Ricardo
Eu tinha saído da boca, depois de falar com o PC, o manda chuva do morro. Ele havia me ordenado ir pegar os pagamentos dos devedores, e assim o fiz. Mas quando estava voltando para a boca para entregar a ele o dinheiro, vi os policiais fazendo ronda, e no susto, acabei pisando em falso e torcendo o pé. Dor do c*****o!
Eles estavam se aproximando e eu receoso, porque a viatura estava chegando perto e eu carregava uma mochila cheia de grana nas costas. Foi quando ouvi uma voz doce e bonita de escutar e, olhando para trás, tinha uma menina parada, me encarando. Ela era linda demais. Nem muito alta, nem muito baixa, cabelos na altura dos ombros e escuros, seus cachinhos nos faziam ter vontade de tocar.
Sua pele era moreninha. Uma n***a de pele clara. Só estranhei as roupas, as meninas da área não costumavam se vestir daquele jeito. Pelo contrário, sempre davam um jeito de mostrar o máximo que podiam. E confesso que ela me intrigou logo de cara. Parecia aquelas crentes de saia longa e o c*****o. Mas nada disso tirava sua beleza.
Ela me convidou para entrar e eu fiquei o tempo todo vidrado, fissurado nela. Parecia até um anjo. A forma como falava, sorria… eu devia ter morrido e estava no céu sem saber. Se bem que, com meus pecados, provavelmente o lugar mais certo para mim era o inferno.
Infelizmente, como dizia o ditado: alegria de pobre dura pouco. Porque tivemos que nos despedir, mesmo eu querendo ficar ali por muito mais tempo, a admirando. E ela falava tão bem, que dava vontade de ficar ouvindo por horas.
Saí de lá, segurando a mochila nas costas, analisando em volta do lugar para me certificar de que os homens não estavam mais na área, só então fui para a boca, entregar o dinheiro ao PC.