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1138 Palavras
Ana Luiza Narrando Eu cheguei na delegacia para mais um dia de trabalho, com um café expresso na mão. Era para o Elliot, já que ele havia sido tão... Tão educado na noite anterior. Eu queria agradecer pelo vinho que ele me deu ontem à noite, e tentar me aproximar dele novamente, já que depois de me entregar o vinho, ele meio que me deixou ali, plantada. Acho que dei mancada em me aproximar, não sei. Talvez ele tenha ficado constrangido por ter me visto de camisola, ou talvez ele tenha... Eu não sei... Eu ainda não entendia o que tinha acontecido. Ele tinha ido até a minha casa, com um vinho na mão, e tinha me pedido desculpa e me elogiado... Ele tinha dito que me admirava, que me respeitava… E depois tinha se afastado de mim, como se eu fosse uma estranha. Ele tinha ido embora, sem sequer me dar uma chance. Como ele pode invadir meu território e fazer isso? Parece que Elliot gosta de me deixar confusa. Eu não sabia o que ele queria de mim, não sabia o que ele sentia por mim. Eu só sabia o que eu queria dele e o que eu sentia por ele. Minha cabeça girava em pensamentos repetitivos sobre o quanto eu o amava. Parece que eu só tenho dois objetivos na vida: Conquistar Marcos Elliot, e prender Imperador. Eu queria que Marcos me amasse... Queria que ele me quisesse. Eu queria que ele fosse meu, só meu, de mais ninguém. Só que pra piorar um pouco, além de eu não saber o que ele quer de mim, eu sei o que ele não quer com ninguém: Um relacionamento. Marcos é convicto do seu estado civil de solteiro. Será que eu conseguiria, eu não sei, mudar isso nele? Ou talvez... Talvez só uma noite ao seu lado... Interrompi meus próprios pensamentos balançando minha cabeça. Entrei na delegacia e fui direto para a sala dele. Bati na porta e esperei ele me atender. - Entre. - ele disse, com a voz grave. Eu abri a porta e entrei, sorrindo, com o copo de café na mão. - Bom dia, Marcos. - eu disse, animada. - Bom dia, Ana Luiza. - ele disse, sério. Ele estava sentado na sua mesa, com vários papéis espalhados. Ele estava com uma expressão de cansaço e preocupação. Ele estava lindo, como sempre. Aquele cabelo preto, os olhos azuis concentrados... - Eu trouxe um café para você. - eu disse, colocando o copo na mesa dele. - Obrigado. - ele disse, sem olhar para mim, sem se importar. - É o mínimo que eu podia fazer, depois do vinho que você me deu ontem. Era realmente maravilhoso. Um presente e tanto! - eu disse, tentando puxar assunto, mas aparentemente ele não queria saber. - Não precisa agradecer. Eu fui um o****o com você no dia anterior, era o mínimo que eu podia fazer. - ele disse, sem se animar muito. - Foi um gesto muito gentil da sua parte, mesmo. - eu disse, tentando elogiá-lo. - Que bom que gostou. - ele disse, sem se interessar nenhum pouco. Aquilo feriu meu coração. Eu percebi que ele estava mais frio do que antes. Ele estava distante, incomodado. Eu me perguntei o que havia acontecido. Foi por causa de ontem? Por causa da minha aproximação? Por ter me visto de camisola? Nem eu sei... - Marcos, está tudo bem? - eu perguntei, preocupada. - Está tudo bem, tudo ótimo. Por quê? - ele perguntou, olhando para mim pela primeira vez. - Você parece… diferente. Mais sério, mais calado. Aconteceu alguma coisa? - eu insisti. - Não aconteceu nada. Só estou um pouco cansado e estressado com um caso antigo. Nada demais. - ele mentiu e eu sabia. quando mente, uma pequena covinha se forma perto de seu queixo. Eu sabia que ele estava mentindo. Eu sabia que tinha algo mais por trás daquele comportamento estranho. Eu queria saber o que era. - Que caso antigo? - eu perguntei, curiosa para saber o que estava acontecendo. - Um caso que não vem ao caso agora. Não é importante. - ele desconversou. - Marcos, você pode confiar em mim. Você pode me contar o que está te incomodando. Eu sou sua subordinada, mas além disso, sou sua amiga... - eu tentei me aproximar dele. - Ana Luiza, não é nada que você possa fazer ou ajudar. É um assunto pessoal meu. Não se preocupe com isso. Vamos falar de outra coisa, do nosso trabalho atual. Vamos falar do roubo de joias que aconteceu ontem à noite no hotel cinco estrelas da cidade, é o que é importante agora. Você já tem alguma pista sobre os suspeitos? - ele mudou de assunto rapidamente. Eu percebi que ele não queria falar sobre o seu problema comigo. Ele estava me evitando novamente, mas que droga! Mas eu não desisti dele tão facilmente, não hoje. Acordei extremamente determinada. Me sentei na cadeira em frente à dele e toquei a sua mão sobre a mesa. Eu olhei nos seus olhos e disse: - O roubo de joias está resolvido e o relatório já foi entregue. - Falei, primeiramente tentando tranquilizá-lo. - Marcos, você não precisa se fechar assim para mim. Você não precisa se isolar assim do mundo, poxa. Não precisa carregar esse peso sozinho nas costas. Você... Você tem alguém que se importa com você, aqui do seu lado. De verdade. Eu senti o meu coração bater mais forte pela coragem de fazer o que fiz. E pela primeira vez, Marcos não desviou o olhar. Ele aceitou o carinho na sua mão e retribuiu com o seu polegar. Ele me olhou nos olhos e disse: - Eu… Eu estou com problemas com minha filha de catorze anos, Billie. Ela pintou o cabelo de azul e decidiu ser uma rebelde. E eu também... - ele hesitou. O telefone dele tocou e rapidamente nós nos soltamos. - Alô? - ele atendeu, com a voz alterada. Eu fiquei em silêncio, esperando ele terminar a ligação. Mas essa ligação parecia longa demais, e eu achei melhor me retirar da sala dele. - Depois nos falamos, Ana Luiza. É a Billie. - Ele disse. Eu já sabia que Marcos tinha uma filha, mas eu não sabia nada além de seu nome: Belinda Elliot, mais conhecida como Bill, ou Billie. Ele nunca falava sobre ela ou sobre qualquer um de seus problemas pessoais. Sei que Marcos engravidou a mãe dela sem querer, e não chegaram a ter um relacionamento. Ele tenta ser um bom pai e cuida de Belinda sempre. Do lado de fora, eu ouvia a discussão. - Eu não estou acreditando que você fez isso, Billie! - Ele gritou, nervoso. - Quer saber? Me espera. Eu resolvo isso a noite, entendeu? A noite. - Ele resmungou.
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