Capítulo 10 – O Beijo Roubado

1137 Palavras
A noite estava abafada, o som distante da cidade parecia um eco no vazio daquele luxuoso apartamento. Isabela, ainda com o corpo tenso pela troca de olhares com Caio, andava de um lado para o outro, tentando encontrar alguma forma de aliviar a tempestade que se formava dentro dela. Não fazia sentido. Ela sabia que aquele desejo era errado, que aquilo não passava de um jogo sujo entre eles, mas sua mente estava longe da razão, e seu corpo, como uma marionete, se entregava ao desejo que transbordava do olhar dele. A reunião que ela tivera mais cedo com Caio havia sido uma verdadeira prova de fogo. Ele estava cada vez mais presente em seus pensamentos, se insinuando em cada momento de sua rotina, como uma sombra que não a deixava em paz. E agora, ali, no centro daquele apartamento moderno e frio, ela sabia que estava perto de um limite que não deveria ultrapassar. O som da porta se abrindo atrás dela a fez parar imediatamente. Ela não precisava se virar para saber quem estava ali. Caio, como sempre, estava mais perto do que ela imaginava. — Isabela. — A voz dele veio baixa, grave, e a chama de tensão entre eles se reacendeu instantaneamente. Ela respirou fundo, tentando se acalmar. Mas quando virou-se para encará-lo, seu corpo inteiro reagiu de uma forma que não conseguia controlar. Ele estava parado ali, tão imponente e sedutor, com um olhar que refletia não apenas o desejo, mas a provocação. Ele sabia o que estava fazendo. Sabia que ela estava a um passo de se perder completamente. — O que você quer, Caio? — Ela perguntou, a voz tremendo de forma imperceptível. Sua mente dizia para afastá-lo, para ser racional, mas seu corpo, esse traidor, estava clamando por ele. Por ele e por nada mais. Ele se aproximou lentamente, o som de seus passos sendo o único som que ela ouvia, cada um mais forte do que o anterior. Quando chegou perto o suficiente para que ela sentisse a temperatura de seu corpo, Caio não disse uma palavra. Ele simplesmente a observou, como se estivesse a estudando, como se soubesse que estava prestes a cruzar uma linha que, depois de ultrapassada, não teria volta. Isabela, por sua vez, sentia-se paralisada. Queria gritar, queria correr, mas não conseguia. Algo nela queria continuar a ser forte, a resistir, mas a tensão entre os dois era maior do que qualquer resolução. Ele estava em sua frente, tão perto que ela podia sentir o calor de sua presença. Ela fechou os olhos, sentindo a pressão em seu peito. — Eu não posso mais resistir. — Caio sussurrou, e a frase foi como um estalo que fez a tensão entre eles finalmente romper. Antes que ela pudesse responder ou sequer processar as palavras dele, seus lábios estavam sobre os dela. O beijo foi feroz, urgente, como se o tempo estivesse se diluindo ao redor deles. As mãos de Caio a seguraram com força, sua boca consumindo a dela de uma forma tão intensa que Isabela perdeu a noção do que estava acontecendo. O desejo tomou conta dela de uma forma avassaladora, sem espaço para a razão. Ela se entregou àquele momento, sem reservas, sem medos, e sentiu sua mente e corpo se derreterem sob o toque de Caio. O beijo foi tudo o que ela havia negado por tanto tempo. Uma mistura de fúria e desejo reprimido, de saudade e paixão. Ele a estava levando a um lugar onde nada mais importava. Mas, assim que ela começou a se entregar mais ao toque, algo mudou. Caio, sem aviso, a afastou bruscamente. Isabela olhou para ele, completamente atordoada, sem saber o que dizer ou pensar. Ele estava ali, diante dela, respirando com a mesma intensidade, mas havia algo em seu olhar que não estava mais no mesmo jogo de antes. Agora havia uma mistura de arrependimento, ou talvez, de autocontrole. Caio passou as mãos pelo cabelo, um gesto de frustração, e olhou para o chão, como se tivesse perdido a batalha contra algo maior que ele mesmo. — Eu não posso fazer isso, Isabela. — Ele disse, a voz carregada de uma tensão que ela não conseguia entender. — Não assim. Isabela, por sua vez, sentiu o coração disparar. O beijo que acabara de experimentar ainda queimava em seus lábios, mas agora, com a distância entre eles, ela se sentia vazia. Ela não sabia o que havia acontecido. Por um momento, ela havia sentido que o jogo finalmente estava se tornando real. Mas ele a havia afastado. Ele havia se afastado. — Por que? — Ela perguntou, sua voz rouca, embargada pela emoção. — Por que você me faz isso, Caio? Por que faz com que eu sinta algo que não posso controlar, e depois me afasta? Ele olhou para ela, seu olhar penetrante, mas havia um toque de dor ali, algo que ela não conseguia decifrar. — Porque você merece mais do que isso, Isabela. — Ele respondeu, a voz mais suave, mas carregada de uma sinceridade que a atingiu com força. — Você merece mais do que esse jogo. Mais do que essa confusão. Eu não posso ser a pessoa que vai te ferir. As palavras dele soaram como um soco no estômago de Isabela. Ela sabia o que ele queria dizer, sabia o que ele estava tentando fazer. Ele queria proteger algo dentro dela, algo que ela ainda não compreendia. Mas, em vez de sentir gratidão, ela se sentiu frustrada. Frustrada por não entender, frustrada por não conseguir entender por que ele a afastava, quando o que mais queria era se entregar completamente. Ela deu um passo atrás, seu corpo ainda quente daquelas sensações intensas. Ela não sabia o que mais fazer, como lidar com a confusão de sentimentos que ele havia despertado. Não sabia se queria odiá-lo ou se, no fundo, desejava que ele continuasse. — Eu não sei o que você quer, Caio. — Ela disse, a voz trêmula. — Não sei se você está tentando me proteger ou se está jogando comigo. Mas não posso continuar assim. Não posso mais. Ele ficou em silêncio por um longo momento, seu olhar fixo nela. A expressão em seu rosto estava mais suave agora, mas ainda havia algo ali. Algo que ele não queria revelar. — Eu não sei o que vai acontecer entre nós, Isabela. — Ele finalmente disse. — Mas sei que o que aconteceu agora... é algo que não podemos ignorar. Isabela olhou para ele, o coração ainda disparado. Ela sabia que ele estava certo. Mas, ao mesmo tempo, ela não sabia mais o que fazer. Não sabia o que ele queria dela, nem o que ela queria dele. Tudo o que sabia era que aquilo, esse beijo roubado, mudaria tudo. E a partir dali, nada mais seria simples.
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