O cliente misterioso

1247 Palavras
📖 PODER SEM DONO Capítulo 10 — O Cliente Misterioso A noite havia descido sobre a cidade como um manto escuro e pesado, trazendo consigo o brilho frio das lanternas de óleo e o murmúrio distante das ruas. A Casa da Lua Rubra pulsava com vida: música suave flutuava nos corredores, risadas ecoavam nos salões, e o ar cheirava a flores, vinho e esperança. Desde que Veyra ali chegara, tudo mudara — ela era a atração principal, a mais procurada, a mais desejada. E naquela noite, havia algo diferente no ar. Uma tensão que fazia o coração bater mais depressa. Liora entrou nos bastidores com passos rápidos, segurando uma pequena caixa de madeira polida nas mãos. O rosto dela trazia uma expressão de espanto genuíno. — Veyra — chamou, baixinho. Veyra virou o rosto devagar. — Sim? — Temos uma reserva especial. Absolutamente extraordinária — disse Liora, e a voz dela tremeu. Colocou a caixa sobre a mesa e abriu a tampa. Dentro havia uma bolsa de tecido grosso, abarrotada de moedas de ouro que brilhavam tanto que doía os olhos. Veyra arregalou os olhos. — Isso é... só uma parte? — Apenas o sinal — confirmou Liora. — O total é uma fortuna maior do que a casa ganha em meses. Ele pagou tudo para passar a noite com você inteiramente. Para ser seu, a noite toda. Sem interrupções. Veyra ficou sem ar. Dinheiro daquele tamanho... para uma noite. — E quem é ele? — perguntou, com a boca seca. — Não disse o nome. Só pediu você. E pagou antes mesmo de perguntar se aceitava — Liora entregou-lhe um pedaço de papel com o endereço. — Ala das Sombras. Lá ninguém entra. Veyra segurou o papel, as mãos levemente trêmulas. — Está bem — disse, levantando-se. — Eu vou. Caminhou pelo corredor longo e escuro. A música do salão foi sumindo, substituída pelo som dos próprios passos e da respiração. As paredes cobertas de tecidos escuros, lanternas pequenas espalhando uma luz tênue que m*l afastava as sombras. O silêncio ali era denso, pesado. Chegou diante da porta maciça. Respirou fundo, endireitou os ombros, e bateu devagar. Nenhuma resposta. Empurrou a porta lentamente. Ela abriu sem som. Entrou, e o ar frio da sala a envolveu. Fechou a porta atrás de si. A sala estava quase inteiramente na penumbra. Apenas uma vela perto da grande janela iluminava o espaço. E ali, de pé, de costas para ela, fitando a noite... estava um homem. Alto. Imponente. Vestido inteiramente de preto. Sem enfeites, sem jóias — e ainda assim mais majestoso do que qualquer rei. A postura dele era inconfundível. O ar ao redor dele parecia mais pesado, mais quente. Veyra deu um passo à frente, a garganta seca. Curvou o corpo profundamente, a voz suave e trêmula: — Estou aqui para te servir como desejar. Sou sua, esta noite. Faça o que quiser de mim. Silêncio. Ela esperou, de cabeça baixa, o coração batendo tão forte que doía. Então o homem se virou. Veyra ergueu os olhos — e o mundo parou. Os olhos dela se arregalaram. A respiração morreu nos lábios. Ela conhecia aquele rosto — cada linha, cada sombra, aqueles olhos escuros e profundos que a haviam olhado com tanto amor e tanto poder. — Kaelen... — sussurrou, quase sem som. Ele estava ali. Kaelen. O Ser Supremo. O homem que a amara. O homem que a deixara sozinha no mundo. E era ele — o cliente. Ele pagara toda aquela fortuna para ter uma noite com ela. Veyra ficou imóvel, chocada demais para se mover. Depois, lentamente, endireitou o corpo, os olhos cheios de confusão e de algo mais — uma chama que não morrera. — Foi você? — perguntou, a