRIO e o LIKE que se bater 200 comentários eu solto o 26 ainda hoje de madrugada com o que ela vai achar nos cadernos! E quem tá lendo com moeda, obrigada, vocês sustentam essa história! 💋🔥