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811 Palavras
Morte Os vapores já tinham começado a jogar gasolina dentro do convento quando uma freira saiu de trás da pilastra. Só que ela era diferente das outras. Mas, como todas elas, tava com um pijama ridículo que me deu vontade de rir… mas eu mantive a minha postura. Ela falou que queria negociar comigo, e eu fiquei me perguntando o que ela teria pra negociar. A mulher que eu dei o tapa falou que todas ali não tinham pra onde ir. Será que essa aí ia me convidar pra fazer parte dos sem-teto? Ou será que era r**m da cabeça e queria me convidar pra ir pro CAPS? Morte: Hahaha. E o que você vai negociar comigo, me diz. Porque eu acho que você não tem nada que eu queira. Ela me encarou com uma sobrancelha arqueada e fez cara de deboche. Eu consegui reconhecer. Lorena: Você é muito m*l-humorado, sabia? Eu acho que você precisa de uma psicóloga. Ou de uma mulher. Morte: E você provavelmente tá querendo morrer. Ou não sabe quem eu sou, por isso que tá falando essas besteiras. Cuidado pra não ter o mesmo destino da madre... acabar sem cabeça, irmã. Lorena: Agora me diz, pra que tanta agressividade com um bando de mulher? Eu acho que você é muito frouxo. Só tem coragem de matar mulher. Eu dei um sorriso de lado porque ela tinha acabado de me desafiar na frente dos meus vapores. Ela tinha falado besteira. O Fantasma me olhou. Tartaruga e os outros também ficaram me encarando com os olhos arregalados. E foi aí que eu falei: Morte: Peguem ela. Podem dar vinte madeiradas. Na hora que eles foram pegar, ela saiu correndo. Eu olhei pra cara do Fantasma, e ele me olhou como quem diz: “eu não vou ficar correndo atrás dela dentro de um convento”. Então eu fui. Ela entrou na cozinha e eu entrei atrás. Era um lugar estranho. Fiquei olhando pra todos os lados e não encontrei ela. Lorena: Você é psicopata, né? Você tem sérios problemas de cabeça. Tudo você quer matar os outros ou bater. Eu, hein. Você não é meu pai, é muito menos minha mãe. Eu não vou ficar apanhando de graça de vagabundo, não. Morte: É melhor você sair logo pra ser cobrada, porque se eu tiver que te procurar, eu vou mandar dar cinquenta madeiradas. Eu falei tentando seguir a voz dela, que ecoava no ambiente. Lorena: Virei maluca, eu, né? De sair daqui pra tomar vinte madeiradas. Eu não vou parar no postinho. Eu tenho mais o que fazer da minha vida. Eu, hein. Tá ficando doido da cabeça. Ou melhor, você já é doido da cabeça. Agora tá ficando maluco de vez. Eu tava começando a perder a paciência quando, do nada, ela apareceu por trás de uma bancada e me deu uma panelada na cabeça. POC! Eu só dei um passo pra trás, mas não caí. Só senti o sangue começar a escorrer do lado da minha testa. Morte: Mudei de ideia. Agora eu vou te matar. Ela arregalou os olhos e saiu correndo de novo. Quando eu fui pra um lado da bancada, ela correu pro outro. Lorena: Você não me pega! Hahaha! Morte: Isso não é uma brincadeira! Você perdeu a noção do perigo! Lorena: Eu posso fazer isso a noite toda, doido! Eu fui tentar pegar ela de novo, dei uma volta rápida pela bancada, e ela correu pro outro lado, rindo. O Fantasma apareceu na porta da cozinha só com os olhos arregalados. Ela continuava fugindo de um lado pro outro, e eu já tava ficando cansado daquela palhaçada. Morte: Se eu te der um tiro na cabeça, tu para. Lorena: Você é tão frouxo que quer me dar um tiro na cabeça só porque não consegue me pegar! Fraco! Eu fui correr pra cima dela. Foi quando vi que ela jogou uma garrafa de água com sabão em pó no chão, bem na minha frente. Eu não tive nem tempo de frear. ESCORREGUEI FEIO. PÁ! Caí de costas no chão da cozinha com tudo, escorregando igual desenho animado. Lorena correu pro outro lado gargalhando. Lorena: Hahahaha! EU TE AVISEI! TU NÃO ME PEGA, SEU MORTÃO! O Fantasma encostou na porta e tapou a boca tentando não rir, mas o Tartaruga deixou escapar um “ihhh, levou um capote” lá da sala. Eu levantei, furioso, com a mão na cabeça cheia de sangue, e olhei pra ela com os olhos ardendo de raiva. Morte: Acabou a brincadeira. Lorena: Você fala muito. Você é solteiro, né? Isso é falta de uma conchinha à noite. Talvez você esteja precisando de um chá bem dado. Morte: Pra uma freira, você fala besteira demais. Lorena: Pra uma freira, você fala besteira demais — ela me imitou. E saiu correndo de novo. E eu vim atrás.
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