voz fraca. — Você quem pagou tudo isso... para me ter esta noite? Kaelen assentiu devagar, sem desviar o olhar. Os olhos dele estavam cheios de um d****o tão profundo que parecia doer. — Fui eu — confirmou. A voz era grave, profunda, carregada de tudo o que havia reprimido. Veyra soltou uma risada curta, trêmula, incrédula. — Você está louco... — sussurrou, mas não havia raiva — havia saudade. Havia reconhecimento. — Louco de verdade. Podia ter vindo falar comigo. Sempre. — Eu não queria apenas falar — respondeu ele, e a voz era rouca, direta, sem esconder mais nada. — Eu queria você. Toda a noite. Sem pressa. Sem ninguém para nos interromper. E paguei o preço que fosse preciso para isso. Veyra sentiu o corpo todo aquecer. As palavras dele caíram sobre ela como fogo. — E o que o Senhor deseja de mim? — perguntou, baixando o tom, aproximando-se um passo, os olhos fixos nos dele. — Sou sua. Como sempre fui. Ele não hesitou. Não demorou. Não tratou-a com delicadeza como antes. Apertou-a contra si com força, os dedos cravando na pele dela como se quisesse marcar cada centímetro do corpo que julgava ter perdido. Veyra abriu os lábios para falar, mas ele calou-a com um beijo duro, exigente, que não deixou espaço para nada além dele. — Você é minha — rosnou contra a boca dela, áspero, sem paciência. — Sempre foi. E hoje eu vou te provar isso. Não houve carinho lento, nem palavras doces. Ele a deitou de costas com um movimento firme, subiu sobre ela e não perdeu tempo. A segurou com firmeza pelas ancas, afastou-lhe as pernas e entrou nela de uma vez, inteiro, sem aviso, sem ir devagar. Veyra arqueou o corpo todo, os dedos agarrando os lençóis com força, e soltou um gemido alto, rouco, arrancado dela de repente — profundo, cheio, ele a preenchendo por completo de um jeito que doía e ao mesmo tempo a consumia. — Ah! — gritou, o peito subindo e descendo rápido. — Kaelen... Ele não parou. Não foi suave. Começou a mover-se com força, firmeza, ritmo pesado e direto, sem ir devagar, sem cuidar se era demais. Cada movimento era fundo, decidido, sem dó — como quem reivindica o que é seu, como quem não quer mais esperar nem um segundo. O som dos corpos se encontrando era constante, pesado, preenchendo todo o silêncio da sala. Veyra gemia sem conseguir se conter — cada vez que ele entrava nela, mais alto, mais longo, perdida, os olhos cerrados, a cabeça jogada para trás. — Mais forte... — sussurrou entre suspiros e gemidos. — Não pare... Ele não respondeu com palavras. Apenas apertou mais, foi mais fundo, mais duro, movendo-se com toda a força que tinha — sem ternura, sem delicadeza, apenas d****o puro, bruto, possessivo. E ela aceitava tudo, pedia mais, gemendo o nome dele a cada golpe, sentindo que ele a tomava inteira — corpo, v*****e, tudo. Não havia carinho ali. Havia fogo. Havia posse. Havia o peso de tudo o que haviam perdido e que agora ele estava tomando de volta, com força, sem pedir licença. E Veyra, entre gemidos longos e profundos, sentia que era exatamente isso que precisavam — ele a tomando sem dó, e ela sendo dele, de novo, completamente. Mas lá fora, escondido nas sombras do corredor, alguém havia visto tudo. Alguém esperara a noite inteira. E quando a luz se apagou dentro da sala, uma voz baixa e fria sussurrou para o escuro: — O Ser Supremo paga por uma noite com a súcubo... Isso é mais do que esperávamos. Isso é uma fraqueza. A sombra recuou e desapareceu — e Veyra e Kaelen não perceberam. Ainda não.
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