📖 Capítulo 11— O Vazio ao Lado da Cama
O sol nasceu devagar, derramando uma luz pálida e fria pelas frestas das cortinas pesadas. O quarto estava silencioso — um silêncio tão denso que parecia pesar sobre o peito dela.
Ela abriu os olhos lentamente.
No primeiro instante, sentiu apenas o calor dos lençóis e o cheiro dele — aquele aroma de fogo e tempestade que ficara impregnado em tudo. Mas quando virou o rosto para o lado... a cama estava vazia.
O espaço onde ele dormia estava frio. Os lençóis já não tinham a forma do corpo dele. Ele partira horas antes. Sem um aviso. Sem uma palavra. Sem um adeus.
Ela ficou imóvel por um longo momento, apenas olhando para aquele lugar vazio. O coração bateu-lhe devagar, com uma pontada de dor que não era só física. Depois tentou se sentar — e o corpo inteiro gritou.
Um gemido escapou-lhe dos lábios antes de conseguir segurar.
Dolorida. Tão dolorida.
Cada movimento era uma agonia lenta. Os músculos queimavam como se tivesse passado a noite inteira lutando contra uma força maior que ela. A pele, sensível e viva, doía ao toque do próprio ar. Levantou devagar a mão e tocou o pescoço — ali estavam, claras e escuras, marcas profundas que ele deixara com os lábios e os dentes. Desceu os dedos pelo colo, sobre o peito, a barriga, as coxas... por toda parte havia sinais dele. Manchas escuras, quentes, que latejavam ao toque — lembranças físicas de cada momento, cada toque, cada beijo que ele lhe dera com fúria e d****o.
— Tão forte... — sussurrou, a voz rouca e fraca. — Ele foi tão forte comigo...
Sentiu uma mistura estranha de dor e prazer ao lembrar. Ele a havia consumido. A havia preenchido por inteiro, sem poupar nada, sem ir com calma, como se quisesse deixar a marca dele gravada na carne dela para sempre. E agora, olhando para si mesma — coberta de marcas, tremendo de cansaço, sentindo o corpo pesado e usado — percebeu que ele conseguiu.
Levantou-se com esforço. Cada passo era lento e doloroso. As pernas tremiam. Ainda sentia a sensação dele dentro de si, quente e profunda, como se não tivesse saído de todo. Caminhou até o espelho de pé, no canto do quarto, e parou diante dele.
O rosto estava corado, os lábios inchados e vermelhos, os olhos brilhantes mas cansados. O pescoço e os ombros estavam cheios de marcas escuras que desciam pelo peito. Tocou uma delas com a ponta do dedo — doeu, mas era uma dor doce, viva.
— Sou dele — murmurou para o reflexo, e as lágrimas encheram-lhe os olhos de repente. — Mesmo que não esteja aqui... sou dele.
Olhou ao redor do quarto. A roupa dele não estava. Os objetos pessoais também não. Ele levara tudo. Só deixara ela. E as marcas. E a memória de cada toque, cada gemido, cada palavra que ele sussurrara contra a pele dela.
Ela voltou devagar para a cama e sentou-se na beira, abraçando a si mesma. O corpo doía muito, mas o vazio ao lado dela doía mais ainda. Ele fora tão intenso, tão presente a noite toda — e agora sumira como fumaça.
— Prometeu que não me deixaria — sussurrou, com a voz embargada. — E já se foi.
Ficou ali sentada, envolvida nos lençóis que ainda guardavam um resto do calor dele, olhando para a porta fechada. O dia lá fora começava — as pessoas acordavam, trabalhavam, viviam — mas ali, naquele quarto, o tempo parecia ter parado. Ela estava sozinha, marcada por ele, carregando o gosto dele na boca e o peso dele no corpo, sem saber se ele voltaria alguma vez.
Só restava a certeza de uma coisa: nada seria igual novamente. O corpo dela podia sarar. As marcas podiam desaparecer com o tempo. Mas o que ele fizera ao coração dela... isso nunca sairia.
Deitou-se de novo, encolhida no espaço que antes era dos dois, e fechou os olhos. Ainda doía tudo. Ainda sentia ele em cada canto. E, em silêncio, rezou para que ele voltasse antes que ela se desfizesse por completo.