📖 PODER SEM DONO
Capítulo 12 — O Eco da Ausência
A manhã avançou lentamente.
Veyra continuava sentada junto à janela, envolta num manto escuro, olhando para as ruas abaixo.
A cidade já estava completamente acordada.
Carruagens passavam.
Comerciantes abriam suas lojas.
Crianças corriam pelas ruas.
A vida continuava.
Mas, para Veyra, alguma coisa havia parado.
Ela ainda tentava entender por que Kaelen tinha ido embora sem dizer uma palavra.
Não era apenas a ausência dele.
Era o silêncio.
Durante tanto tempo, Kaelen havia sido a pessoa mais presente em sua vida.
Agora, depois de tudo o que haviam vivido, ele simplesmente desaparecera.
Veyra apertou os dedos contra o tecido do manto.
— Por quê?
Não havia resposta.
Ela levantou-se.
Precisava voltar para a Casa da Lua Rubra.
Não podia permanecer escondida naquele quarto para sempre.
Abriu a porta.
Do lado de fora, Liora estava esperando.
Quando viu Veyra, percebeu imediatamente que havia algo errado.
— Você está bem?
Veyra tentou sorrir.
— Estou.
Liora não acreditou.
— Tem certeza?
— Só estou cansada.
Liora permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois entregou-lhe uma pequena bandeja com comida.
— Então coma primeiro.
Veyra olhou para a bandeja.
— Não estou com fome.
— Mesmo assim.
Veyra aceitou.
— Obrigada.
As duas caminharam juntas pelo corredor.
---
No salão, algumas funcionárias conversavam.
Quando Veyra apareceu, todas olharam para ela.
Não por curiosidade.
Por preocupação.
Uma delas se aproximou.
— Você sumiu ontem.
— Tive um compromisso.
— Está tudo bem?
Veyra assentiu.
— Sim.
Ela não queria falar sobre Kaelen.
Não ainda.
Sentou-se atrás do balcão e começou a organizar algumas moedas.
Precisava ocupar as mãos.
Precisava pensar em qualquer outra coisa.
Mas então sentiu uma coisa.
Um arrepio percorreu sua nuca.
Veyra levantou a cabeça.
O salão estava normal.
Pessoas conversavam.
Música tocava.
Nada parecia diferente.
Mas seu poder...
estava inquieto.
Ela colocou discretamente a mão sobre o peito.
— O que está acontecendo?
Uma pequena onda de energia percorreu seus dedos.
Veyra fechou a mão.
— Calma.
A energia desapareceu.
Mas não completamente.
Alguma coisa permanecia.
Uma espécie de eco.
Como se uma presença distante estivesse chamando por ela.
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Muito longe dali, Kaelen caminhava por uma estrada cercada por árvores antigas.
Ele não havia retornado imediatamente ao castelo.
Precisava investigar.
A marca encontrada na noite anterior ainda estava em sua mente.
Os Guardiões do Primeiro Sangue.
Kaelen conhecia histórias sobre eles.
Histórias que até mesmo os reis haviam esquecido.
Segundo as antigas lendas, aquela ordem procurava criaturas capazes de carregar poderes que existiam antes da formação dos atuais reinos.
Mas Veyra não deveria ser uma delas.
Pelo menos...
não deveria.
Kaelen parou diante de uma enorme pedra coberta por símbolos.
Colocou a mão sobre a superfície.
Os símbolos começaram a brilhar.
Uma voz antiga ecoou.
— O poder despertou.
Kaelen fechou os olhos.
— Quem está falando?
— Aquele que deveria permanecer adormecido.
Kaelen ficou imóvel.
— Onde está?
A voz respondeu:
— Dentro dela.
Kaelen retirou a mão.
— Não.
— Você tentou conter aquilo.
— Eu consegui.
— Você apenas atrasou o despertar.
Kaelen apertou os punhos.
— Quanto tempo?
Silêncio.
Então a voz respondeu:
— Muito pouco.
A pedra rachou.
Kaelen olhou para ela.
— Então preciso encontrá-la antes deles.
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Na Casa da Lua Rubra, Veyra começou a sentir uma dor estranha na cabeça.
Ela fechou os olhos.
Imagens começaram a surgir.
Uma floresta.
Uma montanha.
Uma mulher desconhecida.
Um bebê.
E uma luz dourada envolvendo aquela criança.
Veyra abriu os olhos de repente.
Derrubou algumas moedas.
Liora correu até ela.
— Veyra!
Ela respirava rapidamente.
— Eu vi alguma coisa.
— O quê?
— Uma criança.
— Uma criança?
Veyra assentiu.
— Era uma súcubo.
Liora ficou confusa.
— Você conhece essa criança?
Veyra levou a mão à cabeça.
— Não sei.
Então outra imagem surgiu.
Uma mulher segurando o bebê.
E, atrás delas, uma enorme criatura feita de luz.
Veyra ficou pálida.
— Kaelen...
Liora perguntou:
— O que ele tem a ver com isso?
Veyra não respondeu.
Porque naquele instante percebeu algo.
A criatura não estava protegendo a criança.
Estava ajoelhada diante dela.
Veyra sentiu um arrepio.
— Isso n******e ser...
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Naquela mesma hora, uma figura entrou na cidade.
Vestia uma capa longa.
Passou pelos portões sem chamar atenção.
Caminhou pelas ruas até chegar diante da Casa da Lua Rubra.
Parou.
Olhou para o prédio.
Depois abriu a mão.
Uma pequena marca dourada apareceu em sua palma.
— Finalmente.
A figura entrou.
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Veyra sentiu imediatamente.
Seu poder explodiu dentro dela.
Todas as lanternas do salão apagaram ao mesmo tempo.
As pessoas começaram a gritar.
Liora segurou o braço dela.
— Veyra!
— Eu sinto alguém.
— Onde?
Veyra virou-se para a entrada.
A porta estava aberta.
A figura encapuzada estava parada ali.
Ninguém conseguia ver seu rosto.
Veyra deu um passo para trás.
— Quem é você?
A figura não respondeu.
Apenas levantou uma mão.
A marca dourada brilhou.
O poder de Veyra respondeu.
Uma onda de energia atravessou o salão.
As mesas tremeram.
As janelas vibraram.
Veyra segurou a cabeça.
— Pare!
A figura finalmente falou:
— Não estou atacando você.
Veyra olhou para ela.
— Então o que quer?
A voz respondeu:
— Despertá-la.
Veyra ficou imóvel.
— Despertar o quê?
A figura abaixou a mão.
— Aquilo que Kaelen passou séculos tentando manter adormecido.
O salão ficou completamente silencioso.
Veyra sentiu o coração acelerar.
— Você conhece Kaelen?
A figura respondeu:
— Conheço a verdade que ele esconde de você.
Antes que Veyra pudesse perguntar qualquer coisa, uma enorme pressão atravessou a cidade.
As paredes tremeram.
O céu escureceu.
E, muito longe dali, Kaelen levantou a cabeça.
Ele sentiu.
O despertar havia começado.
— Veyra...
Então desapareceu em meio à floresta.
Na Casa da Lua Rubra, a figura encapuzada continuava diante dela.
— Prepare-se, Veyra.
— Para quê?
A figura sorriu.
— Para descobrir por que você nasceu com um poder que nem mesmo o Ser Supremo consegue controlar.
E desapareceu.
Veyra ficou sozinha no salão.
Mas dessa vez não sentiu medo.
Sentiu raiva.
Porque finalmente havia entendido uma coisa.
Todos pareciam conhecer partes da sua história.
Todos...
menos ela.