POV: CAUÃ (O CHACAL) Meus punhos estavam cerrados até a pele dos nós dos dedos rasgar. O ódio subia pelo meu sangue. Quente. Grosso. Fervia atrás do meu olhar. Eu precisava de sangue hoje. Sangue asfalto manchando o mármore. A culpa esmagava minhas costelas. A falta de ar era física. Eu não tava lá pra proteger ela. Travei a mandíbula até sentir os dentes estalarem. Olhei pro céu escuro da Jaguatira e apertei o cordão de ouro no peito. — Senhor, Deus, me escuta. Eu sei que minha vida é o crime. Mas ela não. Ela é a minha salvação. Não deixa ela ir, Deus. Me perdoa pelo que eu vou fazer hoje, mas eu vou matar. A laje da contenção não tava Mec. Não tava Tudo 2. O baile funk foi cortado na marra. O morro inteiro sentiu o peso do ar. Metal frio batendo. Pente de fuzil engatado. Pentão

